quarta-feira, 4 de abril de 2018

POEMA:OBRA REGªªªªªªªª











UM POUCO ALÉM-DO-ALÉM





Assustam-me os vazios que me cercam

e tentam agarrar os dias em que ME-VIVO!

Umas vezes, estou com eles-não-estando…

outras vezes, apanham-me passeando, errante como Cesário,

e nesses instantes sei ,

que estou sempre um-pouco-MAIS-ALÉM-DO-ALÉM.

Nos vazios que me cercam, retalhos de uma passada manta colorida,

sobressaem, como faces de uma donzela, os momentos das trovas

cantadas sobre o leito matrimonial

dos grandes cabelos lavados na fonte…





Vogam ondas sem águas nesse espaço original…

ondas de quentes matrizes…

ondas de amor e ardor, que

alimentam os gelos das cantigas do matagal.





Fixando-o-mar-em-MIM, vejo, por dentro das veias ,

o perfil dos meus Vazios,

escurecido pelas barcas que

partiram de Portugal ,

deixando na água o sangue-cheiro-a-mágoa,

derramado num qualquer areal.

Meus assustadores vazios de penitência andam à minha volta,

perdem-se com os ares dos ventos nas copas entrelaçadas

que Cesário não viu, mas que continuam presentes, a meu lado,

na poesia antiga-recente do meu CONTÍNUO Passado,

um pouco-ALÉM-DO-ALÉM…





FEV/018

Maria Elisa Ribeiro

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