sexta-feira, 1 de março de 2024

POEMA

 ANÉMONA-BAILARINA

Sem cenários áridos, ocos, vazios cintila a atmosfera clara
no ONDE as palavras têm um rumor de arvoredos
O vento odoroso, poderoso,
sacode as águas vivas que vejo, perturbada,
através das velhas frestas da casa arruinada
As flores no ventre da terra oferecem à vida os estames
que rebentam em luz e cor
a alegrar os campos e as árvores
As Palavras habitam espaços inimagináveis
tais anémonas-bailarinas no tronco de vento,
que lhes mostra as vértebras e o coração brilhante
da terra-húmus faminta.
As anémonas- bailarinas precisam de vento para dançar
no meio das searas cobertas de papoilas,
tal como fazemos nós
no tempo desse vermelho-oiro. Como elas, não tenho medo
do amor
e pouso a tua mão devagar sobre o peito da terra que
mata as suas pétalas...e as do linho e da genciana...das ervilhas-de-cheiro
...das campainhas azuis...
Que aconteceu às Palavras? Como vou chamar por elas, se as escondem e
sem elas, nem os silêncios têm nome?
©Maria Elisa Ribeiro
Direitos reservados
2022

POEMA:

 


A ÁGUA DAS PALAVRAS

 

 

Em lenta liberdade

 a água desposa o mundo ignorado

da matéria que a matéria engloba.

 

Em suaves sílabas e dedos ondulados em células transparentes

 ,indolentes,

apaga os caminhos das areias e chama pelos sulcos da ilusão.

 

É múltiplo o seu olhar em tudo o que alcança.

 

Cobre os secos campos, dá vida aos estéreis rios e ribeiros,

vive novos horizontes

e cada sua gota perfuma o sussurro

que o ouvido humano serenamente escuta.

 

A água das palavras,

 sereno lençol que ama o silêncio,

derrama vida nos poemas de luz e torna-se a concha

do sossego da flora branca

 a murmurar

 o respiro solar.

 

Pelos caminhos estendidos até à garganta da terra

permite que ouçamos as asas dos insectos

 a voar,

 na  sólida respiração solar  dos campos

molhados de sementes airosas.

 

 

 

Maria Elisa Ribeiro

©Jan/2024

A whiter shade of pale - Procol Harum.avi

Vaya Con Dios - What's A Woman (Still)

Peter Gabriel & Sinéad O'Connor - Don't Give Up (Chile, 1990)

Roger Waters - Wait for Her (Video)

EM "A Voz da Verdade", na Internet, extraco de um texto de Guilherme de Oliveira Martins.

 

Guilherme d’Oliveira Martins: CALEM-SE AS ARMAS!…

20.03.2022

Atravessamos um dos momentos mais dramáticos desde a segunda guerra mundial. Ouvem-se muitos comentários, diversas lucubrações, mas nenhuma tão terrível e tão certeira quanto esta citação de um dos mais célebres sermões do Padre António Vieira.  “É a guerra aquele monstro que se sustenta das fazendas, do sangue, das vidas, e quanto mais come e consome, tanto menos se farta. É a guerra aquela tempestade terrestre que leva os campos, as casas, as vilas, os castelos. As cidades, e talvez em um momento sorve os reinos e monarquias inteiras. É a guerra aquela calamidade composta de todas as calamidades em que não há mal algum que se não padeça ou se não tema, nem bem que seja próprio e seguro: o pai não tem seguro o filho; o rico não tem segura a fazenda; o pobre não tem seguro o seu suor; o nobre não tem segura a honra; o eclesiástico não tem segura a imunidade; os religiosos não têm segura a sua ceia; e até Deus, nos templos e nos sacrários, não está seguro” (1668, Sermão histórico nos anos da Rainha D. Maria Francisca de Sabóia). Sentimos, perante o que ouvimos, a angústia do muito pouco que podemos fazer para ajudar as vítimas, para minorar as tragédias, para prevenir as consequências ou, quem sabe, para contribuirmos para a Paz. Não cabe aqui a referência às razões ou o enunciar das causas e dos remédios. A verdade é que a Ucrânia foi invadida. Houve quem esperasse que tudo fosse rápido e as reações diminutas, uma vez que a surpresa poderia dar origem à indiferença. Mas não foi assim. O monstro da guerra não se dissimulou e a resistência apareceu e reagiu. Mesmo para os julgavam poder aparecer como supostos libertadores, aconteceu o que tantas vezes ocorre em circunstâncias semelhantes – o sentido de comunidade, a defesa da casa, a solidariedade prevaleceram. Afinal, a guerra é a calamidade composta de todas as calamidades, que a todos atinge, em que “não há mal algum que se não padeça ou se não tema”.

