A vida dos camponeses da Beira Baixa nunca foi fácil pois se todos tivessem um terreno lavrado quase nunca era suficiente para o sustento da família. Já vimos que os antepassados da família Dias recorriam a uma série de actividades suplementares para fazer face às necessidades. Homens e mulher alugavam a sua força de trabalho para os proprietários e sobretudo os moços partiam para o Alentejo na altura das searas.
A resina dos pinheiros sempre consistiu um considerável ganho extra e muitos conseguiam fazer bom dinheiro com a extração da resina.
Ainda hoje é possível encontrar, na floresta entre o mato, os antigos recipientes de barro outrora utilizados nos pinheiros.
A resina é matéria-prima bem útil para a indústria. Ela vira terebintina e breu, que depois são usados na fabricação de cosméticos, pneus, tinta, goma de mascar e muitos outros produtos.
A Resina é uma secreção própria das espécies vegetais, mais abundante nas resinosas, expelida quando estas sofrem danos ou feridas nos troncos/ramos. É líquido viscoso translúcido e pegajoso, de cor amarela acastanhada e cheiro característico, distingue-se da seiva por esta ser uma substância aquosa relativamente clara e com finalidades diferentes. A resina tem como função proteger a árvore das agressões do meio, estimula a cicatrização, é reguladora de crescimento e repelente de herbívoros.
Em Portugal as principais espécies produtoras de resina com interesse comercial são o Pinheiro-bravo (Pinus pinaster) e o Pinheiro-manso (Pinus pinea), sendo que a espécie que mais se destaca é o pinheiro-bravo.
Resinagem é a actividade praticada manualmente pelo Resineiro. Inclui várias operações e o objectivo é extrair, recolher, limpar e acondicionar a resina de pinheiros, seguindo esta posteriormente ser para a fábrica de 1ª transformação. Consiste em fazer cortes na casca do tronco (feridas, renovas), fazendo com que a árvore produza e liberte resina, que é recolhida num recipiente preso à árvore (saco ou púcaro).
Exige a presença de resineiros nas florestas durante cerca de 9 meses por ano, sendo que cada árvore tem que ser visitada individualmente aproximadamente de 15 em 15 dias para se proceder à abertura de uma nova ferida (renova) e a aplicação da pasta estimulante.
Um milhão de bicas (utensílios para recolher a resina dos pinheiros) foram queimadas nos fogos em 2017, um número que representa 20% da área resinada em Portugal.
Para além de ter desaparecido cerca de 20% da área que estava a ser resinada, foram também queimados muitos outros pinhais e "pinhais jovens" que seriam explorados daqui a dois ou três anos.
Depois das lucrativas décadas de 60, 70 e 80 do século passado, em que Portugal foi um dos líderes mundiais de resina com uma produção média anual de 140 mil toneladas, o setor volta a despertar interesse para os produtores nacionais depois de anos de estagnação.

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