quinta-feira, 21 de julho de 2016

Tensão no PSD entre a direcção do partido e a bancada parlamentar!! (in geringonca.com)



PSD: tensão entre direção e bancada parlamentar acentua-se

GERINGONÇA21/07/2016368 0

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Quando já são muitas as desconfianças quanto ao excesso de protagonismo de Luís Montenegro, a eleição para o Conselho Económico e Social (CES) e a votação do diploma da maternidade de substituição vêm deixar a nu a total ausência de sintonia entre a direção do PSD e a sua bancada.


No caso da eleição falhada para o CES, é a bancada do partido que prega uma partida a Passos Coelho. Vamos por partes. Há cerca de um mês, o PSD acusava a esquerda de “estar fechada e sem disponibilidade para nada”. Na semana passada, a direção do PSD celebrava um acordo com um dos partidos da tal maioria “fechada”, o PS. Já ontem, enquanto o tal partido da tal esquerda “sem disponibilidade para nada” cumpriu a sua parte do acordo, o PSD, numa atitude que até elementos do próprio partido terá surpreendido, quebrou o compromisso e faltou ao acordado.

Segundo o relato feito pelo deputado do PS, Tiago Barbosa Ribeiro, o PSD aceitou o nome do Prof. Correia de Campos para o CES, tendo havido uma audição esta terça-feira na Comissão de Trabalho “em que nenhum sinal contrário foi dado”. Contudo, o deputado esclarece que “ontem à tarde, com o voto em urna, foram eleitos todos os órgãos (o PS cumpriu) mas na urna individual para a eleição do CES registaram-se 105 votos a favor, 93 brancos (!), 23 nulos.”

Entretanto o jornal Público (na edição impressa) noticia que “os deputados [do PSD] sabiam que havia um acordo com o PS para aquele nome, mas não receberam qualquer indicação expressa para votar no socialista“. A conclusão do deputado do PS é taxativa: “Como são possíveis consensos mais amplos e diálogo com gente que nem sob compromisso de honra consegue cumprir a sua palavra?”

Já no caso da votação da maternidade de substituição é Passos que prega uma partida à sua bancada. Como noticia hoje o jornal i, Passos tinha votado favoravelmente o diploma antes de este ser vetado pelo Presidente da República. Porém, numa reviravolta vista por alguns deputados como uma cedência aos setores mais conservadores do partido, o líder do PSD surpreendeu toda a gente e absteve-se nesta nova votação do diploma.

Segundo o jornal i, o partido de Passos aparenta estar dividido, relatando que para muitos deputados caiu mal a forma como líder geriu o dossiê e havendo quem considerasse o caso “um erro político”. Recorde-se que a ala mais conservadora do PSD tem exercido bastante pressão nesta matéria, estando mesmo a recolher assinaturas para referendar a gestação de substituição. Já na ala menos conservadora houve 20 deputados a votar favoravelmente o diploma e que acabaram por ser decisivos para a sua aprovação.

São mais dois episódios que evidenciam fortes dissonâncias dentro do PSD e que reforçam a ideia que Passos já não terá mão na sua própria bancada. Algo que, para os mais atentos, não será de todo surpreendente.

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