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quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Memórias literárias---ARY DOS SANTOS


LITERATURA SEMPRE VIVA…
“E quem aprende a viver com os outros, aprende a viver bem consigo próprio”
OU… “ESTUDAR É MUITO-MAS PENSAR É TUDO!”(do poema “APRENDER A ESTUDAR” , de JOSÉ CARLOS ARY DOS SANTOS.

Nascido em 1937, faleceu em1984. Morreu, portanto, há 25 anos, o poeta das grandes contestações. Filho de famílias da alta burguesia nacional, deu a primeira “machadada” nas origens, ao filiar-se, muito cedo, no Partido Comunista Português.
Grande vulto de ABRIL! Enorme, de todos os tempos! Solene, no rir das críticas, tão a seu jeito, saídas da sua pena, em forma de poesia! Atacava sem meias palavras, orgulhosa e corajosamente, os ditadores, os “anómalos” das sociedades, os que do Povo se serviam (e continuam a servir!) para engrandecerem a sua falta de grandiosidade pessoal! Não media as palavras, chamando os “bois pelos seus nomes”. No seu estilo mais do que especial, levou “ABRIL”aos mais recônditos valados de um país atrasado por cinquenta anos de “paragem no tempo”. Em 1963 foi publicada a sua obra “A LITURGIA DO SANGUE”. Foram alguns e significativos os prémios que recebeu pela obra publicada; tinha dois livros preparados para dar “ao prelo”, quando a morte o levou, em 1984.Conhecido como o poeta que escrevia poemas para músicas previamente feitas, dele são, nomeadamente, os poemas “DESFOLHADA” e “TOURADA”, cantadas, respectivamente, por Simone de Oliveira e Fernando Tordo, que as deram a conhecer ao mundo, através do Festival Eurovisão da Canção.
Poesia de contestação, ia, aos poucos chegando aos cantos mais afastados do nosso país, que a ia intuindo...O povo começava a perder o medo de falar da miséria e das injustiças. Era desse povo que ele falava em tons realistas, por vezes, brutais. Era o povo que criava coelhos, galinhas e porcos, que semeava e plantava legumes, batatas, feijões, num recanto do quintal, produtos que ajudavam à subsistência das famílias, ajudando o magro salário da exploração.
Anos volvidos, seria tão bom que aqui estivesses, Ary, para pores, na ponta da tua caneta, como só tu sabes fazer, estejas onde estiveres, a verdade sobre este país de “filhos e enteados”,onde tantos continuam a “abotoar-se”, impunemente, à custa do suor e das lágrimas de milhares de desempregados e de milhões de pobres que não conseguem, nesta Europa moderna, passar “da cepa torta”, pois que, os de “olho fino e pé ligeiro”, levam TUDO!
Continua a sentir-se, entre nós, ARY, aquilo que dizia o velho ZECA: “ELES COMEM TUDO,/ ELES COMEM TUDO,/ ELES COMEM TUDO, / E NÃO DEIXAM NADA…”


BRINDO OS AMIGOS DA BLOGOSFERA COM O SEGUINTE SONETO DE ARY DOS SANTOS, independentemente de ser ou não um poeta do vosso apreço, só por um motivo: este é o primeiro texto que estou a escrever , depois do problema que me afectou, que eu escrevi já com mais facilidade,o que quer dizer que vou poder começar a visitar-vos, apesar de continuar com as sessões de Fisioterapia!


“AO MEU FALECIDO IRMÃO MANUEL MARIA BARBOSA DU BOCAGE”



“Meu sacana de versos!Meu vadio.
Fazes falta ao Rossio. Falta ao Nicola.
LISBOA é uma sarjeta. É um vazio.
E é raro o poeta que entre nós faz escola.

Mastigam ruminando o desafio.
São uns medrosos que nos pedem esmola.
Aos vinte anos cheiram a bafio
têm joanetes culturais na tola.

Que diria Camões nosso padrinho
ou o primo Fernando que acarinho
como Pessoa viva à cabeceira?

O que me vale é que não estou sozinho
ainda se encontram alguns pés de linho
crescendo não sei como na estrumeira!”
ARY DOS SANTOS