
PALAVRAS FOSFOREJANTES
…são tantas as palavras interditas, proibidas, excessivas
que vivem no âmago dos silêncios…
…são também muitas, aquelas que os nossos olhos destroem…
…são tão proibidas, que abalam o silêncio dos poetas,
que optam por registá-las em cadernos meio-vivos, meio-mortos,
deixando-as perdidas pelas geografias dos limites da humanidade.
Essas geografias, o poeta conhece-as bem, e não tardará em encontrá-las
à sombra dos castanheiros, dos carvalhos ou dos pinheiros, se for preciso
correr os mundos a procurá-las…
…nessas palavras vivem ou vegetam todas as paixões que o poeta
experimenta, no mundo, nas geografias de todas as orografias
que vão até ao firmamento…
Mas são palavras fosforescentes no pensamento poético!
…cheio de dúvidas, sem sentir que o luar o cobre de luz prateada,
e sem ver que as estrelas estendem sua manta de pó dourado,
escreve nas páginas fosforescentes da alquimia milenar.
Deixam de ser proibidas as palavras que passam a viver
sob os olhos daqueles que procuram a luz…
…eu persigo as minhas palavras nas asas dos voos errantes,
nas pétalas das flores esvoaçantes, nas ondas dos oceanos errantes.
Maria Elisa Ribeiro
AGT-2017
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