quinta-feira, 5 de julho de 2018

POEMA REGººººººººººººº












VERSOS…NATURALMENTE! 



Versos de Eugénio, naturalmente, onde sem
a claridade diurna dos pássaros cheios de vida,
o poema não vive, porque não voa.

Versos de Sophia, naturalmente, onde sem
os sons da antiguidade, o poema não cresce
em Liberdade, Justiça e Verdade.

Versos de Pessoa, não tão naturalmente…
porque a realidade da verdade só se vê no reverso do verso,
permanentemente.

O sol sorri na praia e eu apanho-o com as mãos.

Na palma das mãos a memória tem a memória curta,
naturalmente,
porque as mãos se abrem e fecham para deixarem passar
os golpes das tempestades, que não têm memória nenhuma…
conhecem somente o que vêem em despudoradas ondas de espuma,
que batem, furiosamente, contra as falésias cobrindo-as de obscura bruma.

O sol sorri na praia e eu apanho-o com as mãos.

Mas onde vou pôr o poema,
que se liberta com os ares da tempestade,
sem ter memória nenhuma?

O poema está guardado num refúgio,
deitado numa folha de papel
e ao meio dia do sol espreita da toca labiríntica
e aparece cheio de vida, com sabor a mel e a fel.

Versos de Camões, naturalmente,
 cantam o sol dos dias e as luas da noite,
 com os olhos a saber a sal vindo das ondas bojudas,
que cascateiam as águas rendadas dos rugidos oceânicos.



Maria Elisa Ribeiro- Maio-2015

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