segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Crónica do jornalista Henrique Monteiro

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O caminho das pedras de Paulo Portas
Henrique Monteiro 8:00 Segunda feira, 13 de janeiro de 2014


"Dizia Carl Von Clausewitz, estratego incontornável para militares e políticos, que numa coligação o parceiro mais forte é sempre prisioneiro do mais fraco. A frase do general prussiano costuma ser verdade. Basta lembrarmo-nos de que modo Soares foi 'prisioneiro' de Mota Pinto, ou Balsemão de Freitas do Amaral, para termos uma ideia do que esta palavra - prisioneiro - significa. O parceiro mais forte, não podendo cumprir o seu programa na íntegra, tendo de fazer cedências, corrói a sua base de apoio. Já o mais fraco tem, em cada cedência do mais forte uma vitória.

O problema, a meu ver, é que desta vez tal não aconteceu com Passos e Portas. Foi o líder do CDS que, incompreensível (ou diria irrevogavelmente) ficou preso à estratégia do mais forte. Apesar de em muitos momentos a sensatez de Portas ter contrastado positivamente com Passos (nomeadamente no que se refere à necessidade de diálogo alargado, ao sentido de Estado e a inúmeros outros pontos, como a defesa de certos princípios contra a excessiva penalização dos pensionistas), penso que Portas deitou tudo a perder quando num momento disse que saía e, depois, não saiu. Aí, sim, ficou amarrado ao destino do Governo e com esta agravante: o que correr bem vai muito mais a crédito do PSD e de Passos do que do CDS e de Portas. Do que correr mal, ele também não fica isento. Mais: se este Governo chegar ao fim do mandato, como o líder do CDS vaticinou, tal deve-se à calma olímpica de Passos e não aos discursos de Portas.

Este Congresso do CDS pode ser, pois, uma espécie de canto do cisne de Portas. Não significa com isso que ele desapareça politicamente, o homem tem várias vidas e já o demonstrou. Mas naquele partido já se entendeu que há política, espaço e poder para além dele. E que Portas, no Governo, não foi o que dele se esperava. É, pois, natural que, mesmo concorrendo sozinho, com votações albanesas, esteja a encerrar o seu ciclo no partido de que já foi líder por 17 anos (mais cinco por interposto Manuel Monteiro). Do que necessita agora, mais do que remendar a teia do poder que, pelos vistos, não lhe chegou a escapar no seu espaço partidário, é de refazer a imagem de confiança que a nível nacional deixou escapar. Apenas por culpa própria."

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