sábado, 25 de setembro de 2021

quinta-feira, 23 de setembro de 2021

Artigo do jornalista Luís Osório, sobre a "personalidade" CINHA JARDIM

 

POSTAL DO DIA
É particularmente obsceno ouvir Cinha Jardim
1.
Cinha Jardim que já foi namorada de Pedro Santana Lopes e mais umas quantas coisas menos relevantes, continua a fazer comentários na TVI sobre tudo o que acontece na casa dos segredos onde rapazes e raparigas nos oferecem o melhor de si para que um dia, se tudo correr mal no planeta, o “criador” não se arrepender quando resolver encomendar a nossa alma ao esquecimento.
2.
Cinha Jardim é filha de Jorge Jardim, durante muitos anos um homem de confiança de Salazar em África.
Um pai que enriqueceu e construiu um império em Moçambique.
Cinha cresceu no orgulho de ser filha de um homem que era um aventureiro e um vencedor, um homem pragmático que fez o que foi preciso em nome de uma ideia de Império que só podia confluir num Portugal do “Minho a Timor”.
3.
Desculpem a introdução para ir ao que me interessa.
Na televisão, nos seus sempre elucidativos comentários, Cinha Jardim disse assim a propósito de um qualquer cozinhado da casa de segredos:
“Em minha casa não há douradinhos, pretinhos ou escurinhos”.
Disse-o como se fosse uma piada.
Não é a primeira vez – há uns largos meses, chamou de pretinho um concorrente de uma outra edição da casa.
E quando aconteceu a polémica de Marega – o ataque racista de que foi alvo – Cinha Jardim também foi muito clara sobre o que lhe vai dentro da cabeça.
Vamos lá a ver.
Não gosto de uma certa ditadura do politicamente correto, mas parece-me ofensivo que um canal de televisão pactue com pessoas que veiculam discursos racistas e uma linguagem ordinária que agride qualquer pessoa bem formada.
4.
Se na semana passada critiquei a “socialite” que defendia que algumas praias deveriam ser pagas para serem mais bem frequentadas, esta semana não poderia deixar de escrever sobre esta pessoa que aos meus olhos é estranha, incompreensível e particularmente obscena.
Sobretudo vindo de uma pessoa que tanto fala de Deus e da Igreja Católica quando define o que é a sua vida.
Como é possível?
Como é que ela justificará a existência dos “pretinhos” à luz dos ensinamentos de Jesus Cristo?
Só me parece que existe uma hipótese, é a única que encontro – para ela, e para outros racistas crentes, os negros não são filhos de Deus.
Provavelmente deveriam estar na selva com os outros macacos.
Que horror, que vergonha, que nojo.
LO

quarta-feira, 22 de setembro de 2021

terça-feira, 21 de setembro de 2021

Boa noite!


 

The Doors - Love Her Madly

HAUSER - Pas de Deux (The Nutcracker)

Poema

 POEMA:

O MUNDO RESPIRA








Chega com o amanhecer

o anónimo e invisível respirar brilhante do mundo.
Chegam as aves, as flores abertas, chega a vida
que faz a Vida com que se respira, até ao ar do crepúsculo…
…se o Futuro o quiser…
Levantam-se os trevos de quatro folhas…vivos, fortes,
orvalhados, prontos a embelezar as pedras empoeiradas
dos caminhos onde, até a caruma humedecida de orvalho
faz lembrar o cheiro a ouro, que os montes de trigo deixam no ar.
Parecem saltar os grãos já crescidos, com o conúbio das noites.
A luz do novo dia espalhou-se. Cheira a terra molhada.
Abro a janela, apanho a brisa na face e o vento nos cabelos.
Estendo o corpo a saudar o mundo de girassóis,
abertos até ao céu e carregados de insectos famintos de sede ...
O canto das milhentas cigarras cantoras, lembra-me, de repente,
sinfonias de grandes compositores.
Entretanto, preparei o café da manhã, para beber naquela nossa mesa
tão grande, tão só como eu a cantarolar a tristeza escondida…

