terça-feira, 8 de maio de 2018






Poema :

“NO MEIO DE TANTA LUZ...QUANTA TREVA"

Cresce inesgotável, a Palavra,
nos dias em que há gente que morre,
gente que vive,
gente que cruza vielas no afã
da sua verdade…

(…mesmo que, inexoráveis, caiam mísseis e galguem tanques
onde a terra quer SER, ainda que aos arranques...)

e partem, uns com os outros, dentro de outros-todos...

e a Poesia passeia de braço dado com flores…

umas altaneiras, outras murchas,
espezinhadas, chorosas

e desanimadas--------------------------------------------------------

* no meio de muita luz…quanta treva!*

Minhas mãos,
cujos dedos procuram atravessar
o papel da fronteira da escrita,
meditam…

É “aquela coisa” a que se chama Poesia
que lhes confere o passaporte para o Oriente nu
de todos os pontos da terra… É esta permanente agonia-------

nuvens negras, Síria, Iraque, secaram rios de amor e fraternidade----------------------
árvores- pessoas murcharam, morreram, onde a terra não floresce---------------------

as palavras receosas encolhem-se e choram
sob ruínas de sangue---------------------------------------------------------------------------------

Mundo-muralha-do-sorriso!

É impossível escrever o poema--------- o poema--------- o poema desaparecido da vida---------------

Tantas flores envenenadas
deixam o poeta enganado, violado, desesperado
no papel que lhe coube- SER--------------------------
------------------quando não soube escrever o “ponto final”do adormecer-------------------------!

Maria Elisa Ribeiro

FEV/014

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