 

Quem julgou que uma qualquer fidelidade política poderia prevalecer, enganou-se, uma vez que, em se tratando de humanidade, o que importa é o sentimento que une os corações. Nesse sentido, temos de partir da imperfeição humana, para a exigência de que temos tudo fazer para que a entrega e a entreajuda tenham resultados práticos. E como ensinou Paul Ricoeur não podemos esquecer na noção de amor cristão, de entrega e de troca, não se limita à solidariedade, abrangendo o cuidado ou caridade, a maior das virtudes. Enquanto a solidariedade se refere aos sócios, aos membros da sociedade que partilham objetivos e interesses comuns e são corresponsáveis pelo bem comum; o cuidado ou caridade refere-se aos irmãos e aos próximos, e então falamos do amor cristão na sua plenitude, que obriga a fazer da dignidade humana uma entrega efetiva e generosa.

 

O Papa Francisco tem afirmado que: “Quem faz a guerra esquece a humanidade. Não parte do povo, não olha para a vida concreta das pessoas, mas coloca diante de tudo interesses egoístas, de parte e de poder. A guerra baseia-se na lógica diabólica e perversa das armas, que é contraditória com a vontade de Deus. E assim vai contra as pessoas comuns, que desejam a paz; e que em cada conflito são as verdadeiras vítimas, que pagam as loucuras da guerra com a própria pele”. E eis que os homens e a mulheres de boa vontade se viram para o Papa, para que a sua voz e o seu exemplo possam constituir fatores que permitam uma inversão dos acontecimentos no sentido da paz. É preciso romper com a lógica da fatalidade da violência. Por isso, com o coração dilacerado pelo que está a acorrer na Ucrânia, o Papa não esquece as guerras em outras partes do mundo, como no Iémen, na Síria, na Etiópia e o que se exige para romper com a escalada da barbárie.

 

“Calem-se as armas! Deus está com os construtores de paz, não com aqueles que usam a violência” – insiste o Pontífice. “Porque aqueles que amam a paz, repudiam a guerra como instrumento de ofensa à liberdade de outros povos e como meio de resolver disputas”. E assim não esqueçamos o mote da Mensagem do Papa Francisco nesta Quaresma de 2022: «A Quaresma é um tempo favorável de renovação pessoal e comunitária que nos conduz à Páscoa de Jesus Cristo morto e ressuscitado». Aproveitemos o caminho quaresmal, para refletir sobre a exortação de São Paulo aos Gálatas: «Não nos cansemos de fazer o bem; porque, a seu tempo colheremos, se não tivermos esmorecido. Portanto, enquanto temos tempo (kairós), pratiquemos o bem para com todos» (Gal 6, 9-10a). Nesta conjuntura, isto significa não baixarmos os braços. Importa tudo fazer para acolher e ajudar quem a guerra persegue e mata. Há muito a fazer, mas assalta-nos a sensação de que somos incapazes de estar à altura dos acontecimentos… Tudo começa agora!


Extracto sobre "OS LUSITANOS" em GOOGLE-WIKIPÉDIA

 




Lusitanos

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Migrações das tribos pré-românicas no território do atual Portugal:
  Lusitanos
Ethnographic Iberia 200 BCE-es

Os lusitanos constituíram um dos povos ibéricos pré-romanos que habitaram a região oeste interior da Península Ibérica desde a Idade do Ferro. Em 29 a.C., na sequência da invasão romana a que resistiram longo tempo (ficando conhecida como Guerra Lusitana), a província romana criada depois tomou o nome Lusitânia, e abrangia a parte do território ocupado por este povo e regiões vizinhas ao sul e ao leste das tribos lusitanas. Dentro das atuais fronteiras políticas de Portugal concentra-se a maior fração do território que seria ocupado pelos lusitanos.

A figura mais destacada deste povo foi sem qualquer dúvida Viriato, um dos seus líderes no combate aos romanos. Outros líderes conhecidos foram Púnico (Punicus), Césaro (Cæsarus), Cauceno (Caucenus), Cúrio (Curius), Apuleio (Apuleius), Conoba (Connoba) e Tântulo (Tantalus).

