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à janela, o vento frio desfaz o fumo
do cigarro, entre os dedos que tremem
no vazio…
não sabemos de Nós…nem dos Outros, afinal,
perdidos pelas vielas de cimento das cidades,
chorosas e atormentadas.
sabemos dos fumos dos cigarros,
sabemos das chaminés dos navios a zarpar,
nos crepúsculos perdidos no Tempo-do-tempo
de navegar e de atracar a ilhas desconhecidas.
há corpos enigmáticos encostados às paredes desse tempo,
que fazia chorar guitarras, num eterno lamento.
os vidros das janelas das tavernas, apagados e tristes,
são os espelhos baços onde se miram todos
os que, de qualquer modo, resistem.
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passa a noite
e, daqui a nada,
nós acordamos do sonho
ao som da nova alvorada.
Maria Elisa Ribeiro
Abril/013


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