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segunda-feira, 6 de setembro de 2010

POEMA:...Orvalho da noite...

foto google



Recordo, lentamente, sem que a Razão o impeça,
que me fui envolvendo na magia da tua imagem,
da tua ternura...da tua aura ...espessa...

Aconteceu o milagre,
quando passei as barreiras do Tempo!

Foi de êxtase, o Momento!

O abismo da memória não deixou
que saísses do meu encanto...

Foste a manhã clara
e eu, a relva molhada, do teu orvalho da noite...
De forma arrebatadora,
a beleza desse VIVER permanece fechada
no meu Dentro...no MEU-DE -MIM!

É comovente o sussurro da tua fala
que mantenho no ouvido, depois de ter Acontecido...
...é BACH...GOUNOD... AVÉ - MARIA...
é tela de primorosa pintura
que recordo, com doçura,
na pessoa da LUA, que me bate à janela...já encerrada,
nesta noite escura...

O milagre do teu corpo quente
permanece, atento ao meu despertar...

Vela do meu navio, não me deixes naufragar
quando rumarmos ao céu!

O Zumbido do LUAR põe-nos a ofegar, no VIVER...

Entrelaço os dedos, ao recordar teus segredos...
Molho os lábios, sedentos de ti, na secura do Tempo...
Ajeito meus cabelos, recordando o bulir do teu Ser...
Sinto pertencer aos teus elementos naturais
...e sou Terra...Ar...Água e FOGO...
...e anseio o teu suspirar...

Foste um Vento ,com magia,
que 'inda agora assobia...

Onde estás?
Como te perdeste do teu céu de cores...
eu...tua aurora boreal?

Volto ao sacrário de Amor,
coberto pela Lua Cheia, cada vez mais vazia...
Aspiro...respiro...suspiro...
Vale a pena navegar para poder encontrar-te?
Não... não falo "dessa outra parte"...

Vejamos qual de nós sai dos elos de ferro
com que prendemos a guerra, dentro de nós!
Eu espero...
E o som da Noite pede-me que fique atenta!

ESTREMECI!ACORDEI...
ESTÁS TÃO LONGE DO MEU LUAR...



C8H-74/ (mqcrt)-SET/o10

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Poema: NOITE DE ENGANOS...


FOTOS GOOGLE



Os meus sonhos,
trocou-os a NOITE,dona e senhora,
sem pedir permissão!
Eram sonhos lindos, cheios de EMOÇÃO!

Enganou-me!
Falei-lhe de AMOR, de magia
e duma estranha melancolia,
que o Vento trazia no VENTRE...

Ajudada pela LUA, sua companheira eterna,
no silêncio escuro de uma luz que me não vê,
que me não sente,
que os sonhos meus não lê, trocou o meu aspirar
a seu bel prazer, sem em mim pensar...

Minh'alma, sozinha na noite escura do NADA,
permanece a meu lado, esperando ,comigo,
o momento do Sonho a VIVER...

As estrelas ,luminosas,
esbatem o seu brilho
no escuro do meu Sofrer,
a esperar...

Oiço um lento cavalgar...
Meu coração acelera...
É o meu SONHO a Vencer
na Noite da longa espera!

Vou no dorso de PÉGASO...
voo nas asas do VENTO!
Lesta, avança a Magia
direita ao teu Pensamento...

Meus sentidos(doce espera...)
livres na VIDA -POESIA,
não querem ouvir mais nada,
que palavras de sensual melodia...

Geme a noite, em perene frustração.
VENCI...DESTA VEZ, EU...!
Realiza-se magia no som da minha respiração,
na vivência desta Urgência...
...no fascínio da ILUSÃO!

Acomodo-me...abarco teus braços...suo de cansaço...
dou-me à Imaginação...


Mª ELISA C8H- 115/26-JNH/010

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

"INSÓNIAS..."

FOTO GOOGLE



INSÓNIAS…


Chove.Sinto-me bem na intimidade do lar. Janelas fechadas, lareira acesa. Fixo a lenha que arde, fulgurantemente, dando-me a segurança de um pijama quentinho, de tons vermelho-amarelados…Ali, ao canto, está o meu aquário, onde os peixinhos, ainda acordados, absorvem, amiúde, a minha atenção. Ali estão todos juntos, mas cada um no seu “agregado familiar”:”zebras” com zebras,”néons com néons, um “beta” de um azul fortíssimo, mais escuro que as águas do mar ou que o azul do céu; o “limpa vidros”, permanentemente agarrado às paredes de vidro, limpa tudo o que seja comestível e o “come-caracóis”mantém as plantas livres desses simpáticos bicharocos, que podem tornar-se uma praga…

