quinta-feira, 8 de junho de 2017

Um texto satírico de Eça de Queirós



De Eça de Queiroz (1845-1900), in O Citador

"Uma Nação só Vive porque Pensa

Uma nação só vive porque pensa. Cogitat ergo est. A força e a riqueza não bastam para provar que uma nação vive duma vida que mereça ser glorificada na História - como rijos músculos num corpo e ouro farto numa bolsa não bastam para que um homem honre em si a Humanidade. Um reino de África, com guerreiros incontáveis nas suas aringas e incontáveis diamantes nas suas colinas, será sempre uma terra bravia e morta, que, para lucro da Civilização, os civilizados pisam e retalham tão desassombradamente como se sangra e se corta a rês bruta para nutrir o animal pensante. E por outro lado se o Egipto ou Tunis formassem resplandescentes centros de ciências, de literaturas e de artes, e, através de uma serena legião de homens geniais, incessantemente educassem o mundo - nenhuma nação mesmo nesta idade do ferro e de força, ousaria ocupar como um campo maninho e sem dono esses solos augustos donde se elevasse, para tornar as almas melhores, o enxame sublime das ideias e das formas.
Só na verdade o pensamento e a sua criação suprema, a ciência, a literatura, as artes, dão grandeza aos Povos, atraem para eles universal reverência e carinho, e, formando dentro deles o tesouro de verdades e de belezas que o Mundo precisa, os tornam perante o Mundo sacrossantos. Que diferença há, realmente, entre Paris e Chicago? São duas palpitantes e produtivas cidades - onde os palácios, as instituições, os parques, as riquezas, se equivalem soberbamente. Porque forma pois Paris um foco crepitante de Civilização que irresistivelmente fascina a Humanidade - e porque tem Chicago apenas sobre a terra o valor de um rude e formidável celeiro onde se procura a farinha e o grão?
Porque Paris, além dos palácios, das instituições e das riquezas de que Chicago também justamente se gloria, possui a mais um grupo especial de homens -Renan, Pasteur, Taine, Berthelot, Coppée, Bonnat, Falguières, Gounot, Massenet - que pela incessante produção do seu cérebro convertem a banal cidade que habitam num centro de soberano ensino. Se as Origens do Cristianismo, o Fausto, as telas de Bonnat, os mármores de Falguières, nos viessem de além dos mares, da nova e monumental Chicago - para Chicago, e não para Paris, se voltariam, como as plantas para o Sol, os espíritos e os corações da Terra.
Se uma nação, portanto, só tem a superioridade porque tem pensamento, todo aquele que venha revelar na nossa pátria um novo homem de original pensar concorre patrioticamente para lhe aumentar a única grandeza que a tornará respeitada, a única beleza que a tornará amada; - e é como quem aos seus templos juntasse mais um sacrário ou sobre as suas muralhas erguesse mais um castelo. "...


Eça de Queirós, in 'A Correspondência de Fradique Mendes'

Bom dia, meus amigos!


quarta-feira, 7 de junho de 2017

Boa noite, meus amigos!


Rio Vouga e Pateira de Fermentelos-PORTUGAL

Palavras do nosso Camilo Castelo Branco



De Camilo Castelo Branco, in O Citador:

A Seriedade é uma Doença
A seriedade é uma doença, e o mais sério dos animais é o burro. Ninguém lhe tira, nem com afagos nem com a chibata aquele semblante cabido de mágoas recônditas que o ralam no seu peito. Há nele a linha, o perfil do sábio refugado no concurso ao magistério, do candidato à camara baixa bigodeado pela perfídia de eleitores que, saturados de genebra e Carta constitucional, desde a taberna até à urna, fermentaram a crisálida de consciências novas. O burro é assim triste por fora; mas é feliz por dentro, e riria dos seus homónimos, se pudesse igualá-os na faculdade de rir, que é exclusiva do homem e da hiena, a qual ri com umas exultações ferozes tão autênticas como as lágrimas insidiosas do crocodilo.


