quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Sobre o naufrágio ,na Figueira da Foz- Portugal!


"Pareceu-me que demoraram anos a chegar à balsa de salvamento"


por Joana CapuchoHojeComentar




Sobreviventes, familiares e amigos dos pescadores criticam socorro. Autoridade Marítima garante que usou meios possíveis.


"Pareceu-me que demoraram anos a chegar à balsa salva-vidas. Temi o pior. Gritávamos para quem estava no molhe, mas ninguém nos ia buscar." Adriano Conceição, um dos dois pescadores sobreviventes do naufrágio do arrastão Olívia Ribau, na Figueira da Foz, partilhou com o DN o "filme de terror" que viveu dentro de água à espera de salvamento. "Se houvesse meios de socorro, o Joaquim não tinha morrido", garantiu, ainda visivelmente emocionado. A tragédia aconteceu na terça-feira ao final da tarde e à hora do fecho da edição continuavam quatro pessoas desaparecidas.

Quando a embarcação se virou, Adriano, 37 anos, e o irmão, Paulo Conceição, de 44, saltaram para a água e esperaram pelos meios de salvamento na balsa. A vítima mortal, Joaquim Comboio, 57 anos, "ficou mais de uma hora agarrado ao barco a pedir ajuda", mas acabou por falecer. "Dizia-me que não sabia nadar e pedia-me para o ir buscar, mas eu não tinha como o fazer", recordou Adriano. Os quatro desaparecidos - Rui Ramalho, Arménio Tarralheiro, Adriano Comboio e Joaquim Mendonça - terão ficado dentro da embarcação.

"Estávamos a cinco minutos dos meios de socorro. Porque demoraram tanto a chegar?", questionou Adriano Conceição. Familiares e amigos das vítimas também não pouparam críticas à forma como decorreu a operação de salvamento. "Os meios não agiram. É preciso coragem para ouvir os homens a gritar e não os acudir", desabafou Natália, prima de Arménio, um dos desaparecidos. A chorar e de olhos postos no mar, disse acreditar que o primo ainda estava no arrastão: "Precisam de retirar o barco para recuperarem os corpos."

Apesar das críticas, o porta-voz da Autoridade Marítima garantiu, ontem, que a mota de água que resgatou com vida Adriano e o irmão era "o único meio possível" de ser utilizado, pois qualquer outro seria "suicídio". Segundo Nuno Leitão, se fosse usado qualquer meio com hélices "iríamos ter mais vítimas". A mota terá saído da marinha mais de uma hora após o naufrágio, "o tempo necessário para aferir as condições" de atuação.

O agente da polícia marítima que tripulou a mota, Carlos Santos, partilha da opinião de que não poderia ter sido usado qualquer outro meio. A residir na Figueira da Foz, o agente, que trabalha no comando local de Aveiro, foi chamado pelo comandante do Porto da Figueira da Foz para participar nas operações, pois possui formação e experiência de salvamento. "Meti-me na moto de água, vim junto da barra, analisámos todos em conjunto as situações e a uma determinada altura conseguiu-se avistar a balsa e aproximei--me", afirmou.

Ler Artigo Completo (Pág.1/2)

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