terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

História de Portugal: rainha D. Maria I


Maria I de Portugal
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Nota: Se procura pela peça de teatro, veja D. Maria, a Louca.
Maria I


Rainha de Portugal e Algarves
Reinado 24 de fevereiro de 1777
a 20 de março de 1816
Aclamação 13 de maio de 1777
Predecessor José I
Sucessor João VI
Co-monarca Pedro III (1777–1786)
Regente João, Príncipe Regente
(1792–1816)
Rainha do Brasil
Reinado 16 de dezembro de 1815
a 20 de março de 1816
Sucessor João VI
Regente João, Príncipe Regente

Marido Pedro III de Portugal
Descendência José, Príncipe do Brasil
João VI de Portugal
Maria Ana Vitória de Portugal
Casa Bragança
Nome completo
Maria Francisca Isabel Josefa Antónia Gertrudes Rita Joana
Nascimento 17 de dezembro de 1734
Paço da Ribeira, Lisboa, Estremadura, Portugal
Morte 20 de março de 1816 (81 anos)
Convento do Carmo, Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil
Enterro Basílica da Estrela, Lisboa, Portugal
Pai José I de Portugal
Mãe Mariana Vitória da Espanha
Assinatura


Maria I (Lisboa, 17 de dezembro de 1734Rio de Janeiro, 30 de março de 1816), apelidada de "a Piedosa" e "a Louca", foi a Rainha de Portugal e Algarves de 1777 até sua morte, e também Rainha do Brasil a partir do final de 1815. De 1792 até sua morte, seu filho mais velho João atuou como regente do reino em seu nome devido sua doença mental. Era a filha mais velha do rei José I e sua esposa a infanta Mariana Vitória da Espanha.



Índice [esconder]
1Biografia
1.1Nascimento
1.2Casamento
1.3Reinado
1.4Regência do filho
1.5Ida para o Brasil
1.6Morte
2Bibliografia
3Títulos, estilos, e honrarias
3.1Títulos e estilos
3.2Honrarias
4Genealogia
4.1Descendência
4.2Ancestrais
5Na cultura popular
5.1Maria-vai-com-as-outras
6Referências
7Ver também


Biografia[editar | editar código-fonte]

Dona Maria I, Rainha de Portugal, por José Leandro de Carvalho, 1808.

Maria Francisca, Princesa da Beira, Duquesa de Barcelos (1739), Francesco Pavona.
Nascimento[editar | editar código-fonte]

Maria nasceu a 17 de dezembro de 1734 no Paço da Ribeira, em Lisboa, Portugal. Seu nome completo era Maria Francisca Isabel Josefa Antónia Gertrudes Rita Joana de Bragança. Foi a filha primogênita de D. José de Bragança, então Príncipe do Brasil, e sua esposa Mariana Vitória de Bourbon, Infanta de Espanha.

Quando o seu pai subiu ao trono em 1750 como D. José I, Maria tornou-se sua herdeira presuntiva e recebeu os títulos tradicionais de Princesa do Brasil e Duquesa de Bragança.
Casamento[editar | editar código-fonte]

A continuidade dinástica da Casa de Bragança ficou assegurada com o seu casamento com o tio Pedro de Bragança, que subiria ao trono como Pedro III de Portugal. O casamento foi realizado na Real Barraca da Ajuda a 6 de junho de 1760.[1] Tiveram quatro filhos e três filhas.
Reinado[editar | editar código-fonte]

Embora Maria I seja tradicionalmente reconhecida como a primeira Rainha reinante em Portugal, isso é questionável, visto que à luz de uma nova perspectiva da história,Teresa de Leão já havia sido reconhecida como tal pelo papa, em 1112. Seu primeiro acto como rainha, iniciando um período que ficou conhecido como a Viradeira, foi a demissão e exílio da corte do marquês de Pombal, a quem nunca perdoara a forma brutal como tratou a família Távora durante o Processo dos Távoras. Rainha amante da paz, dedicada a obras sociais, concedeu asilo a numerosos aristocratas franceses fugidos ao Terror da Revolução Francesa (1789-1799). Era, no entanto, dada a melancolia e fervor religioso de natureza tão impressionável que quando ladrões entraram em uma igreja e espalharam hóstias pelo chão, decretou nove dias de luto, adiou os negócios públicos e acompanhou a pé, com uma vela, a procissão de penitência que percorreu Lisboa.

O seu reinado foi de grande actividade legislativa, comercial e diplomática, na qual se pode destacar o tratado de comércio que assinou com a Prussia em 1789. Desenvolveu a cultura e as ciências, com o envio de missões científicas a Angola, Brasil, Cabo Verde e Moçambique, e a fundação de várias instituições, entre elas a Academia Real das Ciências de Lisboa e a Real Biblioteca Pública da Corte. No âmbito da assistência, fundou a Casa Pia de Lisboa. Fundou ainda a Academia Real de Marinha para formação de oficiais da Armada.

A 5 de janeiro de 1785 promulgou um alvará impondo pesadas restrições[2] à atividade industrial no Brasil. Durante seu reinado ocorreu o processo, condenação e execução do alferes Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes.
Regência do filho[editar | editar código-fonte]

Mentalmente instável, desde 10 de fevereiro de 1792 foi obrigada a aceitar que o filho tomasse conta dos assuntos de Estado. Obcecada com as penas eternas que o pai estaria sofrendo no inferno, por ter permitido a Pombal perseguir os jesuítas, o via como "um monte de carvão calcinado".

