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terça-feira, 14 de setembro de 2010

POEMA: SONHEI? Não sei...

FOTO GOOGLE



Sonhei?Não sei...

Sorris, amor,
...no dormir
o sono repousado,
do guerreiro lutador...

Com os olhos do coração
espreito os movimentos
lentos...
do teu arfar
num calmo respirar
de emoção...

DEIXO-TE REPOUSAR...

Faço o café
da manhã,
cujo odor desperta teus sentidos,
vivos,
na intimidade sã...

Deito-me a teu lado.
Olho-te, despudorada, na curiosidade
do amor ardente,
nú,
inocente?
...nem por isso...
Dei -te um viver
submisso,
na noite escaldante...

Não vejo o ar
que respiras...
Vejo a mão
que, com carinho,
se estende
no nosso ninho,
procurando a tua flor...

Meu corpo ondulante,
como barco navegando
ao sabor do vento,
ondeou, oscilante,
em teu corpo refrescante...
Aos poucos,
tomou alento
na força da maré,
no tal doce Momento!

Se fui feliz?
JURO QUE SIM!...
...mesmo se sei
que sonhei...

SONHEI?
OH, CÉUS...já nem sei...

C8H-47-116 (mqc)---AGT/010

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

POEMA:...Orvalho da noite...

foto google



Recordo, lentamente, sem que a Razão o impeça,
que me fui envolvendo na magia da tua imagem,
da tua ternura...da tua aura ...espessa...

Aconteceu o milagre,
quando passei as barreiras do Tempo!

Foi de êxtase, o Momento!

O abismo da memória não deixou
que saísses do meu encanto...

Foste a manhã clara
e eu, a relva molhada, do teu orvalho da noite...
De forma arrebatadora,
a beleza desse VIVER permanece fechada
no meu Dentro...no MEU-DE -MIM!

É comovente o sussurro da tua fala
que mantenho no ouvido, depois de ter Acontecido...
...é BACH...GOUNOD... AVÉ - MARIA...
é tela de primorosa pintura
que recordo, com doçura,
na pessoa da LUA, que me bate à janela...já encerrada,
nesta noite escura...

O milagre do teu corpo quente
permanece, atento ao meu despertar...

Vela do meu navio, não me deixes naufragar
quando rumarmos ao céu!

O Zumbido do LUAR põe-nos a ofegar, no VIVER...

Entrelaço os dedos, ao recordar teus segredos...
Molho os lábios, sedentos de ti, na secura do Tempo...
Ajeito meus cabelos, recordando o bulir do teu Ser...
Sinto pertencer aos teus elementos naturais
...e sou Terra...Ar...Água e FOGO...
...e anseio o teu suspirar...

Foste um Vento ,com magia,
que 'inda agora assobia...

Onde estás?
Como te perdeste do teu céu de cores...
eu...tua aurora boreal?

Volto ao sacrário de Amor,
coberto pela Lua Cheia, cada vez mais vazia...
Aspiro...respiro...suspiro...
Vale a pena navegar para poder encontrar-te?
Não... não falo "dessa outra parte"...

Vejamos qual de nós sai dos elos de ferro
com que prendemos a guerra, dentro de nós!
Eu espero...
E o som da Noite pede-me que fique atenta!

ESTREMECI!ACORDEI...
ESTÁS TÃO LONGE DO MEU LUAR...



C8H-74/ (mqcrt)-SET/o10

terça-feira, 2 de março de 2010

POEMA: "Alucinação imprevista..."

Foto google



“Alucinação imprevista…”


Sussurros do Mar…
Prelúdios de Amor!

Cantam as águas do oceano
Engrandecido, cobertas de penas
De aves brancas, exóticas,
Entontecidas…

O Sol bate, ardente, nas areias
Cravejadas de brilhantes…

Corpo quente de mulher
Estendido no areal,
Reflecte o calor potente
Do astro- rei, a escaldar…

Batem as águas nas ondas elegantes
De encontro às paredes da rocha potente…

E ela, mulher dormente,
Espreguiça seu corpo dolente
Sob os raios de luz
Estonteante…

Meus pés caminham serenos
Enterrados nas frescas espumas
Que querem chegar às dunas…

Levanta-se o Mistério
Daquele areal,
Com ar sensual…
Dengoso,
Calmo,
Magestoso,
O corpo desnudo
Penetra o mar profundo…

É vela desfraldada
De pureza imaculada!

