POEMA
Se por acaso me não encontrares, procura-me noutros
lugares onde, algures-não sei bem onde-
espero parar o tempo,
para não sentir que
te atrasas
sem viveres os nossos
momentos…
Lá estarei à tua espera…talvez ao pé do Tempo…apoiada na
bela janela
donde tudo vemos, quando temos TEMPO-PARA-O-TEMPO.
Se por acaso não me encontrares,
pode ser que eu esteja perto de aspirações utópicas,
quase oníricas, onde vou traçando o desenho-de-ti,
com permissão do vento a amainar o decair desta procura
insana.
À meia noite da Vida, nas traseiras de um quintal,
entre pinheiros e estrelas brilhantes,
os lilases perfumados, multicoloridos, mandar-te-ão o meu
sinal.
À procura do meu Tempo perdido, os meus olhos pensam,
calmamente,
no espaço adormecido entre os nossos olhares.
Procuro despir-me de tudo o que aprendi,
Vou raspando as tintas com que as eras me pintaram
nos arredores do pensamento, onde tudo já amareleceu…
O ar que a Terra respira, levanta-se, em forma de nevoeiro,
pelos pântanos, pelos vales húmidos e pelas colinas
encrespadas,
onde se estende às minhas manhãs de frio,
que vão
passando pelas
estações,
pelos Invernos e Verões,
sem que eu tenha podido parar o Tempo-matreiro
que, de nós foi escapando…
Maria Elisa Ribeiro
JAN/018

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