segunda-feira, 2 de junho de 2014

POEMA: (obrª regª)








TENTATIVAS…





Tentei encontrar-te naquela viela empedrada,

suja de madrugadas bebidas em taças de sombras, exaustas

de tanto andarem perdidas…



Tentei ver-te em novos astros das manhãs iluminadas

por palavras-chamas,

fios-dramas

do vento a ranger,

na madeira-a-crepitar

o compasso das folhas de velhos livros-a-ciciar.



*as cordas das guitarras resistiram à velha música, que saltou pelas janelas das almas e se escondeu no agasalho dos plátanos adormecidos, enrolados nos braços das folhas*

*em cada passo que dei, vi a palavra perdida no universo das tristes ruelas e esquinas, a passar pelos corpos feitos ruínas no segredo dos vómitos de pérolas perdidas, num copo de promessas esquecidas.

Talvez te tenhas perdido na rua do choro das guitarras doridas______________________

Talvez as folhas dos plátanos não tivessem sentido o frio das velhas esquinas de empedradas vielas_____________________________________________________________________

Talvez os astros não soubessem ler o poema, onde brilhavam minhas mãos-de-tactear-ruelas.

Talvez eu não devesse estar na rota das tuas estrelas_______________________________



*tentei que, no poema, tu fosses a mensagem transparente e eterna, à luz verde da noite,

que traduz a esperança do verso,

que redime o controverso pousar das mãos no parapeito de uma janela…

ou talvez tu já fosses o verso-reverso dentro do cansaço, onde a tristeza se alegra…



Sei , tão só, que tentei , de todas as formas, com todas as regras, decorar as rotas, para dobrar o meu cabo de todas as tormentas e chegar ao deserto, onde só tu me podes encantar…



Talvez tu sejas a Esfinge…

Talvez o mar se perdesse nas areias do desconforto…

Talvez estejas mais perto, do que tudo o que o mundo sabe de ti…







Maria Elisa Rodrigues Ribeiro



MAIO/2014

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