Camilo Castelo Branco, in 'Cancioneiro Alegre (1879)'

DESPORTO: a eterna guerra...

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Coimbra com mais coesão e menos competitividade
por Notícias de Coimbra
Junho 7, 2017


Cinco das 25 sub-regiões do país, lideradas pela Área Metropolitana de Lisboa, superam a média nacional no Índice Sintético de Desenvolvimento Regional 2015 (ISDR), que avalia a competitividade, coesão e qualidade ambiental de cada zona, foi hoje divulgado.



Segundo os dados divulgados hoje pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), comparativamente a anos anteriores, a Região de Leiria (100,27) é a novidade nesta lista, que é liderada pela Área Metropolitana de Lisboa (AML), com 106,40, seguida da Área Metropolitana do Porto (AMP) com 101,63, do Alto Minho (101,01) e da região de Aveiro (100,73).

Comparativamente aos dados do ISDR referentes a 2014, regista-se uma descida deste indicador em quatro das regiões que superam a média nacional, com a AML a descer de 106,83 para 106,40, a AMP de 102,01 para 101,63, o Alto Minho de 101,78 para 101,01 e a região de Aveiro de 100,74 para 100,73.

Já a região de Leiria, que em 2014 teve um desempenho de 99,87, subiu este ano para 100, 27, colocando-se no lote das sub-regiões que superam a média nacional.

Por seu turno, as sub-regiões portuguesas com pior desempenho são o Alto Tâmega (89,33) e a Região Autónoma dos Açores (89,99), que invertem posições face a 2014.

Relativamente ao índice da competitividade verifica-se uma descida de valores, face a 2014, na AML (de 114,16 para 112,82), na AMP (de 104,62 para 104,19) e no Alto Minho (98,34 para 97,57).

“O índice de competitividade pretende captar o potencial (em termos de recursos humanos e de infraestruturas físicas) de cada região em termos de competitividade, assim como o grau de eficiência na trajetória seguida (medido pelos perfis educacional, profissional, empresarial e produtivo) e, ainda, a eficácia na criação de riqueza e na capacidade demonstrada pelo tecido empresarial para competir no contexto internacional”, explica o INE.

As sub-regiões do país menos competitivas são, à semelhança do ano anterior, mas com ordens diferentes, o Alto Tâmega (79,66), o Alto Alentejo (80,94) e o Douro (82,36).

Na coesão – índice que, segundo o INE, procura refletir o grau de acesso da população a equipamentos e serviços coletivos básicos de qualidade e também a eficácia das políticas públicas – nove sub-regiões ultrapassavam, em 2015, a média nacional, o mesmo número que em 2014.

Neste índice a lista é liderada pela AML (106,14), seguida da região de Coimbra (105,06), que invertem posições face aos dados de 2014. Seguem-se o Alto Minho (103,95), Cávado (103,87) e Alentejo Central (103,06).

No índice de coesão, a Região Autónoma dos Açores (77,42), a da Madeira (83,94) e o Tâmega e Sousa (89,26) foram as sub-regiões com pior desempenho.

Já no índice de qualidade ambiental verificou-se que 12 sub-regiões (das 25) superaram a média nacional, quando em 2014 tinham sido 14.

O melhor desempenho ambiental foi alcançado, tal como no ano anterior, pelo Alto Alentejo (110,29), seguindo-se a Região Autónoma da Madeira (109,58) e pelas Beiras e Serra da Estrela (109,18).

No sentido inverso, o pior desempenho ambiental foi alcançado pela sub-região Alentejo Litoral (89,26), seguida de Viseu Dão Lafões (91,50) e Oeste (94,97).
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Central do Sporting viajou esta terça-feira para Espanha



De Machado de Assis, in Net:

Pensamentos valem e vivem pela observação exata ou nova, pela reflexão aguda ou profunda; não menos querem a originalidade, a simplicidade e a graça do dizer.

