terça-feira, 10 de setembro de 2019

POEMA REGºººº!

POEMA:
A INFÂNCIA NOSSA
Quando o mar era tão jovem como nós
havia sol brilhante e quente no céu…
tão brilhante e tão quente como o riso nosso, meu e teu!
E podia ver-se o amor na juventude das ondas
de calor, que as gaivotas iam despindo, com fragor.
Dos pinhais onde eu era jovem,
___________________soltava-se o alegre cheiro da resina
_________________________que se estendia pelos cais,
_____________________________ a exultar…
As ondas cantavam, em surdina, as notas musicais
dos sentimentais búzios,
que se arrastavam, até nós, para cheirar os pinheirais,
tal fossem navegadores a chorar os nossos ais…
E eu amanhecia…
Amanhecia no desespero
_______________ que oprimia o coração da infância,
_______que corria para beber a água do Sonho-de-um-Outro-dia.
Amanhecia…
________________para apanhar as estrelas que se desprendiam
__________________________de um cordel da minha mão,
____________________________que passava pelas searas onduladas
_________________________________das planícies paradas, onde as sementes seriam grão.
Quando o mar FOI tão jovem como NÓS
mergulhámos nas suas águas brilhantes…
e, calmamente,
caminhámos sobre areias jovens, vibrantes,
onde, serenamente, sorvemos a força toda do mundo.
Sentia-me um grito da Natureza-Mãe…
E era um sonho do mundo-Todo, também…
Choveu tristeza no frio telhado…
___________________…essa infância já passada,
_________________que andava perdida pelas ruas,
____________longe dos beirais-ninhos-de-andorinhas,
________que ali se deitavam nas horas de amor.
Meu corpo é uma prisão de saudades!
Nas horas-a-fio, sou uma espécie de rio
__________qu’inda não sabe como deslizar
________ para chegar ao lume do teu olhar.
Amanhecerei…
_________…talvez nas medas de trigo, ao colo do sol de um poema
_______em que voltarei a cantar as lágrimas das rosas rubras
____que não sei acomodar nas gotas de um novo orvalho…
Maria Elisa Ribeiro
MRÇ/015

Sem comentários:

Enviar um comentário