domingo, 3 de março de 2019

Amos Oz...

De Amos Oz, extracto de uma entrevista ao Jornal "Expresso", em 2013---In Net
..."Disse ser filho de "refugiados indesejados". Como é que isso o marcou?
Marcou-me profundamente. Sou filho de europeus que foram violentamente rejeitados pela Europa. Hoje, isso não é uma questão, todos podem ser europeus. Mas há 80 ou 90 anos, os únicos verdadeiros europeus eram os judeus laicos, como os meus pais e avós. Eles não eram patriotas russos, polacos, ucranianos ou lituanos - eram europeus. Sabiam línguas - o meu pai lia em 17 línguas e falava 11; a minha mãe dominava seis -, conheciam as tradições culturais e admiravam a herança da Europa, as artes, a música, as paisagens. E foram chutados. Teriam ficado se os tivessem deixado, mas o antissemitismo tornou-se fisicamente violento. Se não fugissem nos anos 30 seriam assassinados nos anos 40. Então vieram para Jerusalém, onde tentaram criar um pequeno enclave europeu, com bibliotecas, concertos, cafés... Eu era um miúdo, e eles costumavam dizer: "Um dia, Jerusalém vai ser uma cidade a sério." E para mim esta era a única cidade a sério! Telavive era uma fantasia exótica. Hoje, sei que quando eles diziam isso evocavam uma cidade atravessada por um rio e pontes entre as margens. Isto chama-se amor frustrado, não retribuído."....

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