quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

DE PARIS...

INTERNACIONAL
Tiroteio com vários mortos em jornal francês
Dois polícias estão entre os mortos. O diretor do «Charlie Hebdo» e outros três cartoonistas do jornal também foram mortosPor: Redação / PO, CF e MM - Notícia atualizada às 13:54 | há 2 horas









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Um tiroteio levado a cabo esta quarta-feira manhã, no jornal «Charlie Hebdo», em Paris, fez, pelo menos 12 mortos, segundo a última atualização do Procuradoria avançada pela agência France Press. Dois dos mortos são polícias.

Acompanhe AO MINUTO toda a atualização sobre o atentado ao jornal francês

Charb, o diretor do jornal satírico é um dos mortos, de acordo com informações da polícia citadas pelo «Le Monde». A polícia confirmou também a morte de Cabu (considerado um dos maiores cartoonistas franceses), Wolinski et Tignous.



O presidente francês acrescenta que há «quatro feridos em estado crítico».

Segundo o jornal «Le Parisien», antes da última atualização do número de mortos, nove pessoas foram abatidas no interior e duas no exterior.

«Vingámos o profeta»

O ataque foi levado a cabo por, pelo menos, dois homens fortemente armados que, segundo os media franceses, foram responsáveis por uma «carnificina». Entraram no jornal, todos vestidos de negro, de cara tapada e fortemente armados, conforme as imagens captadas em vídeo-amador.

Terão ameaçado uma das jornalistas do «Chalie Hebdo», que entrava no edifício e que lhes terá aberto a porta. De acordo com a jornalista em causa, reclamaram pertencer à Al-Qaeda.

O «Le Parisien» acrescenta que os dois homens conseguiram fugir em direção ao norte da capital francesa, num carro furtado. Segundo os polícias, os homens gritaram: «Vingámos o profeta» e «matámos o "Charlie Hebdo"».

A viatura foi, entretanto, abandonada no 19º Bairro.



A violência dos disparos ficou marcada nas vitrinas de uma loja vizinha do jornal. Os tiros aparentam ser de uma arma Kalachnikov.

«Um ataque terrorista»

François Hollande, o presidente francês chegou pelas 11:50 à sede do jornal. Classificou este atentado como «bárbaro» e, sem dúvida, «um ataque terrorista».


«Os responsáveis por este ataque serão punidos. A França está em estado de choque. É um ataque terrorista, sem dúvida», disse Hollande.
François Hollande volta a falar ao país às 20:00 locais.

O presidente também mandou reunir um gabinete de crise e a França está em alerta máximo com receio de ataques terroristas. A segurança está a ser reforçada em todas as redações, de acordo com o «Le Fígaro». Segurança reforçada ainda em grandes armazéns comerciais, locais de culto e também transportes. As escolas suspenderam todas as atividades no exterior, como passeios e excursões, e foi proibido o estacionamento em frente a estabelecimentos escolares, mesmo para recolher crianças.

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, também já condenou o ataque ao jornal francês, declarando-o «doentio». O presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz, também se mostrou «chocado».


«É um ataque bárbaro, é um caso sem precedentes, que podemos ver no Paquistão, na Somália, mas vê-lo em França ...». Um atentado contra a «liberdade de expressão», considera Christophe Deloire, dos Repórteres Sem Fronteiras.

Washington também já condenou o ataque «de forma veemente»O último tweet do jornal antes do ataque

Alguns minutos antes do ataque, o último tweet do jornal mostrava uma imagem satírica com o líder do Estado Islâmico, Al-Baghdadi.




Jornal já tinha sido atacado antes

Esta não é a primeira vez que a redação do «Charlie Hebdo» é atacada em retaliação por críticas ao mundo islâmico.

Em novembro de 2011 a redação do jornal foi atacada com uma bomba incendiária que destruiu a sede, uma retaliação a outras caricaturas referentes ao mundo islâmico.



Em 2012, numa altura em que, um pouco por todo o mundo, os muçulmanos se manifestavam contra o filme norte-americano «Innocence of Muslims», onde se mostra o profeta Maomé em diversas cenas de sexo, com mulheres e com homens, a revista francesa publicou novas caricaturas do profeta islâmico.

Fazendo referência ao filme «Intochables», que conta a história de um homem tetraplégico que encontra no seu novo assistente um amigo para a vida, na caricatura publicada na capa da revista vemos Maomé numa cadeira de rodas a ser empurrado por um judeu ortodoxo, lendo-se «Intochables 2» como título.



Outros desenhos foram igualmente colocados no interior da revista, onde se vê, por exemplo, o profeta do islão nu.

Já em 2006, «Charlie Hebdo» tinha sido um dos media europeus a publicar as caricaturas do jornal dinamarquês «Jullands-Posten», que cerca de um ano antes pediu a 40 cartoonistas que desenhassem caricaturas do profeta islâmico.

Os desenhos enfureceram a comunidade islâmica, uma vez que a representação do profeta é proibida.

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FOTOGALERIA:
Tiroteio no jornal «Charlie Hebdo»

Polícias junto à redação do «Charlie Hebdo» (REUTERS)EM CIMA: Polícias junto à redação do «Charlie Hebdo» (REUTERS)

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