Os lusitanos são considerados, por antropólogos e historiadores, como um povo sem história por não terem deixado registos nativos antes da conquista romana.[1] As informações sobre os lusitanos são-nos transmitidas através dos relatos dos autores gregos e romanos da Antiguidade, o que, por vezes, causa diversos problemas ou conflitos na interpretação dos seus textos.

Além dos Lusitanos, que habitavam predominantemente a franja do interior entre o Rio Douro e o Rio Tejo, também tinham uma implantação muito importante os TúrdulosCélticosCóniosGalaicos (ou calaicos)Gróvios, e Vetões, entre outros que continuam a ser objeto de estudo conforme se realizam descobertas arqueológicas.[2]

Origem

Os antepassados dos lusitanos compunham um mosaico de diferentes tribos que habitaram Portugal desde o Neolítico. Miscigenaram-se parcialmente com os invasores celtas, dando origem aos lusitanos. Não se sabe ao certo a origem dessas tribos celtas, mas é muito provável que fossem oriundas dos Alpes suíços e teriam migrado devido ao clima mais ameno da Península Ibérica.

Entre as numerosas tribos que habitavam a Península Ibérica quando chegaram os romanos, encontrava-se, na parte ocidental, a dos lusitanos, considerada por alguns autores a maior das tribos ibéricas, com a qual durante muitos anos lutaram os romanos.[3]

Supõe-se que a zona do centro de Portugal era habitada pelos Lusis ou Lysis que teriam dado origem aos Lusitanos. Os Lusis eram provavelmente povos do Bronze Final, linguisticamente de origem indo-europeia e pré-céltica que vieram a sofrer relevantes influências da Cultura de Hallstatt e mediterrânicas ao longo dos séculos VIII e VII a.C.[4]

Os Lusis foram referidos pela primeira vez no Ora Maritima de Avieno, onde foram chamados de pernix, que significa ágil, rápido e é o adjectivo que se aplicava ao praticante de jogos de destreza física.[5]

Etnia segundo os autores da Antiguidade

Os escritores da Antiguidade identificaram duas etnias na Península Ibérica, a ibera e a celta, e qualificavam os seus habitantes como sendo iberos ou celtas ou uma mistura das duas etnias. No entanto, o conceito de ibero podia ser usado num sentido geral, isto é, num sentido geográfico, referindo-se ao conjunto dos seus habitantes e num sentido restrito, referindo-se a um conjunto de tribos com a mesma etnia; ou podia mesmo variar consoante o conceito da época; e o mesmo se pode considerar relativamente ao conceito de celta da Ibéria ou celtibero.[6]

Diodoro Sículo considerava os lusitanos um povo celta: "Os que são chamados de lusitanos são os mais valentes de todos os cimbros".[7] Estrabão diferenciava os lusitanos das tribos iberas.[8] Viriato foi referido como líder dos celtiberos.[9] Os Lusitanos também eram chamados de Belitanos, segundo Artemidoro.[10][11]

Indícios arqueológicos e pesquisas etnográficas relativamente recentes sugerem que os lusitanos estejam ligados aos lígures, possivelmente através de uma origem comum.[12] No entanto, a religião, a onomástica, nomes próprios e topónimos, e escavações nos castros lusitanos revelam tratar-se de um povo celta. Ainda que entre autores modernos não exista consenso total e alguns os considerem iberoslígures e, ou celtas.[13]

Bom dia, meus amigos e amigas!


 

quinta-feira, 29 de fevereiro de 2024

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SOBRE EDUARDO LOURENÇO, in INTERNET

 Professor, filósofo, escritor, crítico literário, ensaísta, interventor cívico, várias vezes galardoado e distinguido, Eduardo Lourenço foi um dos pensadores mais destacados da cultura portuguesa, escrevendo várias obras sobre a sociedade e identidade portuguesa. O Labirinto da Saudade e Fernando, Rei da Nossa Baviera são duas das suas principais obras.


Eduardo Lourenço Faria nasceu em 23 de Maio de 1923, em S. Pedro do Rio Seco, no concelho de Almeida, na Beira Alta. “Vindo de uma pequena aldeia e de uma família conservadora, encontrou em Coimbra um ambiente mais aberto e propício a uma reflexão cultural que sempre haveria de prosseguir”, refere o Dicionário Cronológico de Autores Portugueses”, editado em 1998.

