Fisicamente, nem Passos nem Costa cometeram “grandes erros”
HUGO TORRES
10/09/2015 - 00:17
O especialista em comunicação corporal Rui Mergulhão Mendes diz que, deste ponto de vista, não houve um vencedor no debate. Mas, sobretudo, “não houve um grande derrotado”.
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Pedro Passos Coelho não conseguiu evitá-lo: no primeiro e último debate a dois com o seu principal oponente, o socialista António Costa, o primeiro-ministro começou com “desprezo”. É uma das suas características “negativas”, a “expressão simétrica da face”, que denota a forma enfadada com que encara os adversários e os argumentos com que é confrontado.
Costa, por outro lado, entrou “mais nervoso, a falar mais rápido, mais disposto ao despique”. É ele quem desafia Passos em São Bento, é ele quem não tem conseguido descolar nas sondagens depois de quatro anos de austeridade, e é ele que tem a sombra de Seguro. Precisou de tempo para se equilibrar e crescer no debate. E cresceu, garante Rui Mergulhão Mendes.
Este especialista em linguagem corporal, numa breve análise aos aspectos não-verbais do debate, diz ao PÚBLICO que “nenhum dos candidatos cometeu grandes erros” e, mais do que a ausência de um vencedor, destaca que “não houve nenhum grande derrotado” na noite desta quarta-feira no Museu da Electricidade, em Lisboa.
Mergulhão Mendes recorda que o primeiro grande debate político televisionado, o célebre Kennedy vs. Nixon, em 1960, custou a derrota ao candidato republicano naquela eleição norte-americana – que apareceu tenso, nervoso e suados aos telespectadores. Neste Passos vs. Costa, ambos os candidatos “pareceram confiantes”.
“No geral, foi um debate com respeito e os candidatos foram congruentes entre o que disseram e a comunicação não-verbal”, diz. “O grande momento de crispação aconteceu, talvez, quando António Costa apontou o dedo em riste. Pedro Passos Coelho reagiu.” De qualquer forma, alerta Rui Mergulhão Mendes, “há aspectos a melhorar”.
O especialista nota que o desemprego e a Segurança Social eram temas difíceis para Passos Coelho – no primeiro caso, “afastou tanto as mãos que elas desapareceram do ecrã”; no segundo, “projectou o corpo para a frente, o queixo”, desconfortável. Por vezes fazia asserções afirmativas que negava com a cabeça. “As pessoas não sabem se acreditam no que estão a ouvir ou no que estão a ver.” Por outro lado, quando falou sobre a troika, o seu comportamento demonstrava querer “pacificar um tema de confronto”.
Quanto a António Costa, Mergulhão Mendes registou “várias hesitações” na resposta à pergunta sobre se se arrependia de algo que tivesse dito ou feito no último ano. Respondeu “confiante, mas olhando sempre para o lado”. “Não deu informações fidedignas.”
Agora, segue-se a campanha, os comícios, a rua. E, aí, Passos está em desvantagem, acredita Mergulhão Mendes. E explica: “António Costa comunica muito melhor na rua. Passos Coelho curva-se, fecha-se – talvez devido à sua altura –, e isso é mau. Se for esperto, pode apanhar uma boleia de Paulo Portas, que é um animal da comunicação.”
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