quinta-feira, 18 de março de 2010

"ABRAÇO DE AMIZADE...

Meus amigos queridos:
é o mínimo que posso fazer: agradecer-vos as lindas palavras de amizade que todos me têm enviado!Estou a fazer os possíveis por não ver as coisas de um modo tão derrotista quanto a Depressão permite...
Espero e desejo, do coração! -que esta má fase me liberte, dos meus pessimismos tremendos e que a alegria me volte a visitar.
Beijos para todos e um sincero muito obrigada pela vossa generosa preocupação.
LUSIBERO

quinta-feira, 11 de março de 2010

"AUSÊNCIA..."

Aos meus amigos e seguidores, com todo o carinho comunico que irei estar ausente ,por motivo de doença, por uns tempos. A todos peço desculpa por falhar, neste momento, mas não estou bem... Agradeço aos que me têm mandado mensagens de carinho, o NORBERTO... a MALU... o AZOTH... e todos os demais, SEM EXCEPÇÃO.Lembro-me destes, porque não tive forças para lhes responder.

Prometo que vou fazer um esforço muito grande, por melhorar e... quando menos se esperar vou voltar, revigorada.

Um beijo de profunda amizade para todos vós, meus amigos.
Lusibero

segunda-feira, 8 de março de 2010

Poema "mulher-lua"

A Lua vive, brilhando…
Desde quando? Até quando?

Quem não gosta de ver, numa noite de luar,
aquele brilho, sem par, qu’ilumina o respirar?

É beleza cintilante, que alumia o caminhante;
E sem que isso a comprometa,
Abraça-se ao planeta…

Com o seu ventre crescente, lembra a barriga da mãe,
Que leva dentro a semente, que é o seu maior bem!

Sabe-se que tem quatro caras… que influencia toda a vida…
Dá brilho à nossa dor e alarga nosso sorriso!
Sabem-se coisas tão raras sobre as suas quatro fases,
Que o brilho que dá à Terra, acende nosso sorriso.

O ventre liso da mãe brilha como tu, também!

Em momento de alegria brilhaste nela, marota…
Modificaste o seu dia, dando-lhe nova rota…

Mantém esse teu brilhar…e eu continuarei a viver!


Poema "Ciclo q.c"

Dia Internacional da Mulher: saudação...

Amigos e amigas deste espaço virtual:pensei neste tema,com a intenção de escrever um artigo digno sobre o tema. Mas não estou em estado de saúde e ânimo para escrever muito. Estou deprimida e em tratamento. Mas tenho tantos amigos e amigas que não posso deixar de escrever "duas palavrinhas" ,com um abraço especial para todas as mulheres , neste dia comemorativo, apesar de considerar que todos os dias são dias da mulher. Da mulher -e do homem, por que não?- do homem que ajuda ,ama e respeita esta"outra metade do Universo, sem a qual o Universo não existe!

Poderia falar-vos de tantas boas e más mulheres que fizeram a história do mundo, do mundo antigo e do mundo moderno.Poderia falar-vos da nossa condição de esposas e mães, das nossas virtudes e dos nossos tantos defeitos...

Mas não tenho ânimo para o fazer!Estou mesmo em baixo, a precisar de me integrar num esquema qualquer de voluntariado, para que os dias não pesem tanto.

Falo, por isso, para todas as mulheres que me ajudaram a ser quem sou ... para todas as que, no meio de enormes trabalhos e sofrimentos, continuam a contribuir para que o mundo seja melhor, para todas as que ,todos os dias, no nosso país,fazem contas à vida para manter uma família, nas condições em que sabemos estar a nossa economia.

Abraço-vos ,mulheres como eu, que vos alegrais, muitas vezes no meio do sofrimento.

PERDOEM TÃO POUCAS PALAVRAS PARA UM DIA TÃO GRANDE!

terça-feira, 2 de março de 2010

POEMA: "Alucinação imprevista..."

Foto google



“Alucinação imprevista…”


Sussurros do Mar…
Prelúdios de Amor!

Cantam as águas do oceano
Engrandecido, cobertas de penas
De aves brancas, exóticas,
Entontecidas…

O Sol bate, ardente, nas areias
Cravejadas de brilhantes…

Corpo quente de mulher
Estendido no areal,
Reflecte o calor potente
Do astro- rei, a escaldar…

Batem as águas nas ondas elegantes
De encontro às paredes da rocha potente…

E ela, mulher dormente,
Espreguiça seu corpo dolente
Sob os raios de luz
Estonteante…

Meus pés caminham serenos
Enterrados nas frescas espumas
Que querem chegar às dunas…

Levanta-se o Mistério
Daquele areal,
Com ar sensual…
Dengoso,
Calmo,
Magestoso,
O corpo desnudo
Penetra o mar profundo…

É vela desfraldada
De pureza imaculada!

