sábado, 14 de junho de 2014

UNIÃO NAS ESQUERDAS PORTUGUESAS, CONTRA A NOVA DITADURA!














Uma recusa que é todo um programa
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João Galamba |7:00 Segunda feira, 9 de junho de 2014


Não se mobiliza o país para um combate político aceitando a narrativa do nosso adversário. Quem escolhe esse caminho - seja por convicção, seja por cálculo eleitoralista - pode protestar, pode criticar, pode lamentar, pode indignar-se, mas já começou derrotado e, por essa razão, nunca terá condições para se apresentar como uma verdadeira alternativa.

No discurso de apresentação da sua candidatura a Secretário-Geral do Partido Socialista e a Primeiro-Ministro de Portugal, António Costa, numa simples frase, disse tudo: "não tenhamos dúvidas: se pensarmos como a direita pensa, acabamos a governar como a direita governou". Esta singela frase contém, em si mesma, toda uma alternativa, porque assenta numa recusa - na recusa em aceitar a narrativa sobre a crise que PSD e CDS, com a prestimosa ajuda dos nossos credores, têm imposto aos portugueses e que fundamenta toda a política seguida nos últimos três anos.

O problema da maioria PSD-CDS não se resume a um excesso de austeridade, nem pode ser reduzido a mera incompetência ou insensibilidade social. O problema da maioria PSD-CDS é ter uma visão errada dos bloqueios estruturais do país e das causas da crise que vivemos. Ou seja, o governo, por pensar como pensa, esteve sempre condenado a falhar. É o que acontece a quem acha que a crise portuguesa se deve a uma questão de despesismo, de ausência de "reformas estruturais" (leia-se desregulação) e às "políticas erradas do passado".

Portugal tinha e tem enormes desafios na qualificação dos seus recursos humanos; tinha e tem enormes problemas na sua estrutura produtiva e no seu perfil de especialização; tinha e tem enormes problemas de desigualdade na distribuição do rendimento e da riqueza; tinha e tem a necessidade de modernizar o Estado. Mas, e é preciso dizê-lo, se há partido que, ao longo da sua história, tudo fez para que Portugal percorresse esse caminho e superasse os bloqueios do passado, esse partido foi o PS, em particular o último governo PS. E não, não estamos onde estamos por causa desse esforço, dessas políticas e dessa estratégia. Estamos onde estamos porque Portugal, à semelhança de outros países, foi vítima de uma crise financeira (a maior dos últimos 80 anos) que foi ampliada, nas suas causas, e bloqueada, nas suas soluções, por uma moeda única disfuncional (e que, desde 2010, se tem tornado ainda mais disfuncional)

Portugal tem, como é evidente, um longo caminho a percorrer. Mas este caminho não é seguramente o da expiação por erros do passado, é o da transformação de um país que, desde o 25 de abril, fez muito mas ainda não o suficiente. Lutar - sem cedências nem tibiezas - por este projecto é o que se espera de um líder do PS.Palavras-chave PSpartido socialistaBloguesTempo compradoJoão Galamba



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