terça-feira, 9 de abril de 2019






POEMA-PELE

Que o poema nasça da sonoridade celestial-
-a-vir-nas-dobras-do-lençol-da-noite…

Que o poema seja pele a cobrir a verdade do ser
onde a sede da vida chega de uma boca húmida
molhada em águas de mel…

Que seja essa  a pele que sente o vento,
sempre atento às dobras de papel que afagam as flores
nos seus risos e nas suas dores…
pele de rugas macias dos braços onde repousam
alegrias, afectos e afagos do nascer da Aurora-Senhora-Sol!

Que o poema seja esta pele que nasce
Num prado de profusos miosótis brancos, azuis, vermelhos-papoila,
De raízes enterradas nas frestas de terra de uma seara loira…


Que o poema nasça de madrugada
Quando eu, já acordada,
Abrir a janela que permite a entrada do sopro-vida
Dos pássaros, a caminhar nas costas das nuvens
Em direcção às amoras rubras de toda a loucura…


Maria Elisa Ribeiro

MRÇ/019

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