Foge da falta de sonho
E ambições…
Procura a janela da ilha
A sorrir, onde Portugal há-de chegar…

Mulher-comigo…
Meu presente anelante!
Meu mar claro!
Meu lindo Futuro!

E passo as mãos
Pelo corpo suado,
De tanto lutar contra o Mar!
E ele aceita o suave veludo
Que se desprende…
Que volta ao areal doirado
Despejando mistérios
De olhos molhados…

Quadro impressionista!
Alucinação imprevista…
Que sonho surrealista!

C7G- (OI)-46/52/MRÇ/010

PONTOS SOLTOS...

_ Passar os olhos pelos jornais, no dia a dia, torna-se um exercício cada vez mais penoso, tal o conjunto de notícias que nos amarguram o viver.
João jardim e sócrates, entenderam-se ,em nome da tragédia da Madeira, enterraram "o machado de guerra" e as finanças vão alargar as mãos para bem da Ilha. Pelo menos até João jardim o entender...
-Karadizc lá se resolveu a sentar-se na cadeira do advogado- não do réu!-para se defender do indefensável:como não sabe o que é a vergonha e o humanismo, tenta "tapar" os olhos à justiça, dizendo que as perseguições ,a morte e os assassínios, os milhares e milhares de vítimas que conhecia existirem, o foram numa atitude de auto-defesa!Recordemos que ,durante a guerra da Bósnia (1992-95)houve mais de 100.000 mortos, milhões de desalojados, milhões de traumatizados emocionais ,que ainda hoje não conseguem dormir...
TEM PERDÃO TAL SER?
-Os desempregados são cada vez em maior número ,no nosso país!Quem nos acode, se do governo não há um vislumbre de se estar a pensar em "pôr mãos à obra",para tornar o problema solúvel?
-Há dias ,dei ,aqui, no meu blog, a notícia do "genocídio" contra os livros, praticado pelo Grupo LEYA, que os mandou, com a maior ligeireza, para a guilhotina!
Só hoje, o Prof. Universitário Luís Fernandes, se refere a esse facto, na sua crónica ,na página 37, de "PÚBLICO"! Ainda foi a tempo...

segunda-feira, 1 de março de 2010

POEMA:"Post scriptum..."

foto google



Ah!
E não esqueças, meu amor,
que a força do meu viver
está neste tanto querer,
na força do teu olhar...

Por isso... espero!

Virás... eu sei que virás...

OH! Sorriste...

Eu bem que o pressenti...
Por isso, estou aqui!

domingo, 28 de fevereiro de 2010

FOTO GOOGLE


“DOR…”


O sofrimento do poeta
passa-o ele a quem o lê…
A sua meta, a mensagem,
sente-a quem a vê…
As palavras são doridas…
são mais que isso, sentidas!
com raiz funda no mal da alma,
que aspira ao ideal…
…o grande mistério
de quem forma o seu império!

O poeta também ri!
sobretudo de si próprio…
Tanto o riso como o choro
mostra-os ele, com decoro,
no seu testamento puro,
fruto de um viver duro,
que é o Poema, em si!


C5E-C1A-9/12-SET/07

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

POEMA"PRIMAVERA EM SUSPENSO"...


FOTOS GOOGLE



“Primavera em suspenso…”


Afoita,
Desassombrada
Nas manifestações de alegria,
Aí está a Primavera
Colorindo a luz do dia!

Lânguida se espreguiça,
Com aroma sensual,
Por sob os raios de Sol…

Conhece-os, a Natureza…
Sabe que a Primavera
Anseia pelo abraço quente
Que lhe germina a semente…

Doces dias, em clima de festivo,colorido,
Começam a despontar…

Árvores, flores e aves
Recomeçam a viver
Oscilando, donairosas, entre o torpor do Nascer!

Desprendem-se da Terra os cheiros…
Rebentam, em silêncio, os ventres
Das inchadas sementes do nosso pão…
Estalam ovos nos ninhos,
Alentados pelos suspiros das noites estreladas!
Aquecem as águas dos rios, a correr,
Sob os quentes vapores solares.

