sexta-feira, 9 de maio de 2014

POEMA: Um Friso de Sono (Obra Regª)













Poema:

UM FRISO DE SONO

Rendo-me ao torpor de um domingo à tarde, na janela a dois passos da rua, que remete para uma infância -já-adulta.

Tem telhas, ainda, essa infância-adulta que a memória cimentou na bruma rente ao chão-de-mim, pejada de grandes extensões e suaves faldas dos seixos, que mergulharam na Noite .

A HORA chegou de manhã.
__________________________um arco-íris, a nordeste, é
_________________________________chuva que bate no vale
____________________________________sem lá ter chegado, ainda .

Observo-me.
Meço-me, projectada para cima da sensação de que me descubro, observadora-observada.

Persigo-me na meditação das telhas da infância-adulta, de onde afloram ondas de lagos. Águas profundas de cada Instante-Momento, que me lava os braços, quando afagam a Alma.

Caminho.

Caminharei, assim, no resto da minha ausência onde se eterniza a infância, hoje adulta.

Flameja o sol. O ar respira-me. A tarde torna-se ficção, no futuro que a história… trará?

Num quadro que desconheço, mal soletro ao tentar adivinhar esse Futuro-Além da melodia… …que …virá?

Abro os sentidos e tento chegar ao centro das íntimas sombras, por onde os pássaros navegam.
No peitoril da janela, o sol endireitou-se quando as águas do rio se foram encostando, umas às outras, para abrigarem as pedras molhadas de frio.

Não me rendo.
Prossigo.
________________________chega-me à alma, a corrente.
__________________________vejo o murmúrio do sonho a ultrapassar
______________________________a linha das estações, na primavera doente
[de quem se rende]

despontam as araucárias_____solta-se o mar-a-rondar______as árvores ganham
[cabelos brancos]

há campos orvalhados do meu ser
__________________________num friso de sono a encobrir ideias .

(Foto Net)

Maria Elisa Rodrigues Ribeiro
ABRIL/014

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