Foge da falta de sonho
E ambições…
Procura a janela da ilha
A sorrir, onde Portugal há-de chegar…

Mulher-comigo…
Meu presente anelante!
Meu mar claro!
Meu lindo Futuro!

E passo as mãos
Pelo corpo suado,
De tanto lutar contra o Mar!
E ele aceita o suave veludo
Que se desprende…
Que volta ao areal doirado
Despejando mistérios
De olhos molhados…

Quadro impressionista!
Alucinação imprevista…
Que sonho surrealista!

C7G- (OI)-46/52/MRÇ/010

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Poema "NÁCAR..."

FOTO GOOGLE



“NÁCAR…”


Pérolas
De água salgada
Poisam
Na pele seca, enrugada.

O horizonte
Em fogo
Cheira a incenso

Olhos de navegante
Molhados
De areia de Belém
Perdem-se
Na aura
Da Saudade
Da mulher e da mãe

Horizontes
Sonhos prometidos
Esforços dobrados
Com temor

Adamastor de todos os dias,
Acende a coragem das maresias

Mar intenso
Moldura
De meu país
Em suspenso

Mar
Do tempo lento
Que
A vida prometeu…

Bengala
Do comprimento
Na largura de EXISTIR!
Perde-se a vista
Na montanha
Lá atrás
A chorar…

Singela tremura…
O SONHO?
PERDURA…



C7G- (OI)-45/48- JAN/010

sexta-feira, 29 de maio de 2009

”APELOS DA NATUREZA…”




Pensamentos como que “enviesados” levam-me a penetrar naquele pinhal a que nunca dei grande importância…
É verdade que julgo haver um momento próprio para darmos às coisas o valor que elas têm. Foi, provavelmente, um apelo da Natureza agreste, no seu cheiro peculiar a urzes, giestas, resina, folhas secas de pinheiro e pinhas a cair…
O chão, pejado de restos da natureza, cheira ao meu apetite de desvendar outros segredos…
Talvez seja outro daqueles momentos pensativos…
O sol brilha. Corre um arzinho fresco nesta linda tarde de Maio…ainda não muito quente, parecendo feliz com o bem estar de quem o goza, em plenitude.
Vejo os raios de sol a brilharem por entre as árvores das quais pendem pinhas, grávidas de frutos. Aqui e ali, os pinheiros que arderam cederam o lugar a restolho roxo com ar de urzes e giestas brancas e amarelas, formando, sem o saberem, um tapete “persa”, quase só meu… que me convida a um repouso de sons e cores extasiantes.Confesso-me apaixonada pela beleza daquela serra, lá no Caramulo! E sinto que não há aqui lugar para nenhum tipo de solidão, porque até a solidão está acompanhada por esta beleza, difícil de se ver noutro lugar, que não este mesmo!
Os anjos e santos doutros paraísos abrem uma janela furtiva, por entre as disfarçadas nuvens, para contemplarem, com inveja e ciúmes, a paz do espaço que não podem compartilhar comigo!
Nos campos, aqui ao pé, continuam os trabalhos rurais da época, feitos hoje com tractor. Ao longe, o casario parece adormecido… já não há fumo a sair das chaminés…Lembro outros tempos, os da minha infância, da minha pequenez no meio disto tudo, quando o fumo se confundia com o nevoeiro e enganava os incautos que se atrasavam no apalpar da terra, com o peso das enxadas…

A minha caneta, cheia da vida que eu lhe transmito, põe-se a caminho e começa a escrever todos estes pensamentos. Prodigiosa paisagem colorida é, igualmente, a do meu próprio pensamento, livre, relaxado e voluntarioso, nesta hora de “comunhão”… O ar, em música, afaga-me os cabelos. E eu seria desonesta se hoje, aqui e agora, permitisse à minha caneta que expusesse, despudoradamente, algum sentimento de amargura! “Hoje não, minha velha amiga! Afasta-te de tormentos existenciais e vive comigo a alegria destas horas de tojos, urzes, pássaros no ar, bichos-de-conta apressados, papoilas rubras inchadas de amor…”

Andam por aí, à solta, cheiros de flores que atraem abelhas aos cortiços…
Feliz, sem sombra de melancolias, repousada no meu interior saudável, pego nas minhas “riquezas” pessoais e meto-me a caminho. Pararei no café de sempre para beber a “bica” de sempre…

Senti que a vida me deu o braço, me ajudou a levantar e quer acompanhar-me a casa. Vou com ela, segura de que, hoje, dobrei um dos meus “cabos das tormentas…