quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Opinião "DN"






Ecos do além (da 'troika')


por JOÃO TABORDA DA GAMAHoje




O debate entre Passos Coelho e António Costa, num cenário pavoroso e com uma iluminação fantasmagórica, foi ganho por José Sócrates. Sempre na boca de ambos, apareceu até numa foto mostrada por Costa, e sentia-se sobretudo omnipresente no eco do estúdio. Passos perdeu na prestação televisiva da resposta rápida e da entoação ensaiada, da pose das mãos, do peito aberto. Passos foi Passos, a responder a tudo de forma longa e explicada, num tom monocórdico. Mas por isso ganhou, ganhou porque foi igual a si próprio e é disso que o seu povo gosta. A mensagem foi a de sempre: herdámos, resolvemos, semeámos, vamos colher juntos. Costa também foi igual a si próprio, aparentemente inabalável pelas sondagens, repetiu a mensagem dos cortes, da pobreza, do ir além da troika. Exagerou na colagem do PSD à troika, quase parecia ter sido Passos a chamar a troika. Falou de uma nova política, de uma alternativa. Mostrou papéis, levou uma pasta, quis ser o homem dos dossiês. Passos colou Costa a Sócrates, muito. Pouco ao Syriza, quando seria mais fácil. Costa foi deselegante com Sócrates, ao sugerir desdenhosamente que Passos o visitasse. Passos estava irritado, não nervoso, mas irritado, com aquela irritação a lembrar Cavaco nos debates. É uma forma de desprezo pelo adversário. Costa mostrou o mesmo desprezo mas através de sobranceria. Costa tentou empatia lá para casa, não colou. Puxaram dos galões, Costa da câmara, Passos do país. Reduzi a dívida da câmara em 40%, diz Costa. Isso foi com os terrenos que lhe comprámos, diz Passos. O país está pior do que em 2011, diz Costa. Está melhor, diz Passos. Muito sabem que o país está hoje melhor, e alguns começam a senti-lo. A questão central é quem querem ter ao volante nessa recuperação, se o mesmo, se um novo comandante. Mas para isso ficar esclarecido faltaram muitas coisas no debate: faltou reforma do Estado, faltou Europa, faltaram migrantes, faltou reestruturação, faltou educação, faltou justiça, faltou agenda digital. Muito passado, pouco futuro. BES a mais, CGD a menos. E faltou saber com quem nos vai governar quem nos vai governar. Saber se Passos participaria num bloco central, por exemplo, ou se Costa se aliaria aos blocos. Ou se governando em minoria, em que cederiam. Mas quanto a isso ambos tinham a resposta treinada: prognósticos só no fim do

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