sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Poema meu (obra Regª)











Poema

PUDESSE EU…
…e voltaria ao lugar da tua ausência
onde,
sílaba a sílaba e
palavra a palavra,
cantaria por ti os versos em que não
pudesses estar…


…não fugiria dos teatros de água
onde,
em voz alta, ouvimos as ondas gritarem
a música de um piano enterrado no areal,
que se recusava a entrar
no inquieto e frio leito do mar…

Pudesse eu…
…e esqueceria o denso nevoeiro que sufoca
os plátanos verdes da avenida do tempo,
à hora da floração do teu doce olhar,
quando as trémulas folhas passam de folha-em-folha
para no peito me virem cair, em sedutora provocação…

(Os candeeiros do mar, quando se acendem, projectam uma estranha luz na avenida, enriquecida de bruma a lembrar cinza, que o farol desafia para a penumbra das águas traiçoeiras e inseguras. É como se não libertassem de navegadores extraviados, que se perderam na lama das algas…
Pudesse eu e acendê-los-ia com a força da memória do nosso olhar…e em jeito de poema
contaria em verso, toda essa triste história)

Oh, pudesse eu encontrar-te na junção geométrica do candeeiro-farol…
…e voltaria ao lugar da tua ausência
onde,
sílaba a sílaba,
palavra a palavra,
imagem a imagem,
cantaria por ti os versos em que não pudesses ESTAR.

Maria Elisa Ribeiro
SET/016

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