terça-feira, 7 de setembro de 2021

POEMA meu

 





PORQUE...

 

 

...esta noite de Agora passa rente a todas as de Outrora

e eu corro por dentro delas sem poder repetir uma que seja...

e porque

todas as Noites são contíguas como se fossem uma apenas,

fechada entre o sol-posto e o alvorecer...

...porque entro nela a ouvir os passos que à minha frente ferem o silêncio

da Lua,

 nas luzes estreladas de entidades cínicas e dementes, que me recuso a ver...

...porque em Jerusalém as oliveiras verdes se cobrem

 de poeiras de sangue de pequenos deuses

 que ousam resistir a DEUS e subsistir através de modernas “intifadas”...

...porque a Índia foi o Outrora de um povo de Ontem e de Agora,

a nascer na alma que,

paulatinamente,

se perdeu em águas-de-sepultar-

-ilusões de famas, vitórias,glórias e odores...

 

(porque eu não tenho nas mãos mais que um papel a cheirar

a água de coco

 na distância entre o que todos disseram

de tudo

o que não pude ouvir)

 

...porque houve predestinadas ilhas encantadas

com pacíficos palmares dos índicos oceanos,

e porque, nos versos de CAMÕES há esboços de caravelas em

cruzamento de híbridas águas

 na ambiguidade dos “porquês” da VIDA.

 

Os tempos deram-me tantos cadernos, folhas e folhas e folhas

onde desenhei

 palavras exóticas de aves orientais com bicos e penas

cor de canela,

                                de jade e jasmim, pedras e corais-aroma-jasmim.

 

 

...porque os espelhos congelados nos tempos nunca dormem-----rica vida----

e escondem as verdades nas mentiras-de-sempre!

 

...porque os Pontos Cardeais me enganaram e querem que vá pelas nuvens,

pelos charcos, pelas estradas dolorosas, onde não sei existir------

esta noite de AGORA passa rente a todas as de OUTRORA.

 

 

 

©Maria Elisa Ribeiro

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FEV/2021

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