quinta-feira, 15 de outubro de 2015

POEMA



Poema

DISSIDÊNCIAS

Afirmo-me dissidente das palavras acomodadas
que correm o risco de não voar nas asas das folhas,
levadas pela força desenfreada de destemidas nortadas.


Construo-me
através do sangue quente dos dedos,
que caminha pelas folhas de apontamentos,
como quem desenha mensagens dos pensamentos.

Construo-me
nas verdades do Lá-Longe------por cima de mares turbulentos-
a-Oriente------aos pés de palmeiras imponentes-------
E Cá-Perto, no Eu-Consciente das caminhadas penitentes,
sou dissidente dos dias em que as manhãs não brilham
como Palavras,
nas coloridas asas das aves, que ligam todos os continentes.

Sou dissidente das noites sem a música dos raios da Lua/
que caem esbranquiçados no negro tapete de uma janela sideral/
a encobrir astros brilhantes/ a quem roubam toda a beleza universal.
Sou dissidente das dores da Humanidade
que não servem
o amor ao pequeno almoço dos dias,
porque carregadas de tristeza negra das noites frias.

Não perco de vista o mar a trepar encostas
com novas propostas de renovação de um vocabulário
que parou nas ondas dos séculos / e continua a galgar distâncias
em equações demasiado difíceis para o meu léxico /

Maria Elisa Ribeiro
OUT/015

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