Frequentou o curso de Histórico-Filosóficas na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, onde foi depois professor assistente. Emigrou para França em 1949, ano em que é publicado o seu livro de estreia, Heterodoxia I, “um dos mais nobres e perturbantes discursos ensaísticos de toda a nossa história literária”, classificou o professor e ensaísta Eugénio Lisboa.

Foi leitor de Língua e Cultura Portuguesa nas Universidades de Hamburgo e Heidelberg, na Alemanha, e Montpellier, em França, depois professor de Filosofia na Universidade Federal da Bahia, no Brasil. Também foi leitor a cargo do Governo francês nas Universidades de Grenoble e de Nice.

Entre as várias distinções que Eduardo Lourenço recebeu, estão o Prémio Europeu de Ensaio Charles Veillon (1988), o Prémio Camões (1996), o Prémio Pessoa (2011) Em Portugal, era Grande Oficial da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada, assim como da Ordem do Infante D. Henrique e da Ordem da Liberdade. Era também Oficial da Ordem Nacional do Mérito, Cavaleiro da Ordem das Artes e das Letras e da Legião de Honra de França.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, evocou e agradeceu a Lourenço, que considerou ser, desde o início da segunda metade do século XX, o “mais destacado intelectual público” e uma “figura essencial” de Portugal. Eduardo Lourenço foi um pensador, arguto e sensível como poucos e incansável combatente do caos dos dias”, reagiu a ministra da Cultura, Graça Fonseca.

Na juventude, escreveu poesia e narrativa, mas passou para uma literatura mais ensaística. “Em relação à ficção – com a minha falta de sentido do concreto –, muito cedo pensei que não teria capacidade de me tornar naquilo que eu mais queria ser: um romancista, um ficcionista”, disse à revista Ler, em 2008.

Conhecia Dostoievsky, Kafka e Camus, mas o primeiro encantamento literário foi com Júlio Dinis, ainda criança. Kierkegaard, Nietzsche, Heidegger e Sartre estavam nas suas primeiras leituras. Apesar destas referências, “a sua mundividência foi associada à de um certo existencialismo, sobretudo por volta dos anos 50, altura em que colaborou na Árvore e se tornou amigo de Vergílio Ferreira”, descreve o Dicionário Cronológico de Autores Portugueses.

Refletia e dialogava, de certa forma, com as obras de Camões e Pessoa e, no prefácio a uma reedição do Labirinto, datado de Vence, 25 de Abril de 1978, sublinha que não escreveu esses ensaios “para recuperar um país que nunca perdi, mas para o pensar com a mesma paixão e o mesmo sangue frio intelectual com que o pensava quando tive a felicidade melancólica de viver nele como prisioneiro da alma”.

As ideias do livro estão ligadas aos seus interesses de ordem filosófica quando mais jovem: o tema essencial é a problemática do tempo, que se pode ver e tratar de muitas maneiras, sendo a saudade uma espécie de vivência da temporalidade que sentimos de forma muito particular. Na saudade, diz Lourenço, “recuperamos o que em princípio devia ser irrecuperável – e é por isso que nos reconhecemos nessa espécie de sensibilidade que pensamos identitária e nos preocupamos muito com o sentido da vida em geral e o do tempo em particular”.

O livro, porém, em que se sente mais presente, é o Pessoa Revisitado. Pessoa tem uma tal imagem, é um tal ícone da nossa cultura, como não há outro, tirando o imortal Camões. Das mais perigosas e impercorríveis, porque um simples poema seu resume uma aventura cultural e poética sem confronto com qualquer outra nossa contemporânea. Segundo o ensaísta, Pessoa deixou-nos a ideia que o eu é uma construção contínua e um sonho de si mesmo; levou à letra uma das grandes experiências da visão cultural da Europa em todo no seu esplendor: a vida é um sonho.

Apaixonado pela literatura, referia-se aos livros como “filhos” e dizia que “estar-se sem livros é já ter morrido”. Em 2008, nessa conversa com a Ler, dizia que “dificilmente” conseguiria imaginar o mundo sem livros em papel. Porque o relacionamento com os livros – que vem de todos os livros que a gente lê quando é jovem – torna-os bocados de nós próprios. São as tábuas privadas das nossas leis. As escritas e as não escritas. Faltará qualquer coisa quando a nossa relação com eles for puramente electrónica. Nos novos instrumentos, não haverá pó. É só o que lhes falta. Esse pó quer dizer o tempo, quer dizer a própria essência da nossa vida.”

