sexta-feira, 28 de agosto de 2020

POEMA








 POEMA


BALLET…

Meu tempo são as palavras com que fui-vivendo
os tempos-doutro-tempo, dançando em bicos-de-pés
no sopro musical do vento.
Nelas, perdura a infância…sonhos, angústias e alegrias
desse bailado dos tempos…
Outrora, passavam lentos, e eu podia ver primaveras a florir
e outonos a brincar “ao despir-das-árvores”…
Dava, até, para subir as encostas das montanhas
e apanhar loiros pinhões, ao lado de gordas castanhas.

(O tempo dava para tudo.)

Com ele, apanhava amoras escondidas nos silvados, e via ninhos tecidos
de doce baba bordados.
_________________Tudo cabia nas palavras, que a boca soprava aos dedos,
_________________que deslizavam pelo branco de uma folha irreal
_________________tal bailarina a rodopiar em frágil palco de papel.
Meus dedos colhiam flores, feno, trigo e papoulas rubras
no meio de extensas searas ondulantes,
e eu aglomerava essas riquezas em sílabas
que se tornavam versos,
a bailarem em instantes da escrita.
________________e as palavras tornam-se o ballet que danço
_______________ em linhas do meu palco-escrivaninha,
_______________ sem outras máscaras, que não as da música dos lexemas
_______________a formarem verdades minhas.

Maria Elisa Ribeiro/2014

quinta-feira, 27 de agosto de 2020

 Feliz bom-dia, amigos!


segunda-feira, 24 de agosto de 2020

domingo, 23 de agosto de 2020

sábado, 22 de agosto de 2020

POEMA:


 Poema:


INSÓNIA

Novamente apago a lâmpada meio adormecida,
da qual tenho procurado agarrar os fios do sono.

No escuro, tacteio a noite, cansada, a ver se lhe
apanho os fios de cabelo do sono reparador.

As palavras, ainda ávidas de meus dedos, não descansam,
igualmente.

Chamo-as pelo nome, acalmo-as na débil luz que brilha
pela janela
e chamo-as pelo nome,
para que não
me abandonem, quando fizer o meu poema.

Sinto-lhes o corpo esguio sussurrando no escuro,
como folhas lanceoladas prontas a ferir-me os dedos
aos quais dão vida,
quando escrevo.

Sinto-me amarga, enquanto me não respondem…
Mas é escuro…não tarda estamos a dormir…

Depois de o sol acordar,
repousadas, menos tensas,
iremos pelo campo dar o bom-dia ao mundo e
ver a vida a reaparecer…

e sei que elas virão,

todas a monte
para eu as usar!

Maria Elisa Ribeiro
AGT/017

 Bom Domingo,meus amigos!

segunda-feira, 17 de agosto de 2020

Poema meu!








POEMA:

MEDITAÇÃO À SOMBRA DO VELHO MAR

À sombra, porque a sombra não tem cor…

Por vezes passo horas a meditar à sombra
desse mar-velho, resignado, absoluto.

E doem-me sempre
as cores das coisas que não consigo entender.

Olhei para a espuma antiga das ondas sempre-a-rolar…
mas não consigo entender se aquela sombra onírica
é branca, acinzentada, ou mesmo se a água do velho elemento
é azul ou esverdeada.

Nada é tão verdadeiramente distinto
como o “ramalhete rubro
das papoilas” vermelhas do pic-nic de Cesário…

E será que algumas rosas brancas, quando largam gotas de orvalho,
choram por não serem amarelas, ao nascerem no velho atalho?

Poderei eu pintar o meu poema de meditar
à sombra do velho mar,
com matizes coloridos, a brilhar?

Todas as manhãs começo o meu-dia-a-SER!
Hoje Sou, à sombra do mar que vem pelo areal
e foge a esconder-se na crista das ondas,
um poema-construir,
onde enganarei a sombra das memórias das gaivotas
que o foram tentando desvendar.

Enquanto SOU, sinto-me absoluta!
Porque o absoluto-sem-MIM-não-é-VIDA-nem-ETERNIDADE!
E porque o meu Absoluto não-é-teu, mar sombrio,
mas sim de um INFINITO que não consegues suplantar,
mesmo que te desfaças a fazer caretas contra as falésias
que queres dominar…

Maria Elisa Ribeiro
JLH/018 

Boa noite, meus amigos!

 

Boa noite, amigos!






 Poema da série "GOTAS POÉTICAS"




GOTAS POÉTICAS
Que nítida raiava a tua face, quando
minha voz sussurrava ao teu ouvido!
Era, decerto, um sol indefinido
que de muitos sonhos me acordava.
As brisas murmuravam sob o céu,
as flores estendiam seus aromas
e sob os raios de sol, tua face
era mais quente que qualquer outra chama.
A abelha, com artes divinas,
fazia do suco das flores a cera e o mel.
Eu, com teus lábios,
ia registando triunfos, em tiras de papel.
O sol trouxe recados
de calor e esperança,
de ansiedade e vida
que, brilhantes, raiarão
na nossa face,
quando essa voz murmurar
aos nossos sentidos.
Maria Elisa Ribeiro
SET/015-Foto Google

