POEMA:
NÃO OUVIRÁS
Em meus poemas falo de mim
Para poder também falar de Outros
E poder contar o que a terra me vai mostrando
Das inverdades e insanidade do mundo.
Encontro poemas, no regresso à velha casa da infância
Quando, pelos corredores, se cruzam tantos dos versos
Que me ofereci, e que, inexoravelmente, se acomodaram
Pelas escadas, pelos quartos, pelas paredes junto da jarra
de flores
Que descansa, empoeirada e sem água, na mesa de todos os
velhos serões.
Não os ouviste, então…Não os ouvirás, agora.
Não ouvirás meus lamentos…não ouvirás!
Não sentirás minha pele na ponta dos teus dedos…não, não
sentirás!
Não ouvirás, nem mesmo, minhas palavras…não!
Elas descansam naquele poema que não lerás, não!
Não sentirás o cheiro do café da manhã, arábico, forte
De cheiro a romã…
E também não sentirás o perfume antigo das flores da jarra
Que, pelo raiar da aurora, embelezei com a beleza dos raios
de sol a nascer…
Apesar de tudo, deixa-me dizer-te como te quero…
Uma vez mais…
Só mais uma vez…
Só-SEMPRE…
Até o mundo acabar e os anjos pousarem as harpas
Para nos verem sonhar…Só-mais-uma-vez…
Maria Elisa Ribeiro
Junho-018


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