
UM POUCO ALÉM-DO-ALÉM
Assustam-me os vazios que me cercam
e tentam agarrar os dias em que ME-VIVO!
Umas vezes, estou com eles-não-estando…
outras vezes, apanham-me passeando, errante como Cesário,
e nesses instantes sei ,
que estou sempre um-pouco-MAIS-ALÉM-DO-ALÉM.
Nos vazios que me cercam, retalhos de uma passada manta colorida,
sobressaem, como faces de uma donzela, os momentos das trovas
cantadas sobre o leito matrimonial
dos grandes cabelos lavados na fonte…
Vogam ondas sem águas nesse espaço original…
ondas de quentes matrizes…
ondas de amor e ardor, que
alimentam os gelos das cantigas do matagal.
Fixando-o-mar-em-MIM, vejo, por dentro das veias ,
o perfil dos meus Vazios,
escurecido pelas barcas que
partiram de Portugal ,
deixando na água o sangue-cheiro-a-mágoa,
derramado num qualquer areal.
Meus assustadores vazios de penitência andam à minha volta,
perdem-se com os ares dos ventos nas copas entrelaçadas
que Cesário não viu, mas que continuam presentes, a meu lado,
na poesia antiga-recente do meu CONTÍNUO Passado,
um pouco-ALÉM-DO-ALÉM…
FEV/018
Maria Elisa Ribeiro
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