domingo, 16 de agosto de 2020

DE UM SOPRO…




DE UM SOPRO…
…um poema enfrenta o mundo carcomido de tédio.
…nele, sinto a memória engalanar-se na recordação
da música do sol de Capri,
onde areias ondulantes das brisas de mar
temperam os sorrisos das humanas incertezas …
De um sopro,
… voam gaivotas a romper as nuvens brancas da ilha azul
de mar temperado pelo sopro dos deuses,
enquanto o poema sorri do tormento do vento
que não vence a luz do sol,
e ouve a música-natura do meu claro-escuro-sopro-poético,
em frenética ânsia de sonho…
De um sopro,
… o pôr do sol deita-se a meu lado
impelido pela força do rebentar da noite…
...respiro a aragem envelhecida do dicionário
que expele lexemas dourados
a suspirar liberdade…
…e meus dedos acariciam sua pele macia de poema que anseia ultrapassar
promontórios fragmentados de sonhos-a-pretender-viver.
De um sopro, enfim,
cai a noite…tiro a máscara da dúvida…
e oiço a música do mar revolto a cantar pigmentos de sereias
a-passear-no-dorso-do-meu-poema.
Maria Elisa Ribeiro
NOV/13


sábado, 15 de agosto de 2020

sexta-feira, 14 de agosto de 2020

Boa tarde, meus amigos!

 De Rudyard Kipling, in O Citador, Net:

És Um HOMEM, Se...
Se és capaz de conservar o teu bom senso e a calma,
Quando os outros os perdem, e te acusam disso,
Se és capaz de confiar em ti, quando te ti duvidam
E, no entanto, perdoares que duvidem,
Se és capaz de esperar, sem perderes a esperança
E não caluniares os que te caluniam,
Se és capaz de sonhar, sem que o sonho te domine,
E pensar, sem reduzir o pensamento a vício,
Se és capaz de enfrentar o Triunfo e o Desastre,
Sem fazer distinção entre estes dois impostores,
Se és capaz de ouvir a verdade que disseste,
Transformada por canalhas em armadilhas aos tolos,
Se és capaz de ver destruído o ideal da vida inteira
E construí-lo outra vez com ferramentas gastas,
Se és capaz de arriscar todos os teus haveres
Num lance corajoso, alheio ao resultado,
E perder e começar de novo o teu caminho,
Sem que ouça um suspiro quem seguir ao teu lado,
Se és capaz de forçar os teus músculos e nervos
E fazê-los servir se já quase não servem,
Sustentando-te a ti, quando nada em ti resta,
A não ser a vontade que diz: Enfrenta!
Se és capaz de falar ao povo e ficar digno
Ou de passear com reis conservando-te o mesmo,
Se não pode abalar-te amigo ou inimigo
E não sofrem decepção os que contam contigo,
Se podes preencher todo minuto que passa
Com sessenta segundos de tarefa acertada,
Se assim fores, meu filho, a Terra será tua,
Será teu tudo que nela existe
E não receies que te o tomem,
Mas (ainda melhor que tudo isto)
Se assim fores, serás um HOMEM.
Rudyard Kipling
Nenhuma descrição de foto disponível.
Susana Duarte, 

quinta-feira, 13 de agosto de 2020

Boa tarde, meus amigos!

 





O MUNDO RESPIRA

Chega com o amanhecer
o anónimo e invisível respirar brilhante do mundo.
Chegam as aves, as flores abertas, chega a vida
que faz a Vida com que se respira, até ao ar do crepúsculo…
…se o Futuro o quiser…
Levantam-se os trevos de quatro folhas…vivos, fortes,
orvalhados, prontos a embelezar as pedras empoeiradas
dos caminhos onde, até a caruma humedecida de orvalho
faz lembrar o cheiro a ouro, que os montes de trigo deixam no ar.
Parecem saltar os grãos já crescidos, com o conúbio das noites.
A luz do novo dia espalhou-se. Cheira a terra molhada.
Abro a janela, apanho a brisa na face e o vento nos cabelos.
Estendo o corpo a saudar o mundo de girassóis,
abertos até ao céu e carregados de insectos famintos de sede ...
O canto das milhentas cigarras cantoras, lembra-me, de repente,
sinfonias de grandes compositores.
Entretanto, preparei o café da manhã, para beber naquela nossa mesa
tão grande, tão só como eu a cantarolar a tristeza escondida…
Maria Elisa Ribeiro
AGT/017-----Foto do Google

segunda-feira, 10 de agosto de 2020

Boa noite

BREVES
Sinto que demos o nosso último abraço…
Vais partir e deixarás para trás espaços vazios
que adivinhavam a tua ausência, ao verem que
há tempo os percorrias sem alma, sem aquela alegria
que me animava a alma…
Sei que colarei meus lábios à parede onde
tantas vezes me encostaste, para me fazeres sentir
que já estavas comigo…
Eternamente, terei nos lábios o sabor do beijo
que ,hoje, nos não daremos…
Depois, limparei vestígios de ti,
fecharei janelas e portas,
apagarei a luz da entrada que já não serve para nada,
e sairei também…
Irei para onde possa recordar que, no fim de contas,
tive da vida muito mais do que jamais esperei…
Maria Elisa Ribeiro
JULH/018
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Susana Duarte, Rosa Fernandes e 14 outras pessoas
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