Para tratá-la veio de Londres o Dr. Willis, psiquiatra e médico real de Jorge III, enlouquecido em 1788, mas de nada adiantaram seus "remédios evacuantes".

Moeda com as efígies de Maria I e Pedro III

Em 1799, sua instabilidade mental se agravou com os lutos pelo seu marido Pedro III (1786) e seu filho, o príncipe herdeiro José, Duque de Bragança, Príncipe da Beira, Príncipe do Brasil, morto aos 27 anos (1788), a marcha da Revolução Francesa, e execução do Rei Luís XVI de França na guilhotina e o filho e herdeiro João assumiu a regência : João VI de Portugal.
Ida para o Brasil[editar | editar código-fonte]

Retrato da Rainha Dona Maria I com uma Coroa!

A Família Real Portuguesa transfere-se para o Brasil devido ao receio de ser deposta, à semelhança do que ocorrera nos países recentemente invadidos pelas tropas francesas: Napoleão acumula o título de rei de Itália, dando o título de rei de Nápoles ao seu irmão José Bonaparte, a quem posteriormente situou no trono da Espanha; nos Países Baixos a coroa é dada a seu irmão Luís Bonaparte (Luís I da Holanda). Em 1801, o primeiro-ministro de Espanha, Manuel Godoy apoiado por Napoleão invadiu Portugal por breves meses e, no subsequente Tratado de Badajoz, Olivença passou para a coroa de Espanha, mais tarde também ocupada pelos franceses. Portugal continuou a fazer frente à França e, ao recusar-se a cumprir o bloqueio naval às Ilhas Britânicas, foi invadido pela coligação franco-espanhola liderada pelo Marechal Junot. A família real foge para o Brasil a 13 de Novembro de 1807 deixando Portugal a mercê do invasor. Junot invade Lisboa sendo nomeado governador de Portugal. A 1 de Agosto de 1808, o Duque de Wellington desembarcou em Portugal e iniciou-se a Guerra Peninsular. Entre 1809 e 1810, o exército luso-britânico lutou contra as forças invasoras de Napoleão, nomeadamente na batalha do Buçaco. Quando Napoleão foi derrotado em 1815, Maria e a família real encontravam-se ainda no Brasil. Dos membros da realeza, porém, foi a que se manteve mais calma, chegando a declarar: Não corram tanto, vão pensar que estamos a fugir.
Morte[editar | editar código-fonte]

Túmulo de Maria I na Basílica da Estrela, em Lisboa

Incapacitada, Maria viveu no Brasil por oito anos, sempre em estado infeliz. Ela morreu no Convento do Carmo, na cidade do Rio de Janeiro, em 20 de março de 1816, aos 81 anos de idade. Após as cerimônias fúnebres, seu corpo foi sepultado no Convento da Ajuda, também no Rio. Com sua morte, o Príncipe Regente João foi aclamado Rei de Portugal, Brasil e Algarves.

Em 1821, após o retorno da Família Real para Portugal, seus restos mortais foram transladados para Lisboa e sepultado em um mausoléu na Basílica da Estrela, igreja que ela mesma mandou erguer.
Bibliografia[editar | editar código-fonte]

-Defesa Militar, Princípios dos dois irmãos Jorge e Julio Stumpf Vasconcellos Editora Biblioteca do Exército e Marinha do Brasil, 1939.
Títulos, estilos, e honrarias[editar | editar código-fonte]
Estilo real de tratamento de
Maria I de Portugal


Brasão de armas do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves (1815-1822)
Estilo real Sua Majestade Fidelíssima
Tratamento directo Vossa Majestade Fidelíssima
Estilo alternativo Senhora

Ver artigo principal: Lista de títulos e honrarias da Coroa Portuguesa
Títulos e estilos[editar | editar código-fonte]
17 de Dezembro de 1734 – 31 de Julho de 1750: "Sua Alteza Real, a Princesa da Beira, Duquesa de Barcelos"
31 de Julho de 1750 – 24 de Fevereiro de 1777: "Sua Alteza Real, a Princesa do Brasil, Duquesa de Bragança, etc."
24 de Fevereiro de 1777 – 20 de Março de 1816: "Sua Majestade Fidelíssima, a Rainha"

O estilo oficial de D. Maria I, desde a sua Aclamação até 1815 foi: "Pela Graça de Deus, Maria I, Rainha de Portugal e dos Algarves, d'Aquém e d'Além-Mar em África, Senhora da Guiné e da Conquista, Navegação e Comércio da Etiópia, Arábia, Pérsia e Índia, etc." Com a criação do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, em 1815, o seu estilo evoluiu para: "Pela Graça de Deus, Maria I, Rainha do Reino Unido de Portugal, Brasil e dos Algarves, d'Aquém e d'Além-Mar em África, Senhora da Guiné e da Conquista, Navegação e Comércio da Etiópia, Arábia, Pérsia e Índia, etc."
Honrarias[editar | editar código-fonte]

Enquanto monarca de Portugal, D. Maria I foi Grã-Mestre das seguintes Ordens:
Ordem dos Cavaleiros de Nosso Senhor Jesus Cristo
Ordem de São Bento de Avis
Antiga, Nobilíssima e Esclarecida Ordem de Sant'Iago da Espada

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