quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Poema meu





"PEDRA DE ROSETA"







Vou vadiando, ao luar,
tecendo fados, que quero cantar…





(Vou jejuando felicidade…)




Teço novenas da Vida,
enovelo imagens de ermidas
onde as deponho…
…(Vou aromatizando a alegria, esperando que
se descontrole e me sorria…)




Vou pervagando por entre raios de Lua,
na noite escura, engalanada de Perseidas;
subo a colina dos tormentos…e oro, por momentos,
aos FADOS dos enganos…




(Vou arredando espinhos…
pedras agudas e ervas, dos meus caminhos…)




Vou sonhando…
Sonho tesouros incontáveis…
…construo catedrais do Impossível…
…cálices de líquidos doces…
…relíquias do agridoce que é o meu dia-a-dia,
esta alegria de Noite, de Luar, de Sol…




(Vou furando por entre multidões
que não existem…)




E encontro junquilhos místicos,
cuja doçura está no olor
espalhado em meu redor!




Vou resistindo…esperando perder-me
na beatitude do pecado…
que mora em mim, mesmo ao lado
das flores do meu íntimo jardim…
torno-me documento arqueológico
que se vai descobrindo…




“Pedra de Roseta”…Esfinge…
Champollion do meu mistério!


Na ponta dos dedos, seguro o teu orvalho…
…sémen de vida da flor erecta, aguerrida…
aberta aos mistérios dos galhos endurecidos
que se mantêm na floresta, enlouquecida…




(Penitencio-me na ermida da verde colina…
…meu oratório druidico…minha Natureza-Mãe!)




E sinto a aragem do teu MAR potente e grandioso…
ansioso…
Tem ALMA, o seu suspirar…
…e cheira-me a rosmaninho das ruas
De Jerusalém…camélias rubras do teu bem!




Vou indo, do inconsciente para o consciente,
para o objectivo ideal humano…
…e és meu deus no fim do princípio, encetado na mente…




Sou meu narrador omnisciente e omnipresente, EM MIM…
Quero ir chegando ao teu fim…
Vou andando…vou chegando…a desejar-te!




Fujo das fendas na muralha do EU,
que vou projectando no luar do olhar teu…




QUE ESPERA! QUE CANSAÇO!





Maria Elisa Ribeiro

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