Pudesse eu transpor esta Natureza
Firme no seu rejuvenescer
Para a minha POESIA…
Só para a ver viver!

Cheiro as rosas, aliadas das papoilas
Nas nossas vivas searas!

Cheiro o luar subtil
Do qual brota o orvalho, febril,
Alimentando a raiz…

Toco o mundo, num segundo,
Sem tempo para dormir…

Fecho os olhos, por momentos.
Passa um vento delicado
Que me afaga os cabelos.
Saudades dos tempos belos!
Memórias das minhas “ilhas”!


“AMANHÔ,
O VOO DA ÁGUIA ANUNCIARÁ
UMA NOVA PRIMAVERA…


C7G-33/40- (mod) -FEV/10

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

ZECA AFONSO:memórias...

FOTO GOOGLE



Faz hoje, precisamente, 23 anos , que faleceu JOSÉ AFONSO, o ZECA!

Ainda teve a felicidade de assistir aos alvores da madrugada de "25 de ABRIL" ,de 1974, que pôs fim à DITADURA DE 48 anos, contra a qual lutou, durante a sua vida!
Felizmente, não assiste ao estado calamitoso dessa democracia...
Lutou por essa LiBERDADE com a qual sonhava e sonhavam todos os que tinham consciência da essência livre do HOMEM.
A polícia política do tempo antes de 1974, a odiosa PIDE, perseguiu-o de todos os modos!
-"MAS OLHA, ZECA,ESTAMOS ,OUTRA VEZ NO TEMPO DE "OS VAMPIROS"!E FICA A SABER QUE , DA "TROVA DO VENTO QUE PASSA",já só resta um MANUEL ALEGRE ...irreconhecível, meu caro poeta!As tuas BALADAS de COIMBRA continuam, no nosso ÂMAGO, a ser o estímulo para a Liberdade!"-

Zeca Afonso foi, além de poeta e cantor de intervenção, Professor do ensino secundário;mas o regime expulsou-o dessas funções, por ser considerado "subversivo"...

Autor, junto com José Mário Branco da canção "GRÂNDOLA VILA MORENA", recusou o prémio com que ,o então PRESIDENTE da REPÚBLICA , RAMALHO EANES, acabara de o agraciar.
Viveu rodeado de Homens como FAUSTO, VITORINO, FERNANDO ROLIM,ADRIANO CORREA DE OLIVEIRA, JOSÉ NIZA, LUÍS CÍLIA e tantos outros antifascistas e intelectuais que seria difícil encontrar agora...

Haveria tanto a dizer sobre este HOMEM, a sua vida e personalidade, o seu papel na História recente de PORTUGAL...

Retenho ,no cérebro e nas recordações, a sua imagem, que eu via, pouco antes da sua morte, a passear pela FACULDADE de LETRAS DA UNIVERSIDADE DE COIMBRA ou sentado no bar de LETRAS a um canto, observando os novos universitários...

ATÉ SEMPRE, ZECA!

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

POEMA "DAR-SE..."


FOTOS GOOGLE



“DAR-SE…”


Enrodilhada nos braços
Que a cúmplice Noite tece,
Dou meu corpo, nesta Alma
Com que o Amor me aquece…

A teu lado
Aconchegada,
Cubro-me com teu calor
Esperando a alvorada
Que,
Queixosa e amargurada
Inveja o nosso ardor…

Não há mentiras no DAR-SE!

Sem purismos farisaicos
Há Amor a escorrer
Nesta força do Amar-se,
Na ternura do Viver…

E as paredes , tão nossas,
Ouvem os suspiros doces
Da vontade da entrega,
Da alma que, enfim, sossega…

Fora,
O vento uiva apagando nossos ais!

A LUA em QUARTO-CRESCENTE, ajeita-se…
Espera por mais!

Semente do teu Querer
Alia-se ao meu VIVER…

Sem alma ,nada tem força
Na criação!
É como o dia sem tarde,
Ora calma, ora não!

EU e tu
Corpo nu…
Sol e Lua
Se sou tua…

Volta a Primavera!


A Terra espera
A semente
P’ra germinar
A florir…
TAL COMO EU…A SORRIR!



C7G-30/43- DEZ/09(MDS)

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Poema "NÁCAR..."

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“NÁCAR…”


Pérolas
De água salgada
Poisam
Na pele seca, enrugada.