Machado de Assis-in O Pensador

Do poeta brasileiro Machado de Assis



Poema de Machado de Assis (1839-1908), in O Citador:

Quando Ela Fala
Quando ela fala, parece
Que a voz da brisa se cala;
Talvez um anjo emudece
Quando ela fala.


Meu coração dolorido
As suas mágoas exala,
E volta ao gozo perdido
Quando ela fala.

Pudeste* eu eternamente,
Ao lado dela, escutá-la,
Ouvir sua alma inocente
Quando ela fala.

Minha alma, já semimorta,
Conseguira ao céu alçá-la
Porque o céu abre uma porta
Quando ela fala.

Machado de Assis, in 'Falenas'




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Poema: Dia-ventre-luz...

DIA…VENTRE-LUZ…


Do fundo da música, brotam notas vibrantes
a abalarem o silêncio das sílabas, onde repousam os dias.
A imóvel luz do céu permite o crescimento das ervas
enquanto que as flores passeiam por entre as pedras da terra.

O tempo sacia-se…passa o dia, sem qualquer laivo de melancolia.

O Tempo é só seu!

Não depende do voo dos pássaros…nem da força das águas do mar…
…nem mesmo do cantar das pautas de música…
Nem sequer depende do Poeta que , ora o canta, ora o chora!

A água do rio cheira a Tempo-a-fluir…
…e os papagaios falam da beleza das suas asas coloridas
no momento em que o mundo flameja, em espaços de dor e amor.

O dia é sempre uma palavra clara
onde as vogais são felizes
como os girassóis a brilhar!
O dia é o ventre da luz, onde as trevas se escondem
[até às horas dos horizontes.

Olho as palmas das mãos, onde se esconde o silêncio das palavras
[ a guardar segredos do silêncio…
Abro-as ao sol da realidade pulsante dos-olhos-a-cantar…
…e sai uma forma diferente de -ME-SER…num poema-a-refulgir-
-agarrando-o-ar,
para -simplesmente- ACONTECER!

A música é um sol a nascer nas-noites-do-dia e
no-dia-das-noites, onde o poema é música!

Maria Elisa Ribeiro
OUT/013
foto google

Boa tarde, meus amigos!


terça-feira, 6 de junho de 2017

Através de Paulo Teixeira de Morais, in "FRENTE CÍVICA"


Paulo Teixeira de Morais
19 h ·



REPETIREI: Repetirei este post quinzenalmente até que...
"Armando Vara foi condenado, no Processo FACE OCULTA, a cinco anos de PRISÃO EFECTIVA. Mas continua À SOLTA. Ainda não esteve preso nem cinco segundos. Até hoje. Não se entende também que não tenha devolvido à sociedade os activos devidos. Neste processo houve justiça formal. Apenas. Sem prisões, sem ressarcimento económico da sociedade – o que prevalece é a "face (nada) oculta" da justiça nacional: a impunidade. Já lá vão quase três anos de absoluto desrespeito pelas decisões da Justiça!"




Ira


Gosto

Adoro

Riso

Surpresa

Tristeza

Ira
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Do nosso Fernando Namora...



Poema de Fernando Namora

Espero a tua vinda
a tua vinda,
em dia de lua cheia.


Debruço-me sobre a noite
a ver a lua a crescer, a crescer...

Espero o momento da chegada
com os cansaços e os ardores de todas as chegadas...

Rasgarás nuvens de ruas densas,
Alagarás vielas de bêbados transformadores.
Saltarás ribeiros, mares, relevos...
- A tua alma não morre
aos medos e às sombras!-

Mas...,
Enquanto deixo a janela aberta
para entrares,
o mar,
aí além,
sempre duvidoso,
desenha interrogações na areia molhada...

Fernando Namora, in 'Relevos'









Boa tarde, meus amigos!


segunda-feira, 5 de junho de 2017