MEU MAPA…MEU CORPO…
Como quem estende o corpo sobre um fino lençol de pétalas macias,
estendi, sobre uma mesa onírica, o meu mapa de viagem,
aberto, de modo a que encontrasses a rota para outra minha margem.
Quase em segredo o fiz…
Mas um poema, guardado nas minhas mensagens, traíu-me…
Com suas mãos de tudo escrever e ler
folheou-me a Vida
e ficou a saber a sonoridade interna do que foi-o-meu-ser-em-ti…
Eu apenas queria, que descobrisses rotas de novas brisas
de recônditas paisagens de um MAIS…
…muito-mais-que-a-Vida…
Que podem os versos saber desses sítios que a mão do papel
nunca chega a descobrir, se é o poeta que os acomoda
tal como os vive, escrevendo-os?
Fechei os olhos-em-mim, enquanto a força do vento se debatia
contra o casco de um navio, numa hora de tempestade em
que , por dentro, nada sorria…
Ouvi tua voz saltar o cume das ondas e dizer meu nome,
no meio do silêncio da biografia que deixei nas tuas mãos.
Registei-a num poema vivo,
quando o vento soprou nas asas das borboletas,
sediadas na verdade dos meus sentidos.
Fere-me aquela espuma das ondas que bate na areia, com fragor,
a tentar apagar o rumor da tua voz,
enquanto os búzios caminham sobre as mentiras do mar
que se misturam em fumo, no areal.
À porta do meu corpo ficou a tristeza do poema,
que não leste no meu mapa…que estagnou no espelho baço do tempo----
----sem fé----sem resposta----com um lamento.
Hoje, são os grilos que me atormentam as noites
de onde se ausentou o sono reparador.
E as árvores queixam-se de me não verem à janela…
…e a lua vai sempre alta----alta e amarela---
a deslizar sozinha pelo céu, coitadita…a deslizar…a deslizar…alta,
…sempre alta e bela, pobrezita…
Nos braços solitários que passeio pela casa
procuro o mapa que em tua frente estendi,
já esquecido do meu corpo.
Não soube ensinar-te a viagem
que podia ter-te trazido , até mim, na minha outra margem…
Maria Elisa Rodrigues Ribeiro
Julho/014 — com Catarina Melo Faria e 48 outras pessoas.

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