quinta-feira, 10 de maio de 2018

DA INFOPÉDIA...

Maio de 68

"crise" de maio de 1968 começou por ser uma contestação estudantilfrancesa que teve réplicas nos demais países desenvolvidos, desde os EUAao Japão. Existia todo um mal-estar profundo no seio dos estudantes,iniciado  em março com algumas agitações. O detonador da criseapareceu em Nanterre, nos arredores da capital francesa,tradicionalmente apelidada de feudo "esquerdista". Assim, depois derepetidos incidentes, entre os quais a ocupação pelos estudantes, a Faculdade de Nanterre foi fechada a 2 de maio. Grupos de esquerda,revoltados "contra a sociedade de consumo", o ensino tradicional e a insuficiência de saídas profissionais, decidem opor-se pela "contestaçãopermanente". Inicia-se logo  o movimento dirigido por Daniel Cohn-Bendit. Os estudantes ocupam, depois, a Universidade da Sorbonne - encerrada pelas autoridades a 3 de maio -, sofrendo uma dura intervençãopolicial. Geram-se tumultos e focos de tensão, com as primeiras barricadasnas ruas - nomeadamente no Quartier Latin (confrontos de que resultam805 feridos, entre os quais 345 polícias) -, entrando-se num ciclo deprovocação e repressão. A 9 de maio, contra esta tendência, dá-se, noBoulevard St. Michel, uma manifestação pacífica. No dia seguinte, regressaviolência, com a famosa "noite das barricadas", carros em chamas,agitação na Sorbonne. Segue-se uma gigantesca manifestação estudantilem Paris, a 13 de maio, com cerca de 600 000 estudantes. 
conflito alarga-se, porém, ao setor social, com manifestações sindicaisnesse mesmo dia, acompanhadas de greves que paralisaram mais de 10milhões de trabalhadores em França. Apesar do envolvimento da classeoperária, o Partido Comunista Francês e a CGT ( Confederação Geral doTrabalho adotam uma posição calculista, classificando as revoltasestudantis e a greve geral como "aventurismo" e concentrando-se apenasem reivindicações profissionais e laborais, em contraponto às exigênciasde reformas estruturais dos estudantes (maoistas, anarquistas,trotskistas...). Entretanto, o primeiro-ministro Georges Pompidou reabre a Sorbonne a 14 de maio, dizendo que era "proibido proibir". A Renaultentra também em greve. Esta pressão laboral conduzirá aos acordos deGrenelle, a 25-27 de maio, nos quais a classe patronal garantirá umaumento de 10% dos salários e de 35% do salário mínimo. Os sindicatosaceitam, mas as suas bases operárias mantêm a greve. Apesar desteprimeiro passo para a paz social, o presidente Charles de Gaulle considerasituação incontrolável, propondo um referendo. Não é, porém, escutadoao mesmo tempo dão-se distúrbios nas ruas. A crise torna-se cada vezmais política, inquietando-se os ministros com a possibilidade de rutura e queda do Governo, perante rumores da formação de um Executivoprovisório, de crise. Em 24 de maio, de Gaulle dissolvia a Assembleia. 
violência nas ruas começa, entretanto, a irritar a França "profunda", maisconservadora. Teme-se o peso crescente do Partido Comunista, acusadode instigador, apesar da demarcação política desenhada logo no começodos distúrbios. Crê-se mesmo numa revolução nacional. Entretanto,ninguém sabe de de Gaulle, acreditando mesmo Pompidou que o regimeestava a chegar ao fim. Porém, numa alocução ao país via rádio a 30 demaio - como nos tempos da guerra, encorajando os compatriotas -, o deGaulle apela à ordem e anuncia eleições legislativas para junho. No mesmodia, junto ao Arco do Triunfo, os gaullistas organizam uma manifestação deapoio ao regime. A propósito do comunicado de de Gaulle à nação, dizJean Lacoutoure: "Antes das 16h 30, estava-se em Cuba; depois das 16h 35estava-se quase na Restauração". Depois de uma situação que tendia paraanarquia e para uma via socialista, consegue-se recuperar o caminho dademocracia e evitar uma agudização dos factos. Apesar dos protestos daesquerda e de alguma violência, a França votará. A 16 de junho, durante osdistúrbios no Quartier Latin, morre Gilles Tautin, de 17 anos. É o fim dacrise estudantil: a situação política, essa, continuará agitada.

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