Catarina Martins: “O Governo de Passos e Portas acabou hoje”
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PÚBLICO
12/10/2015 - 13:11
(actualizado às 13:27)
António Costa fala em “pontos de convergência” à saída da reunião com o Bloco. Coordenadora do BE diz que estão criadas as condições de consenso básico com os socialistas.
Catarina Martins e António Costa à entrada para a reunião desta segunda-feira
DANIEL ROCHA
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O líder socialista António Costa considerou nesta segunda-feira que a reunião com o Bloco de Esquerda foi “muito interessante", na qual se identificaram matérias passíveis de convergência. Já a porta-voz do Bloco, Catarina Martins, disse mesmo que depois do encontro estão criadas as condições de consenso básico e que “o Governo de Passos Coelho e Paulo Portas acabou hoje”.
Costa afirmou que a reunião foi “muito interessante”, porque permitiu “identificar de um modo positivo um conjunto de matérias, que são matérias passíveis de convergência entre os dois partidos”.
“Todos nós sabemos bem que [PS e BE] são partidos com natureza diferentes e, quanto às divergências, elas são públicas e não faz sentido debatê-las. O que faz sentido é trabalharmos para, no novo quadro parlamentar que temos, termos uma solução para que o país possa ter um Governo que seja um Governo estável e um Governo que corresponda à vontade popular de que exista uma alteração de política, no respeito escrupuloso pelo quadro constitucional”, afirmou Costa.
O líder socialista adiantou que foram identificadas matérias que podem “dar suporte a um entendimento sólido e estável que permita” trabalhar no “novo quadro parlamentar”. Por isso, “ficou assente” que os dois partidos vão desenvolver um “conjunto de trabalho técnico que permita concretizar esses pontos, limar divergências” ou, pelo menos, “reduzir esse grau de divergências” e “alargar” a “base de sustentação de uma solução governativa estável para o país”.
Já a porta-voz bloquista afirmou que depois da reunião com o PS, “estão criadas as condições de consenso básico para responder às três condições básicas que o Bloco de Esquerda tinha colocado para ser possível a viabilização de um Governo” – ou seja, o respeito pelo emprego, salários e pensões. Mas ainda há muito caminho para fazer, avisou Catarina Martins, afirmando que os dois partidos têm “muitos outros temas sobre os quais trabalhar”.
Catarina Martins admitiu que os dois partidos se debruçaram “sobre diversas condições”. “Hoje falámos sobre um programa de Governo que possa respeitar o emprego, os salários e as pensões e parecem-nos criadas as condições para que assim seja”, afirmou a porta-voz do Bloco.
“Começámos a conversar sobre condições de política económica básica porque um Governo precisa de ser pensado juntamente com um Orçamento de Estado. Não estamos ainda a trabalhar num orçamento – isso seria prematuro - mas pusemos já em cima da mesa condições essenciais para uma solução de estabilidade orçamental e de estabilidade a prazo, com uma série de medidas que identificámos como centrais para a recuperação económica do país, centrais para o respeito pelo Estado social e como centrais para um Governo que rompa o ciclo da direita”.
Questionada pelos jornalistas, Catarina Martins não foi directa sobre que medidas são essas, alegando que as negociações se fazem à mesa.
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