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pegaste-me pela mão. levaste-me para os teus olhos cor de mar verde de esperança. cor de azul em horas de terna bonança. fui contigo a ouvir o som dos passos que davas, na respiração apressada do esplendor dos lábios da noite. atravessei a cor luminosa dos sonhos, encostada aos ventos e marés a exalar odores húmidos do teu ser litoral.
litoral como eu, que estou tão longe do céu do qual se afastam teus olhos num crepúsculo onde a voz se me perdeu.
por entre pedras perdidas, passeia a lua, desfeita em raios quentes de luar que me despem, atrevidos, ao som do teu ciciar.
pegaste-me pela mão na tarde que se fez noite-a-entrar-pela manhã.
minhas mãos acordaram embaraçadas nos lençóis de linho bordado , sozinhas, sem te ouvirem respirar. vazia e vertical esteve a lua a meu lado, melancólica e saudosa do cheiro a pétalas de rosa que deixaste, quando partiste para o mar. mar-litoral, como tu e como eu, longe do céu, num horizonte ateu…
Maria Elisa Rodrigues Ribeiro
Abril-014
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