Maria Elisa Ribeiro
AGT/017-----Foto do Google 






 POEMA

longa
louca noite dos alvoroços brutais
que te apressas a possuir os mundos
em que já ME-FOSTE-NOITE-ONTEM*
regressas-Me já hoje natural ,normal, mansa
ai noite que Me acordas os fantasmas
que Me soltam o medo
que Me despertas o Tempo de um Passado
velho de dor angústias e tormentas
que Me impedes o descanso de Existir-dormindo*
que silêncio Me trazes ao abrires a boca das estrelas luzentes
contentes
felizes e transbordantes?*
Longa noite dos ventos ululantes,
deita-te nas sombras de MIM-a-teu-lado
e sente como tenho o sangue gelado
Oh noite
que Me és eterna
_tão mais do que a escura morte*
Maria Elisa Ribeiro
JAN/019
Nota: há uma evolução na poesia deste Sujeito Poético. Sente-se a liberdade das estrofes e da melodia, do ritmo e um alargar da visão exterior para o mundo interior. O Poeta , por vezes, apercebe-se disso...Noto aqui e nos poemas de JAN/019, mais EGOTISMO POÉTICO, mais um falar do que sente e não tanto do que vê. Isso, é ROMANTISMO! O tema deste poema é dado por palavras de sons mais consonânticos que vocálicos. De notar: morte, ululantes, escura,descanso, dormindo, sangue, tormentas, etc.
Espero pelo juízo dos meus leitores.
Obrigada
Maria Elisa Ribeiro
Jan/019
A imagem pode conter: noite

Saudação


 

Sobre José Gomes Ferreira, in Net-INSTITUTO CAMÕES

 

José Gomes Ferreira

Por Fernando J. B. Martinho

José Gomes Ferreira (1900-1985) nasceu no Porto, em 1900. Publicou em 1918 e 1921, respetivamente, duas coletâneas poéticas, Lírios do Monte e Longe, que mais tarde retirou da sua bibliografia. Só em 1931, depois de ter exercido funções de Cônsul de Portugal em Kristiansund, na Noruega, encontra verdadeiramente a sua voz num poema, “Viver sempre também cansa”, que dá a público na revista presença, nesse mesmo ano.