Em 2018, foi protagonista e narrador da sua própria história, num filme de Miguel Gonçalves Mendes, que teve antestreia a 23 de Maio, dia em que Eduardo Lourenço completou 95 anos. Intitulado O Labirinto da Saudade, o filme adapta a obra homónima de Lourenço e traça uma viagem através da cabeça do pensador, constituindo-se como uma “homenagem em vida” do realizador ao ensaísta.

Nesse mesmo ano, a propósito da polémica em torno de um possível “Museu das Descobertas” em Lisboa, devido sobretudo ao nome e ao programa, que foram classificados como “neocoloniais”, o ensaísta deixou bem clara a sua oposição ao que chamou de “crucificação” do país pelo seu passado colonizador, quando não houve maldade na génese e o mal feito já não podia ser reparado. “Acho extraordinário, num momento em que a Europa é quase toda ela democrática, que, de facto, um país com menos problemas graves e de difícil resolução no mundo seja objecto desta espécie de penitência pública”, lamentou.

Nesse dia, o autor de Fernando, Rei da Nossa Baviera falou sobre o papel de Portugal na história, associando-o a uma “vontade de não abdicar do sonho”, uma “vontade um pouco louca”. “Portugal viajou uma viagem por conta própria, um sonho, e esse sonho não tem fim e não terá fim”, disse Eduardo Lourenço.

Eduardo não é o ‘ator’, mas o sujeito do filme, que é sobre si e o seu pensamento, a sua visão da história e do destino de Portugal.
Provavelmente será essa a intenção das pessoas que pensaram e decidiram fazer o filme, e dar-lhe o título Labirinto da Saudade. E essa é, aliás, uma pergunta que vem dos nossos maiores, incluindo o Antero e a geração de 70: como foi possível um país tão pequeno ter tido um percurso tão extraordinário? A dado momento da História do Ocidente, fomos nós que levámos o Ocidente para o Oriente.

E estava talvez mais familiarizado com o cinema do que com qualquer outro meio de expressão porque é o que mais caracteriza a modernidade. “A imagem que nós temos da experiência humana no século em que vivemos é fundamentalmente a que o cinema transmite. Não é a única, há outras expressões, incluindo a música, com a qual aliás o cinema tem uma conexão quase visceral”- e conclui o filósofo: “Somos levados a aceitar que o cinema é como que uma espécie de comentário divino aquilo que se passa e ultrapassa a margem dada pela transcendência da música enquanto tal”.

Quem o ler com atenção percebe que na sua prosa poética, o único tema verdadeiramente sério é a morte. A morte é consubstancial à vida. Porque Annie Salomon, sua mulher, que ironicamente faleceu também no primeiro dia de dezembro há exatamente sete anos, é para E. Lourenço, “um facto consumado sem leitura possível. É um buraco negro numa existência antes do seu próprio fim”.


BIBLIOGRAFIA

Morreu Eduardo Lourenço, gigante do pensamento português, Pedro Rios e Lusa, PÚBLICO, 1-12-2020
“Como foi possível um país tão pequeno ter tido um percurso tão extraordinário?”, José Carlos de Vasconcelos, VISÃO, 1-12-2020

Helena Garvão
Lisboa, 13 de dezembro de 2020


Poema da série TROVAS------TROVAS( I)

 TROVAS (I)


Amo-te porque sim, porque o dia sorriu.
Amo-te, porque Me nasceste.
Amo-te, porque talvez o Sim e talvez o Não
passem ainda para me contar,
por que Não-Me-Aconteceste...

SENTI ! Ti amo...non lo so...forze perché sei la VITA!
(Ouve! Amo-te...não sei...talvez porque és a Vida!)

Tradução própria

©Maria Elisa Ribeiro
MRÇ/021

 


                                                                                                               TROVAS (II )

 

 

Poema-Flor! Poema-Mar!

Poema-Terra a cantar o canto do devir.

Cada meu verso é o reverso do silêncio coloquial

De um harmonioso jardim a germinar.

E eu canto-o,

 porque à memória me vêm

as notas das minhas canções de embalar.

 

 

©Maria Elisa Ribeiro-Portugal

ABL/2021

Direitos reservados

Esta Autora não segue as regras do “chamado Acordo Ortográfico”

 

Bom dia, meus amigos! Sol e Chuva é o que temos, hoje!