
Costa não rompeu, Passos longe do seu melhor
ANTÓNIO LOBO XAVIER
09/09/2015 - 22:39
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PS
Pedro Passos Coelho
Troika
António Costa
partidos e movimentos
Nunca acreditei que uma parte significativa dos eleitores estivesse à espera deste debate para se decidir.
Mas também acho que seria lamentável para a democracia portuguesa que ele não tivesse ocorrido: estes são realmente os grandes protagonistas do próximo futuro e a verdadeira alternativa – que poderíamos sintetizar na dualidade "persistência prudente" versus "ruptura possível" – encontra nos respectivos discursos a corporização mais evidente.
Por isso, também, os dois líderes optaram por colar o adversário a símbolos muito gráficos: Passos foi colado à troika, Costa a Sócrates e ao Syriza.
Mas o debate era ostensivamente decisivo para Costa: não apenas porque ele atacava, e o primeiro-ministro defendia, mas também por causa das condições em que António Costa chegou à liderança do PS e da dureza dos números revelados pelas sucessivas sondagens. Qualquer das sondagens disponíveis transforma Costa num grande derrotado; Passos, pelo contrário, apresenta números que espantam muitos dos que observaram estes quatro anos com atenção.
Nesse sentido, António Costa, tendo estado bem, não rompeu, mesmo diante de um Passos Coelho que esteve longe do seu melhor. O impacto foi, assim, neutro, também porque as circunstâncias históricas desta legislatura tornam a opção muito clara: ou se entende que a gestão da recuperação de Portugal, na sequência da intervenção da troika, foi apesar de tudo meritória, e coloca o país numa linha de esperança sólida; ou se entende que a terapêutica foi errada, produziu sacrifícios inaceitáveis e evitáveis, e que não há risco para o futuro em suavizar a consolidação da dívida e do orçamento. Suspeito, por isso, que a indecisão dos eleitores está muito sobrestimada…
Os jornalistas estiveram todos em plano bem elevado.
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