Esse texto, em que Gomes Ferreira reconheceu, no relato que fez da sua aparição, em A Memória das Palavras, de 1965, o seu autêntico nascimento como poeta, vem a abrir, dezassete anos depois, o volume com que, realmente, se estreia, Poesia – I. Entretanto, tinham saído, entre 1941 e 1944, os dez volumes da Col. Novo Cancioneiro, que constituíram a mais visível afirmação do neorrealismo poético, e na qual José Gomes Ferreira, apesar do convite que, para o efeito, recebeu, não veio a figurar. É, no entanto, desses poetas, a alguns dos quais, a partir de certa altura, o ligam fortes laços de amizade, que se sentirá mais próximo, o que, juntamente com a óbvia orientação social da sua lírica, levou a que se enraizasse, na nossa tradição crítica moderna, a ideia de o situar no âmbito do neorrealismo. Mas tal enquadramento periodológico, embora não totalmente desadequado, tem que ter em conta um certo número de fatores que aconselham a introdução de matizes nessa classificação. Em primeiro lugar, a influência que a obra de Raul Brandão teve no grupo de que fazia parte nos anos 20. No primeiro volume das Memórias, deixará registo do que para ele e para os seus companheiros terá significado o autor de Húmus: «Durante meia dúzia de anos, Raul Brandão foi, sem o saber, o mestre secreto da primeira fornada que, após a Revolução Formal do Futurismo, e embora concordante com todas as novidades do Orpheu e revistas subsequentes, se opôs por instinto ao seu conteúdo aristocrático, em busca aflita de outro Sinal.» Os anos passados na Noruega, e a leitura de autores como Ibsen e Knut Hamsun, não terão senão acentuado o pendor expressionista do seu imaginário já muito marcado por Brandão, na origem, como se sabe, do que houve de larvar expressionismo, sem contacto real com o expressionismo literário alemão, em vários autores do nosso Segundo Modernismo. Depois, não deixe de se assinalar que o poema que atesta o seu verdadeiro nascimento como poeta veio a lume numa publicação, a presença, que, nos começos dos anos 30, era indubitavelmente o ponto de convergência de todos os que, em Portugal, estavam empenhados em praticar e em impor uma ideia de arte moderna. De resto, todo o percurso de José Gomes Ferreira a partir do momento epifânico de “Viver sempre também cansa” se vai pautar pela “Revolução Formal” modernista, e não é possível entender a ampla e conturbada liberdade da sua escrita, o inusitado das suas imagens e da sua sucessão no poema ( «aos cachos», como deixou dito num texto de Elétrico, 1956 ), sem ser no quadro das transformações da linguagem poética operadas pelo Modernismo. O poeta fazia, de resto, questão, numa passagem de Imitação dos Dias, de 1966, de se afirmar «sem saudades de qualquer passado», em sintonia perfeita com o seu tempo, na diversidade de correntes que, dentro das várias artes, se orientariam mais para uma conceção alargada do Modernismo, hoje por muitos aceite, que o não restringisse às tendências inovadoras das primeiras décadas de Novecentos: «Coincido integralmente com a minha época de neo-realistas, de surrealistas, de abstractos, de neo-figurativos, de concretistas, de dodecafónicos, de pesquisadores de timbres, de Maiakovski, de Kafka, de Prokofiev, de Malraux, de Cholokov, de Sartre, de Aragon, de Drummond de Andrade – e aqui proclamo a glória de ter nascido na Idade de Aquilino, Afonso Duarte, Vieira da Silva e Lopes Graça, sem saudades de qualquer passado.» Um outro aspeto aproxima José Gomes Ferreira dos «presencistas», a centralidade do eu na sua obra, não apenas nos livros em verso, mas também nos livros em prosa, como já tem sido sublinhado ( cf. Paula Morão, “O poeta andante, um fingidor em prosa”, José Gomes Ferreira – Operário das Palavras, 2000, p. 23 ). O subtítulo escolhido para a edição da sua poesia, a partir da segunda metade dos anos 70, nos três volumes de Poeta Militante, “Viagem do Século Vinte em Mim”, remete também para a importância da experiência pessoal, para a subjetividade em que se fundamenta a sua resposta à História.

A abrir o 1º volume de Poeta Militante, vem uma nota onde pode ler-se o seguinte: «Poeta Militante é a viagem do século vinte em mim. Ou melhor: o testemunho poético [...] da aventura da sombra de um anti-herói que, perdido nos meandros dos caminhos exíguos do tempo, [...] atravessou em bicos dos pés os segundos, os minutos, as horas, as semanas, os anos de quase um século, mais preocupado com as coisas vulgares do quotidiano nos cafés, nas ruas, nas praias, no campo, do que com acontecimentos merecedores no futuro de longos tratados de estudo volumosos que me inspiraram muitas vezes apenas poema e meio./ [...]». O que há de «protesto», de apaixonada denúncia nestes poemas que se organizam, sob a forma de «diários em verso», em séries ou conjuntos, com datas desfasadas do momento de publicação, é o que, em larga medida, justifica a aproximação ao neorrealismo, para além da indefetível perseguição da «Revolução Impossível». Mas, como a nota de abertura de Poeta Militante sublinha, o espanto, o estremecimento lírico que o move ao canto, nasce mais da vulgaridade do quotidiano do que da excecionalidade dos acontecimentos que moldam a História. É na indecisa fronteira entre o real e o irreal, como nos lembra um dos seus títulos mais emblemáticos, O Irreal Quotidiano, de 1971, que melhor se afirma, afinal, a aventura literária de José Gomes Ferreira, encarada na sua globalidade e sem o artifício da divisão de géneros.

segunda-feira, 20 de setembro de 2021

Gosto de ser gente porque, inacabado, sei que sou um ser condicionado mas, consciente do inacabamento, sei que posso ir mais além dele. Esta é a diferença profunda entre o ser condicionado e o ser determinado.

