O momento actual é “mais perigoso” que a Guerra Fria, diz Steinmeier
AFP e PÚBLICO
08/10/2016 - 11:27
A Alemanha olha com preocupação para a degradação das relações entre Estados Unidos e Rússia.
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EUA acusam oficialmente a Rússia de orquestrar campanha para influenciar eleições
O momento actual é “mais perigoso” que a Guerra Fria, considerou este sábado o chefe da diplomacia alemã, Frank-Walter Steinmeier ao diário Bild, numa altura em que a tensão entre os Estados Unidos e a Rússia não pára de aumentar.
“É uma ilusão acreditar que se trata da antiga Guerra Fria. Os tempos actuais são diferentes, mais perigosos”, apontou o ministro dos Negócios Estrangeiros de Angela Merkel.
“O perigo de um confronto militar é considerável”, acrescentou também o antigo diplomata alemão Wolfgang Ischinger, que foi o mediador da OSCE para a Ucrânia, citado no mesmo artigo daquele jornal de referência. Mais: “Durante décadas, este perigo nunca foi tão alto como agora nem a confiança entre o Oeste e o Este tão fraca.”
Os Estados Unidos, que suspenderam no início da semana as conversações com a Rússia sobre o cessar-fogo na Síria, acusaram nesta sexta-feira Moscovo e Damasco de “crimes de guerra” em Alepo. As relações entre as duas potências têm vindo a deteriorar-se a olhos vistos desde a suspensão das tréguas que tinham acordado em Setembro e que durou apenas uma semana.
O Conselho de Segurança da ONU deve analisar neste sábado dois textos de proposta para se acertar um acordo de cessar-fogo em Alepo, cidade que tem sido bombardeada incessantemente por Damasco e as forças russas. Para além dos milhões de refugiados e da elevada destruição, estima-se que a guerra na Síria tenha feito mais de 300 mil mortos em cinco anos.
Entretanto, ainda esta sexta-feira, os Estados Unidos acusaram oficialmente a Rússia de realizar uma ampla campanha de pirataria informática com o objectivo de influenciar as eleições presidenciais de Novembro. Segundo o Departamento de Segurança Nacional e o gabinete do director dos Serviços de Informação, terão sido “alegadamente pirateados” computadores do Comité Nacional do Partido Democrata e de outros órgãos e personalidades políticas.
Mas o ministro dos Negócios Estrangeiros russos desvalorizou o assunto dizendo que os EUA não têm provas e que a acusação é uma tentativa de Washington provocar uma “histeria anti-Rússia sem prcedentes”. E disse mesmo que é um “truque sujo” usado pela administração Obama – do Partido Democrata, como Hillary - para interferir na campanha eleitoral.
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