O horizonte
Em fogo
Cheira a incenso

Olhos de navegante
Molhados
De areia de Belém
Perdem-se
Na aura
Da Saudade
Da mulher e da mãe

Horizontes
Sonhos prometidos
Esforços dobrados
Com temor

Adamastor de todos os dias,
Acende a coragem das maresias

Mar intenso
Moldura
De meu país
Em suspenso

Mar
Do tempo lento
Que
A vida prometeu…

Bengala
Do comprimento
Na largura de EXISTIR!
Perde-se a vista
Na montanha
Lá atrás
A chorar…

Singela tremura…
O SONHO?
PERDURA…



C7G- (OI)-45/48- JAN/010

sábado, 20 de fevereiro de 2010

A tragédia da MADEIRA: sentidos pêsames.

Conheço a MADEIRA. Connheço os nossos irmãos madeirenses e, políticas àparte, sinto-os perto de mim, como familiares, com sangue igual ao meu, coração igual ao meu, alegrias e tristezas como as minhas.
Ainda há dias se falava da tragédia no Haiti, que perdurará no tempo.
MAS a MADEIRA toca-nos de mais perto e é impossível passar ,hoje, sem me dirigir a estes nossos irmãos, manifestando o meu pesar pela calamidade que os atingiu.Às famílias que perderam ,mais que os bens materiais! os seus familiares, envio um sentido beijo de tristeza, pelo que aconteceu ,de maneira abrupta.
Sei que os nossos governantes estão já a caminho ,para prestarem homenagem a estes amigos especiais. Sei que, em qualquer situação de calamidade o povo portuguÊs é de uma generosidade cúmplice; sei que todos os que puderem irão contribuir, de qualquer modo, para minorar as faltas materiais e o sofrimento.
O MEU CORAÇÃO CONVOSCO!

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

"INSÓNIAS..."

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INSÓNIAS…


Chove.Sinto-me bem na intimidade do lar. Janelas fechadas, lareira acesa. Fixo a lenha que arde, fulgurantemente, dando-me a segurança de um pijama quentinho, de tons vermelho-amarelados…Ali, ao canto, está o meu aquário, onde os peixinhos, ainda acordados, absorvem, amiúde, a minha atenção. Ali estão todos juntos, mas cada um no seu “agregado familiar”:”zebras” com zebras,”néons com néons, um “beta” de um azul fortíssimo, mais escuro que as águas do mar ou que o azul do céu; o “limpa vidros”, permanentemente agarrado às paredes de vidro, limpa tudo o que seja comestível e o “come-caracóis”mantém as plantas livres desses simpáticos bicharocos, que podem tornar-se uma praga…

Oiço música. Sinead O’CONNOR… “Nothing compares to you”…
Pego num cigarro, maquinalmente e aproximo-me da janela; levanto os estores e dou de caras com a chuva, a “bategar”…
Não posso deixar de dizer que gosto do Inverno, estação do ano que, para mim tem mais magia que os sufocantes dias de Verão, que me não deixam respirar. Amo o Sol, astro-rei, quando não queima e me deixa numa lassidão de impotência.
Continuo com a música da RFM e sinto, para já, o cérebro voluntariamente vazio de ideias…Mas esta sensação é momentânea! A música da chuva a cair, batendo, furiosamente na janela, faz-me lembrar o gozo de FERNANDO PESSOA no poema Interseccionista “Chuva Oblíqua” (parte II) quando diz:”Ilumina-se a igreja por dentro da chuva deste dia, /E cada vela que se acende é mais chuva a bater na vidraça… (…) / Alegra-me ouvir a chuva…E sente-se chiar a água no facto de haver coro… Através da chuva que é ouro tão solene na toalha do altar… (…) “.
A música que oiço abraça o mundo e penso que precisa de irradiar num espaço mais vasto que o do meu próprio cérebro… talvez neste mundo complexo, vário, ruidoso, corrupto, “dividido” (como diz SOPHIA…), mecâ nico, acelerado, diverso, difícil, em que vivemos e onde a música não consegue soltar-se para abraçar os ideais de Paz e Amor.
Impossível, por conseguinte, tal como eu previa, fumar o meu cigarro e ouvir música, sem pôr o cérebro a funcionar! Bem queria repousar das atitudes meditativas… mas, não sendo acéfala, costumo meditar, pensando e assim, sou mais activa do que reactiva! Melhor dizendo: sem pensamento, não há acção nem reacção! Sonho acordada…