Oiço música. Sinead O’CONNOR… “Nothing compares to you”…
Pego num cigarro, maquinalmente e aproximo-me da janela; levanto os estores e dou de caras com a chuva, a “bategar”…
Não posso deixar de dizer que gosto do Inverno, estação do ano que, para mim tem mais magia que os sufocantes dias de Verão, que me não deixam respirar. Amo o Sol, astro-rei, quando não queima e me deixa numa lassidão de impotência.
Continuo com a música da RFM e sinto, para já, o cérebro voluntariamente vazio de ideias…Mas esta sensação é momentânea! A música da chuva a cair, batendo, furiosamente na janela, faz-me lembrar o gozo de FERNANDO PESSOA no poema Interseccionista “Chuva Oblíqua” (parte II) quando diz:”Ilumina-se a igreja por dentro da chuva deste dia, /E cada vela que se acende é mais chuva a bater na vidraça… (…) / Alegra-me ouvir a chuva…E sente-se chiar a água no facto de haver coro… Através da chuva que é ouro tão solene na toalha do altar… (…) “.
A música que oiço abraça o mundo e penso que precisa de irradiar num espaço mais vasto que o do meu próprio cérebro… talvez neste mundo complexo, vário, ruidoso, corrupto, “dividido” (como diz SOPHIA…), mecâ nico, acelerado, diverso, difícil, em que vivemos e onde a música não consegue soltar-se para abraçar os ideais de Paz e Amor.
Impossível, por conseguinte, tal como eu previa, fumar o meu cigarro e ouvir música, sem pôr o cérebro a funcionar! Bem queria repousar das atitudes meditativas… mas, não sendo acéfala, costumo meditar, pensando e assim, sou mais activa do que reactiva! Melhor dizendo: sem pensamento, não há acção nem reacção! Sonho acordada…

Não há vivalma na rua… nem passam carros, nem se ouvem cães a ladrar nem miam gatos…Não há pássaros pelo ar… E quem é que se importa com as alheias meditações?
A noite de tormenta- estranhamente alegra o meu coração, nesta intimidade de quatro paredes. Incongruência? Incoerência?
Não! Questão de carácter que se reflecte no próprio dia a dia quando, a passear ou a caminhar mais naturalmente, viro os olhos mais para o chão que para o ar. Se pensar bem, sei que o mundo exterior está descoberto e que, por isso, a minha arte está em procurar o meu mistério interior.
Mas, em mim, tudo está ligado à infância e à juventude, que não foram momentos de realização interior e sim tormentos massacrantes na constante insatisfação de viver, ao sentir e constatar que não tinha um ombro de pai ou de mãe, para me apoiar.
Atiro impropérios contra essa infância que não o foi, mas que ainda encontro no cheiro da viela, onde continuo a ouvir as vozes do leiteiro e da padeira, que, como se sabe, iam, antigamente, levar-nos esses bens a casa. Fragmentos de mim , unidos na Pessoa que hoje sou…há outros fragmentos, mais duros, de que não quero falar.
O ruído da chuva e esta música acolhedora deveriam ter o dom de abafar tudo o que hoje me veio à memória…Mas é precisamente porque se trata de MEMÓRIA, que eu lembro…É claro que ninguém se importa com esses meus desvarios rememorativos; são problemas meus…
E eu quero ter a consciência do que procuro, do que não encontro, do sossego interior que abarca os respiros do meu viver!
Felizmente , há noites de chuva com música a condizer.Ajudam-me, naturalmente, a procurar o meu próprio “D. Sebastião”… o meu outro EU.
Para me espevitar, desprezo-me ao ir-me abaixo, deste modo tão confessional mas reparo que essa atitude me obriga a reagir…Oiço “Wish you were here”, cantado por alguém que não os “PINK FLOYD”…Decididamente, hoje não virá a lua…E amanhã é outro dia, será outro lado da lua…a vida será novamente maravilhosa, as ruas estarão lavadas, o “Muro de Berlim” já caiu…Georges Bush desapareceu do mapa… POL POT arde nos Infernos…os vampiros de Stephenie Meyer “andam “ à solta no “CREPÚSCULO dos deuses e da lua nova e eu vou ver se durmo, pois daqui a pouco o mundo vai despertar, novamente, para novas tristes realidades…
Até sempre!

domingo, 6 de setembro de 2009




A noite chama...Chama a todo o tipo de meditações:ao amor .à justiça, ao fim das guerras, à preservação do ambiente, à resistência...Por vezes ,é perigoso dormir na "paz dos anjos"

terça-feira, 17 de março de 2009

Meditação...(I)


São onze horas da noite. Esta é uma hora propícia à meditação. Sinto-me só. Puxo de uma cadeira e sento-me a observar quem anda, ainda, por fora de casa, a aliviar as pressões dum dia de trabalho, que, nos tempos que correm, se adivinha sempre mais difícil. Há um silêncio repousante, cortado, de quando em vez, pelo barulho dos carros que se movem, em direcções que ignoro, mas que compreendo, como ser humano que vive e medita.
Acompanha-me, nesta viagem interior, a luz brilhante da lua que se socorre do brilho das estrelas, para me ajudar na tarefa da profunda viagem dentro de mim. Ajudo-me com o
brilho duma estrela, que se evidencia, qual "super model" do espaço sideral...
Não há nuvens; o dia promete ser, amanhã, outra vez, quente e luminoso.
Cansei-me, terrivelmente, hoje, a nível intelectual. As notícias não ajudam a ver o mundo melhor e deprimem-me. Fujo delas e pego num livro, para encontrar ajuda espiritual. É dificil fechar os olhos, para não pensar nos dramas da humanidade. Toca a sirene dos bombeiros... Lá está...é dificil concentrar-me em mim, quando sinto o sofrimento alheio num simples, dramático, aviso de perigo!
Sinto que os sentimentos se tornam mais complexos, num mundo cheio de ruído, que disfarça a verdade e dilui o essencial. Estes momentos de meditação são a minha procura do meu "Graal", a minha lança sagrada, no espaço meu circundante...
E temo que não me encontre...e que também não o encontre, a ele, o "Graal"! Não me sinto um GALAAZ...
Irei andando neste meu reino de Camelot, onde procurarei ser o Rei Artur do meu pequeno mundo. Espero que não se rompa o círculo sagrado em torno do meu EU...