sábado, 10 de maio de 2014

CRÓNICA DA VERDADE, VISTA POR UM HOMEM CONOTADO COM A DIREITA...

A LER, INDEPENDENTEMENTE DE SE GOSTAR OU NÃO DO JORNALISTA...

OPINIÃO
25 de Maio: o destino do Governo
VASCO PULIDO VALENTE 10/05/2014 - 02:45
1





TÓPICOS
PSD
CDS
Passos Coelho

Faltam quinze dias para as eleições de 25 de Maio e o Governo já inaugurou a campanha eleitoral com um Conselho de Ministros “aberto”, absurdo e congratulatório. Mas não é agora que pode corrigir os erros do passado. O primeiro erro foi a maneira como se apresentou ao país em 2011. Não penso aqui nas promessas que não cumpriu, na catastrófica situação que tranquilamente ignorou e nas muitas mentiras que disse. Penso que, nessas semanas, definiu por uma vez os seus fins e o seu carácter. Apareceu como um Governo de “salvação” e não como um Governo de resistência, indispensável para evitar uma calamidade maior. Isto as pessoas perceberiam, sobretudo se os seus fins tivessem sido definidos e estabelecido um calendário cumprível. As oscilações internas do princípio, a insuportável arrogância dos senhores da economia e das finanças e o silêncio que se fez sobre as responsabilidades de Sócrates deixaram o CDS e o PSD no único papel de espremer os portugueses.

Ainda por cima, as constantes querelas e contradições entre Portas e Passos Coelho, e entre os próprios ministros, criaram um clima de indisciplina, e uma suspeita de hipocrisia (e dolo, insinuam alguns), que não se recomendava a ninguém e que, pouco a pouco, carregaram o Governo com uma triste imagem de incompetência e desorientação, que não passou e não passará tão cedo. A saída da troika não consola ou alivia os portugueses, que assistiram a estes três anos e se sentiram constantemente vítimas da improvisação, do oportunismo e da intriga, mesmo quando reconheciam a necessidade de pôr as contas em ordem (ou, pelo menos, de não continuar a viver da dívida) e estavam dispostos aos inevitáveis sacrifícios dessa brutal empresa.

Mas, para lá destas razões, que chegam e sobram, fica o sacrifício real que o país teve de “aguentar” (uma palavra que antigamente se usava para as cavalgaduras). Desde a maior miséria à pobreza envergonhada da classe média, que persiste em se agarrar a uns restos do seu antigo estatuto, não houve praticamente português que se não sentisse humilhado e vexado. Estas coisas não se esquecem e não se desculpam. As pessoas, por mais que ouçam a retórica optimista do Governo, não irão votar nele. Nenhum argumento as convencerá que Portugal está bem ou está melhor. Doídos e desconfiados, não querem tornar a ver a gente que os levou ao extremo a que chegámos. A libertação para eles não é a falsa abstracção da “saída limpa”. É a “saída” pura e simples do Governo e, se calhar, dos partidos que o sustentaram.

Sem comentários:

Enviar um comentário