Não há vivalma na rua… nem passam carros, nem se ouvem cães a ladrar nem miam gatos…Não há pássaros pelo ar… E quem é que se importa com as alheias meditações?
A noite de tormenta- estranhamente alegra o meu coração, nesta intimidade de quatro paredes. Incongruência? Incoerência?
Não! Questão de carácter que se reflecte no próprio dia a dia quando, a passear ou a caminhar mais naturalmente, viro os olhos mais para o chão que para o ar. Se pensar bem, sei que o mundo exterior está descoberto e que, por isso, a minha arte está em procurar o meu mistério interior.
Mas, em mim, tudo está ligado à infância e à juventude, que não foram momentos de realização interior e sim tormentos massacrantes na constante insatisfação de viver, ao sentir e constatar que não tinha um ombro de pai ou de mãe, para me apoiar.
Atiro impropérios contra essa infância que não o foi, mas que ainda encontro no cheiro da viela, onde continuo a ouvir as vozes do leiteiro e da padeira, que, como se sabe, iam, antigamente, levar-nos esses bens a casa. Fragmentos de mim , unidos na Pessoa que hoje sou…há outros fragmentos, mais duros, de que não quero falar.
O ruído da chuva e esta música acolhedora deveriam ter o dom de abafar tudo o que hoje me veio à memória…Mas é precisamente porque se trata de MEMÓRIA, que eu lembro…É claro que ninguém se importa com esses meus desvarios rememorativos; são problemas meus…
E eu quero ter a consciência do que procuro, do que não encontro, do sossego interior que abarca os respiros do meu viver!
Felizmente , há noites de chuva com música a condizer.Ajudam-me, naturalmente, a procurar o meu próprio “D. Sebastião”… o meu outro EU.
Para me espevitar, desprezo-me ao ir-me abaixo, deste modo tão confessional mas reparo que essa atitude me obriga a reagir…Oiço “Wish you were here”, cantado por alguém que não os “PINK FLOYD”…Decididamente, hoje não virá a lua…E amanhã é outro dia, será outro lado da lua…a vida será novamente maravilhosa, as ruas estarão lavadas, o “Muro de Berlim” já caiu…Georges Bush desapareceu do mapa… POL POT arde nos Infernos…os vampiros de Stephenie Meyer “andam “ à solta no “CREPÚSCULO dos deuses e da lua nova e eu vou ver se durmo, pois daqui a pouco o mundo vai despertar, novamente, para novas tristes realidades…
Até sempre!

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

LITERATURA PORTUGUESA: JOSÉ RÉGIO

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LITERATURA PORTUGUESA
______________________________________________________________________
HOJE: passagem pela obra de JOSÉ RÉGIO (1901-1969)

