terça-feira, 18 de julho de 2017

OBRA REGª






















POEMA :

FRIO-CAIS-DOS-ABANDONOS

O mar enrola-se nas areias prateadas da costa
quando, no firmamento, despontam estrelas douradas,
a ver emigrar bandos de pássaros afoitos,
que correm para as folhas esverdeadas dos ninhos da noite.

Torço nas mãos o frio do cais abandonado na madrugada,
sozinho frente às correntes do oceano
a chorar tristes lenços brancos, das antigas despedidas.

Apuro o ouvido.
De pé, na proa de um navio, ouço uma “Ode Marítima”,
louca e desenfreada cantata de Pessoa, a voar na ponta do bico
dum pássaro negro que voa.

Uma sombra indistinta deambula pelas vielas de Lisboa,
perdida na tristeza das esquinas de Alfama e da Madragoa.
É Cesário! E entoa os sentimentos dos ocidentais, que partiram
em tempos, pelo mar fora, à toa, para os mares orientais.

Choram as folhas das árvores, carregadas de lágrimas de orvalho…
…chegam-me ondas de maresia no ondular das ondas do rio-mar…
…as flores reabrem nos jardins e varandas, à luz de um sol imortal,
que foi glória e naufrágio do pequeno Portugal…
…as uvas amadurecem nas encostas do Douro e tomam o lugar
das amendoeiras-em-flor,
que abriram nos lábios do poeta
e se desfizeram em palavras de amor-ouro-a-reviver- o- mar…

O Douro desliza, aos borbotões, incauto, a ouvir a voz de Baco
que canta os anfiteatros de Torga…ali, perto da pedra dura…em
São Leonardo de Galafura…

Maria Elisa Ribeiro-Portugal
JULHO/016

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