

POEMA :
O NORTE-DO-MEU-DESNORTE
Cansei as palavras.
Esgotei-as, ao escrevê-las.
Fi-las falar
de tudo, o que não queriam recordar.
Dei-lhes versos estruturados, em folhas de rama forte.
Falei-lhes das flores desabrochadas
no jardim do lado norte, desnorte
nosso, paraíso de sonhos das horas passadas.
Levei-as comigo pelos campos
atufados de ervas verdes e , sob um calor forte,
contei-lhes do mar tão lindo,
-tão azul esverdeado, que até faz nadar os olhos
em remoinhos de espuma !
Cansei as palavras…
Escrevi-as nos meus dedos e passei-as para as mãos
em concha, com meus sonhos dentro delas.
Deixei-as entrar na terra lavrada e ouvir o
grão a gemer, inchando dentro dela.
Lancei-as ao rio serpenteante do vale montanhês,
sob estrelas cadentes que nada disseram,
pois seu brilho ondulante corria para a foz.
Amanhã, amor, sei que não terás nada para-me- ler,
porque, cansadas , esgotadas de tanto viver,
de mim mais nada terão a dizer…
…e meu canto será um seco fio de tinta azul
que se esbaterá nos oceanos
a Sul de todo o norte do meu- desnorte-a-viver.
Maria Elisa Ribeiro
AGOSTO/015
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