quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Poema do nosso VERGÍLIO FERREIRA (1916-1996)

Fímbria de MelancoliaFímbria de melancolia, 
memória incerta da dor, 
ouço-a no gravador, 
no fado que não se ouvia 
quando ouvia o seu clamor. 

Porque era já no passado 
o presente dessa hora 
e que me ressoa agora 
a um outro mais alongado. 

Assim a dor que se sente 
no outro obscuro de nós 
nunca fala a nossa voz 
mas de quem de nós ausente, 
só a nós próprios consente 
quando não estamos nós 
mas mais sós do que ao estar sós. 

Onde então estamos nós? 

Vergílio Ferreira, in 'Conta-Corrente 1'

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