sexta-feira, 9 de junho de 2023

Poema

 AROMA-DOS-FENOS

Searas cortadas no pico do calor abrasador
Limpas salpicadas de espigas cortadas
do trigo que deu flor.
Sementes perdidas aqui e além
São fruto para as aves e para insectos, também.
Feno aromático
no horizonte dourado de rubras papoilas
a quem o Verão roubou o viço de SER...
O vento faz-se anunciar
pelo ar que roça as poucas ervas
rentes ao chão,
e folhas das árvores esquecidas do ENTÃO.
O ruído peculiar do vento a falar
recorda o som da flauta do pastor
quando conduz o rebanho com a ajuda do cão.
Cheira a trigo...
cheira a medas de palha dourada, cheira à Natureza sagrada...
Quando o vento empurrar as nuvens
não tarda que meu coração
Ouça gotas de água que ,
pelos olhos não quero perder.
E se isso vier a acontecer
Apanho-as...guardo-as...escondo-as e
Ali à frente,
sob o meu telheiro no aroma do feno
que está a secar,
escrevo o poema que o vento não ouve ao passar
( para não lhe permitir roubá-lo!)
©Maria Elisa Ribeiro
Direitos reservados
JAN/2022
Pode ser uma imagem de natureza, árvore e massa de água
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