Paulo Freire 

Saudação


 

domingo, 19 de setembro de 2021

Jonas Kaufmann - Turandot, Atto III: "Nessun Dorma"

como preparar um coelho II by necasdevaladares

POEMA meu







 VOAR NA POESIA

Uma mancha de tinta levanta-se do papel
e começa a flutuar nas rotas do pensamento.
A noite chegou…levemente foi entrando na sobriedade das montanhas, escuras, tamanhas…
Um leite de silêncio escorre-me pelos dedos
pronto a deitar-se no oceano dos poetas que peregrinam,
de pensamento em pensamento, até à palavra perdida…
Uma neblina mística rouba a iluminação das árvores…
Um luar sublime de antigos encontros enlaça-se ao corpo-poema…
As pedras calmas do promontório absorvem a maresia, num mar de poesia…
Os meus olhos de ar azul cor-de-tinta vêem letras e sílabas
por sobre um leito de águas,
prontas a taparem fissuras das palavras adormecidas no fogo dos sentidos…
………………………………………………….Há um odor pairando por sobre as camélias-rosa…
………………………………………………….Há vida escondida nas rosas a germinarem aromas…
………………………………………………….Há a minha doce Palavra-pronta-a-nascer…
---------------------------------------Nos corredores dum dicionário-santuário,
peregrina de uma eterna viagem, falam -me sílabas errantes,
vagabundas da arquitectura lexical,
ansiosas por se juntarem no AMOR, às rosas
das profundidades distantes…
……………………………………………Urge a escrita!
…………………………………………..Urge o poeta na escrita!
…………………………………………..Urge a escrita do poema que reúna as árvores
…………………………………………..do sintagma, fora da cidade negra dos lamentos do Homem!
Não alieno meus versos, apesar da sanha das borboletas
a voarem por sobre lagos de cristal, de fundo azul.
Neles, renasço-nascendo
para chegar a Ser-o-Sonho que anda perdido…
…perdido por se encontrar nas idades que vou tendo,
neste voar pelo reverso do meu verso,
magia do que-vou-sendo…

Maria Elisa Ribeiro- Portugal.

SAUDAÇÃO


 

quinta-feira, 16 de setembro de 2021

Poema

 





POEMA

 

DOCE MÃE MARIA

 

 

 

Volto, sempre que posso,

À fresca e doce penumbra de uma qualquer Igreja

Silenciosa, vazia, ancestral.

Vou encontrar-me contigo, Doce Mãe Maria...

Fecho os olhos sem pensar...

Não rezo, descanso em oração;

Aceita estas minhas preces, Senhora!

Tudo o que possa dizer-te é supérfluo, sendo tão pouco!

Alegra-me

                   que sejam meus olhos

                                     a falar-te por mim.

 

Olha , Senhora,

                   trago-te nas mãos a alegria dos campos

            em violetas, margaridas, rosas de todas as cores,

                     giestas e girassóis e muitas-outras-que-mais.

 

Vê a claridade do céu azul, pura e brilhante.

Só assim sei rezar-te, Doce Mãe do Mundo!

 

 

 

 

©Maria Elisa Ribeiro

Direitos reservados

 

AGT/2021

Saudação: Bom Dia!


 

quarta-feira, 15 de setembro de 2021

Poema

 


BREVES

 

 

Como um poço inesgotável

Capaz de matar a sede das vidas

Aí está a noite dos seres,

Amiga, e pronta a ser, com todos amável.

 

Desde a Infância, de luminosas e anémicas alegrias,

senti que crescia

                 como aos saltos de canguru

                            surpreendido diante do espelho

                                                    que ditava dia-a-dia,

                                                                    o crescer de cada ser em harmonia.

 

Aos poucos, o cabelo perdeu os laços e foi começando

A viagem de mim-para-mim a endurecer- os- anos- a- vir.

 

Ah,noite de Infância tão luminosa e tão pálida!

 

Dão-te luz os velhinhos com os seus olhos enternecidos,

húmidos e meditativos...

                             ...agasalhados da névoa que percorre-caminhos-sem-licença.

 

 

©Maria Elisa Ribeiro

Direitos reservados

AGT/2021

terça-feira, 14 de setembro de 2021