

TENTATIVAS…
Tentei encontrar-te naquela viela empedrada,
suja de madrugadas bebidas em taças de sombras, exaustas
de tanto andarem perdidas…
Tentei ver-te em novos astros das manhãs iluminadas
por palavras-chamas,
fios-dramas
do vento a ranger,
na madeira-a-crepitar
o compasso das folhas de velhos livros-a-ciciar.
*as cordas das guitarras resistiram à velha música, que saltou pelas janelas das almas e se escondeu no agasalho dos plátanos adormecidos, enrolados nos braços das folhas*
*em cada passo que dei, vi a palavra perdida no universo das tristes ruelas e esquinas, a passar pelos corpos feitos ruínas no segredo dos vómitos de pérolas perdidas, num copo de promessas esquecidas.
Talvez te tenhas perdido na rua do choro das guitarras doridas______________________
Talvez as folhas dos plátanos não tivessem sentido o frio das velhas esquinas de empedradas vielas_____________________________________________________________________
Talvez os astros não soubessem ler o poema, onde brilhavam minhas mãos-de-tactear-ruelas.
Talvez eu não devesse estar na rota das tuas estrelas_______________________________
*tentei que, no poema, tu fosses a mensagem transparente e eterna, à luz verde da noite,
que traduz a esperança do verso,
que redime o controverso pousar das mãos no parapeito de uma janela…
ou talvez tu já fosses o verso-reverso dentro do cansaço, onde a tristeza se alegra…
Sei , tão só, que tentei , de todas as formas, com todas as regras, decorar as rotas, para dobrar o meu cabo de todas as tormentas e chegar ao deserto, onde só tu me podes encantar…
Talvez tu sejas a Esfinge…
Talvez o mar se perdesse nas areias do desconforto…
Talvez estejas mais perto, do que tudo o que o mundo sabe de ti…
Maria Elisa Rodrigues Ribeiro
MAIO/2014
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