

Poema
RUMORES POÉTICOS
chove, ao longe. a chuva não tem cheiro. os ventos, que chegam primeiro que a noite, trazem o odor da terra molhada, sedenta de seiva, que se liberta de perfumes, há tanto tempo enterrados nas frestas dos torrões de areia. é mágico, o odor do solo molhado. a nascente provoca o florescer dos pomares onde se renovam as folhas de árvores e rejuvenescem flores, no palco único da vida. o chão torna-se estrada de lamas onde até as pedras falam, quando por lá passo, comovida, a ouvir o som da chuva que vai caindo no mar, que levo nas minhas mãos cheias de espuma e de sal. num lago, despercebido do calor do deserto, a manhã é um dia onde se reflecte um espelho a suspirar, por detrás de uma velha janela. grasnam os patos a sacudir as asas, como se quisessem apanhar o sol ao chegar a maré-cheia de luz, para já fechada a sete-chaves na força das nuvens, que chegaram depois do vento…longe do deserto…perto das almas da terra, adormecidas lá dentro…
Maria Elisa Ribeiro-Portugal
SET/014
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