sábado, 4 de janeiro de 2014

Fernando Pessoa visto por meu amigo António Manuel Monteiro Mendes-in Facebook



António Manuel Monteiro Mendes partilhou a foto de Portal da Literatura.há 12 horas · Editado ·

Bom dia.

Presunção e água benta cada um toma a que quer..., e eu, presunçoso nesta manhã de ontem, recorro às mãos de hoje, escrevendo a vontade do passado.

Os poetas de acordes límpidos, de palavras sãs, erguem-se humildes, acenam-nos de longe, apenas com um sorriso de compreensão perante a nossa ímpia vontade. Escrever como eles, ou apenas lidar com as letras.

Eu não. Perdoem-me. Sou um poeta firme.
Seguro das minhas palavras, célebre na minha solidão, exploro os recantos frágeis da minha sábia ingenuidade.
Li tanto, tudo o que já está escrito. Faltam as minhas obras.

Eu, singular, orgulhoso como ninguém, entendo que outrem, desconhecidos na minha sala fantasma, não merecem conhecer a minha rara arte. Mesmo tu que escreves sempre, melhor e mais do que eu.

Fácil, digeres a filosofia da comunicação, a sociologia, as intempéries que colidem entre o passado num fresco, ou, num outro bem longínquo que apenas se adivinhou pela imensa loucura de quem o escreveu.

Ninguém me lê. Não escrevo para outros. Nem tu. Nisso somos iguais.
Lamento dizer-te que és melhor, louco tanto que criaste heterónimos disfarçando a tua dor e questões, em homens imaginários.

Sou bem mais produtivo do que tu. Não entendo o amor como ridículo. (Álvaro Caeiro) Nunca amei.
Não sou nem de perto, nem de longe simples como o Alberto. Sou muito mais radical do que tu, vivo ainda com a cobardia de não me exilar.
Quero democracia, expulsar os demónios da corrupção, findar com a pobreza e a doença, e, claro escrever sobre o que não percebo. Tu não, (Ricardo Reis), fugiste para o Brasil.

Não estou minimamente preocupado com o teu público.
São meros figurantes, ignorantes sendo eu a figura central.
Leio-te e nunca percebo o que viste na escrita.
Morreste por ela e nem o teu amigo Bernardo Soares te impediu de parires e deixares-me só.

Desassossegado. Pela mina real capacidade.
Escritor como tu foste no passado não sou. Sou apenas sublime na minha humidade em reconhecer-te como meu mentor na forma de me esconder da minha futilidade ao ler-te e comentar-te.

António Manuel Monteiro Mendes.
(reservados todos os direitos de autor(que não sou), conforme a legislação portuguesa).

Fernando Pessoa

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