Poema :
“NO MEIO DE TANTA LUZ...QUANTA TREVA"
Cresce inesgotável, a Palavra,
nos dias em que há gente que morre,
gente que vive,
gente que cruza vielas no afã
da sua verdade…
(…mesmo que, inexoráveis, caiam mísseis e galguem tanques
onde a terra quer SER, ainda que aos arranques...)
e partem, uns com os outros, dentro de outros-todos...
e a Poesia passeia de braço dado com flores…
umas altaneiras, outras murchas,
espezinhadas, chorosas
e desanimadas---------------
* no meio de muita luz…quanta treva!*
Minhas mãos,
cujos dedos procuram atravessar
o papel da fronteira da escrita,
meditam…
É “aquela coisa” a que se chama Poesia
que lhes confere o passaporte para o Oriente nu
de todos os pontos da terra… É esta permanente agonia-------
nuvens negras, Síria, Iraque, secaram rios de amor e fraternidade--------------
árvores- pessoas murcharam, morreram, onde a terra não floresce------------------
as palavras receosas encolhem-se e choram
sob ruínas de sangue--------------------
Mundo-muralha-do-sorriso!
É impossível escrever o poema--------- o poema--------- o poema desaparecido da vida---------------
Tantas flores envenenadas
deixam o poeta enganado, violado, desesperado
no papel que lhe coube- SER-----------------------
------------------quando não soube escrever o “ponto final”do adormecer-----------------
Maria Elisa Ribeiro
FEV/014

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