Notável pensador, crítico literário, ensaísta, escritor e tantas outras coisas importantes para as nossas Letras. Eduardo Lourenço refere-se a JOSÉ RÉGIO (JR), nos seguintes termos, in “Tempo de Poesia”, a páginas 120/121: “Mas alguns, irremediavelmente poetas, ao perder a fé da infância, jamais puderam, porque poetas, perder a infância dessa fé. (…)”
Poeta maior, poeta controverso, principalmente pela coragem assumida em revelar as suas dúvidas religiosas e de fé, JR deve ser lido, com amor e cuidado.
Como os amigos compreenderão, não posso "alargar-me" num artigo deste teor, pelo que me limitarei a dar-vos possíveis “achegas”, a fim de tornar mais fácil a tarefa, a quem tiver naturais dificuldades com esta matéria.
JR foi um artista multifacetado das nossas Letras, tendo passeado a sua genialidade pela Poesia, pelo Drama, pelo Ensaio, pelo Romance, pela Crítica, etc.
Os temas dominantes mais evidentes na Poesia são os de índole metafísica, Deus e as dúvidas do Homem perante a transcendência, o pensamento triste da Morte, fatal e inevitável; trata, ainda, as dicotomias com que cada um de nós se confronta, no dia a dia, como a verdade e a ilusão, a justiça e a injustiça, o bem e o mal, enfim, a frustração da existência:...”Sei que não tenho medo da Verdade” (…)
Advoga, ainda, a temática pessoana do Fingimento poético, verdade essa que se nota no poema “Lúcifer”: “Mas, para que ninguém saiba o que sei, / Mentirei! fingirei! /renunciarei!”
Esta e outras poesias atingem atitudes confessionais, através das quais o poeta põe a nu as suas dúvidas, os seus pensamentos mais íntimos, as críticas, a raiva perante situações de desigualdade, a sordidez de actos que denigrem o homem, como, por exemplo, a prostituição. Esta sua época literária, princípios do séc. XX, foi propícia ao aparecimento de imensas correntes de pensamento, ligadas a outros valores do homem no mundo. Lógico é, portanto, que JR sofresse influências de autores de fora de Portugal, como eram Bergson, Ibsen, Flaubert, Tolstoy, Camilo, João de Deus, António Nobre, etc.
Apesar de todas as dúvidas metafísicas, notam-se marcas dos seus contactos com os Evangelhos, nas suas obras; não ficam de fora impressões sobre a cultura tradicional portuguesa e temáticas do Saudosismo e do Modernismo. Em vários poemas, é notável a temática pessoana do “SER-NÃO-SER”,” o ser outro que já foi ou outro que ainda não é…”( in Introdução a uma obra, posfácio1969, em PDD, PORTUGÁLIA EDITORA, 1970, pág.99 e seg.).
A vida interior e o subjectivismo subjacentes ao ser humano, levam-no a “ver”, em cada um, os sinais contraditórios da nossa personalidade. Isso nota-se, claramente, em “Poemas de DEUS e do DIABO”, de1925. E é a luta entre o poeta e Deus que o persegue por toda a vida:”DESISTO DE TE ACHAR NO QUE QUER QUE SEJA,/de te dar nome, rosto, culto ou igreja…/-TU é que não desistirás de mim!” (IGNOTO DEO, em B.)
Egotista, Régio ignorava os outros e não aceitava os seus testemunhos. Admitiria Deus, como uma certeza, se deus lhe falasse directamente, a ele; aderiria ao cristianismo, se pudesse ver Cristo ressuscitado, com os seus próprios olhos. Mas Deus não lhe responde e fica mudo perante o seu cepticismo. Em “ Poema do silêncio”, diz Régio, a certa altura: “ Senhor meu Deus em que não creio! / Nu a teus pés abro o meu seio:/ Procurei fugir de mim, / Mas eu bem sei que sou meu único fim.”
Em “ O jogo da cabra-cega”, depois de tanto se confrontar com os seus dramas, JR chega a esta conclusão:”Assim, através do conhecimento de mim, se me revelava a humanidade. E assim se me revelou DEUS!”.
Esse seu humanismo iria provocar nele um modo peculiar de ver os outros, revelando uma vertiginosa simpatia para com os humilhados e sofredores, os ofendidos e os indignados, de quem o poeta se sente irmão, nas adversidades. As monstruosidades vulgares que lhe permitem compreender e aceitar que, afinal, sempre tem que caminhar com os outros, advém do reconhecimento da desgraça, da miséria, da opressão, das injustiças e dos vícios, em geral. É então que deparamos com o maravilhoso “Cântico Negro”: “Vem por aqui”- dizem-me alguns com olhos doces… (…) E nunca vão por ali…/ (…) Não, não vou por aí! Só vou por onde/ Me levam meus próprios passos (…) Ide! tendes estradas,/ tendes jardins, tendes canteiros,/ Eu tenho a minha Loucura! Deus e o Diabo é que me guiam, mais ninguém. Todos tiveram pai, todos tiveram mãe; Mas eu que nunca principio nem acabo, nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.(…) Não sei por onde vou, /Não sei para onde vou, / -Sei que não vou por aí!”
O cristianismo da sua infância, folclórico e simplista, no modo como ele o entendia, sem bases teológico-científicas, se, por um lado, quase não resistiu à sua intelectualidade, também não o abandonou completamente. Palpitou-lhe na mente e no coração e fez com que a sua luta fosse, do princípio ao fim, uma busca bem como uma rejeição, constantes, de Deus.
Viveu, Régio, por várias décadas, em Portalegre, onde foi Professor também. Essa extraordinária vivência, na duplicidade Homem-Professor, retrata-a ele, em pujança, no poema “Toada de Portalegre”: (…) Em Portalegre, dizia, / Cidade onde então sofria/ Coisas que terei pudor/ De contar seja a quem for…/ E era, então, que sucedia/ Que em Portalegre…- A minha acácia crescia…”
O poema é belíssimo, mas muito grande; é, como disse, o retrato de parte da vida de Régio, como homem, como ser que se interroga…É, como ele se auto caracteriza, “o retrato de um ser só, nulo, atónito, que vivia como um AUTOCADÁVER”.

Mª Elisa Rodrigues Ribeiro