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Com a sua canonização, ocorrida em Roma a 27 de Abril de 2014, o calendário litúrgico da Igreja Universal passou a incluir um dia dedicado à Memória de São João XXIII, por muitos conhecido como o «Papa Bom» o mesmo que desde há pelo menos 50 anos é merecedor dos maiores encómios por tão sabia e corajosamente ter decretado, promovido e inaugurado, um dos acontecimentos mais transformantes da história da Igreja na Idade Moderna e Contemporânea. O dia em que a Igreja faz memória de São João XXIII é o dia 11 de Outubro, aquele mesmo que em 1962 ficou para sempre inseparável da Abertura do Concílio Vaticano II, e, no final desse mesmo dia, ao fabuloso, e para nós imorredoiro, «discurso da lua» dirigido aos peregrinos que no entardecer daquele dia entre todos excecional se reuniram na Praça de São Pedro em oração de louvor e ação de graças pela abertura de um dos mais importantes Concílios da história. Naquele tempo era eu apenas criança e, como hoje acredito, a carícia que o Papa da Ternura enviava da sua janela em Roma à cidade e ao mundo não deixei de a receber. Hoje, porém, e como já fiz em anos anteriores, desejo sobretudo recordar, nomeadamente num tempo em que na campanha eleitoral em curso nos Estados Unidos se mostra o lado pior da política, que o «Papa da Ternura» prontamente, e a poucos meses da sua morte, haveria de se ver confrontado com uma gravíssima situação de urgência internacional criada pelos mísseis que a União Soviética tinha posto a caminho de Cuba. Prontamente reconhecida como uma das crises internacionais mais graves desde o fim da Segunda Guerra Mundial, tão grave que, de facto, colocou uma notável porção da humanidade sob a ameaça do holocausto atómico. A autoridade pessoal de João XXIII, porém, haveria de incutir em líderes como John F. Kennedy e Nikita Kruschev o sentido do diálogo, do compromisso e da responsabilidade pelo Bem Comum da humanidade no seu todo, o bastante para que a tragédia e o horror da mais temível de todas as guerras fosse então evitada. O Papa deu apenas o seu contributo, mas este haveria de se revelar essencial; seja como for, a arte da diplomacia, a mesma que agora desejamos ao próximo Secretário-geral das Nações Unidas, triunfou na crise dos mísseis em Cuba graças à maturidade e sabedoria de um Papa que antes de o ser foi Núncio Apostólico na Bulgária, na Turquia e na França durante um dos tempos mais negros da história da Europa e do mundo, a segunda guerra mundial. Hoje, e num momento em que no Médio Oriente se agravam as condições da paz e o desequilíbrio mundial na relação entre os poderes alcança um valor crítico como há decénios não se via, bem podemos invocar São João XXIII como um dos Santos Padroeiros da Diplomacia e do Diálogo, um Santo protetor da Paz mundial e sereno promotor das causas que melhor servem a humanidade, a começar, naturalmente, pelas da Verdade e da Liberdade, enfim, da Justiça que vai para além de toda e qualquer fronteira. – Para quem desejar visualizar ou rever o impactante «discurso da lua» pronunciado por S. João XXIII na noite de 11 de Outubro de 1962, aqui fica um enlace: https://goo.gl/LRMRKA.



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