MARÇO MÊS DA MULHER
A minha escolha de hoje
3 - NATÁLIA CORREIA
Escritora e ativista, Natália Correia teve um papel político muito importante no que diz respeito à luta pelos Direitos Humanos e pelos Direitos das Mulheres. O seu nome não é, infelizmente e com muita pena nossa, suficientemente referido a nível internacional, mas o seu papel enquanto feminista é grande motivo de orgulho em Portugal.
Autora do Hino dos Açores e cofundadora da Frente Nacional para a Defesa da Cultura, Natália destacou-se pela sua obra, entre géneros variados - desde a poesia ao romance, entre o teatro e o ensaio – e gostava de ser chamada de poetisa pelo significado feminista que atribuía à palavra. Essa sua determinação foi o mote para se afastar do politicamente correto, mas nem sempre a sua visão e ideologia foram validadas. Natália foi condenada a três anos de prisão (com pena suspensa, pela publicação de uma obra considerada ofensiva para os costumes) e foi processada por ter tido a responsabilidade editorial das “Novas Cartas Portuguesas” (o livro das Três Marias).
Natália foi, no meio de tantas conquistas, uma das responsáveis pelo aparecimento do conceito de café-concerto em Portugal.
Natália Correia faleceu em 1993, deixando um grande vazio na literatura portuguesa e um legado que recordaremos sempre.
A EXALTAÇÃO DA PELE
Hoje quero com a violência da dádiva interdita.
Sem lírios e sem lagos
e sem o gesto vago
desprendido da mão que um sonho agita.
Existe a seiva. Existe o instinto. E existo eu
suspensa de mundos cintilantes pelas veias
metade fêmea metade mar como as sereias.
Natália Correia, in 'O Sol nas Noites e o Luar nos Dias'

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