terça-feira, 15 de março de 2011


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LITERATURA PORTUGUESA: O ROMANTISMO


“ E se adormecesses? e se, no teu sono, sonhasses? E se, nesse sonho, subisses ao céu e ali colhesses uma estranha e bela flor? e se, ao acordares, tivesses na mão essa bela flor? ah…como seria, então?!...”
Esta é uma frase do poeta inglês S. Coleridge a tentar definir o que sentia, em relação a esta corrente literária do século XIX, da LITERATURA EUROPEIA.
É impossível a um professor de PORTUGUÊS, falar do Romantismo no seu país, sem preparar o leitor com visões globais do tema, que abrangem, logicamente, outros países da Europa, pelo menos. Assim sendo, antes de tocar as obras de Alexandre Herculano e de Almeida Garrett, vou “passear” pelo tema, generalisticamente.
A ideia de Romantismo está ligada a uma tentativa de poetas e autores dos últimos anos do século XVIII, de voltarem as costas, definitivamente, aos modelos da Literatura Clássica, velha de 300 anos, quase, inspirando-se, não na Natureza de HORÁCIO (clássico da Antiguidade), mas na Natureza”viva”, tal qual a viam e sentiam.
(Um aparte: ler “EURICO, o PRESBÍTERO”, de ALEXANDRE HERCULANO (A.H), é disso a prova!)
Continuando: o sentimento novo passa, desde o século em questão, a marcar a poesia e os escritos de consagrados autores, substituindo as temáticas e as estruturas, gramaticais, inclusive e sobretudo! dos gregos e romanos, tidas, até então, como as mais puras, correctas e verdadeiras.
A revolução literária deixa-se arrastar pela paixão por temas populares, exóticos e medievais, pelo extremo amor à LIBERDADE, pela supremacia do “EU” como medida do Universo, pelo fascínio da MORTE, dos abismos, do NADA (ver sonetos de BOCAGE, pré-romântico) …Itália, França, Alemanha e Portugal perdem-se de amores pela nova estética literária, que, com o tempo alastra a toda a Europa e a grande parte do mundo das Letras, de então.Na Alemanha, Goethe arrebata com “WERTHER”; os irmãos Schlegel, Heine, Kleiss, Hoffmann e Hardenber perdem-se pelos caminhos da Noite, da morte libertadora, do NADA…
Em Inglaterra, onde estiveram exilados Herculano e Garrett, a efervescência dos novos motivos literários surge com Tkompson, Coleridge,Young, Wordsworth, Walter scott, Byron, etc, escreveram textos ,que inda hoje lemos, sobre misticismo, lendas, fantasmas, o fascínio da noite, os segredos mórbidos e tétricos das pedras de castelos abandonados ,no meio de montanhas e florestas, íngremes e misteriosas…Na França, poesias de Madame de STAEL, de Chateaubriand( “Le genie du Christianisme), Lamartine, Alfred de Musset, Theofile Gautier…
Poucos se lembrarão destes autores…mas quem nunca ouviu falar de VICTOR HUGO…”NOTRE DAME DE PARIS”?
Pois bem: “entremos” nesta matéria, pelas “portas” portuguesas!
A situação criada pelas Lutas Liberais, entre miguelistas e liberais, estes adeptos de D.Pedro, mais tarde Imperador do BRASIL, iria ser o “motor de arranque” da implantação do Romantismo, em PORTUGAL, pelos pensamento e escrita de Almeida Garrett e A.H., exilados em França e Inglaterra, de onde vêm enriquecidos, enriquecer as nossas letras.


NOTA: PARTE I
ESTE TEXTO NÃO RESPEITA AS REGRAS DO ACORDO ORTOGRÁFICO!
MARIA ELISA RODRIGUES RIBEIRO
Mealhada, 14 de MARÇO de 2011

domingo, 13 de março de 2011

POEMA: TOCCATA E FUGA...

foto google



(POEMA: TOCCATA E FUGA…


Falam os ares atormentados, de Saudade,
engolindo ,em seco, lapsos de felicidade.
Alma ferida chora Horas em que o Momento não vem…
E repica o sino do lamento!

Eu era a música delicada com sabor de pele macia,
que se oferecia…

Mas os ares mudavam de direcção
e a minha desilusão crescia
roubando-me a natural harmonia…

(Parecia que uma fanfarra triste e assíntona se calou, dentro de mim!
Não saíam notas melodiosas de dentro da dor, sem fim…
Meu ego adormecido arredou a Alma…tecido de que sou feita…
Refeita…desfeita…numa solidão assim! -calada, dentro de mim…

Montanhas de desalento, atravessadas pelo Vento cortante,
queixam-se dessas rajadas de ar arrogante!
Tal tu, quando deixaste que um amor pujante
se desfizesse em pó de ar distante…

Musgos e líquenes,
Fetos, urzes e abetos, esperam ver-me sorrir,
Para voltarem a florir, na natural força do Renascer!

O rio, que tão contente, desliza entre colinas,
Canta, chorando, a corrente fugidia,
Dentro de margens definidas…
Lento cantar …que o leva para o Mar!

E eu, lama incandescente de um vulcão
Sobre as colinas da Ilusão,
Escorro, perenemente, para o Sonho de um abrigo!

Sonho desfeito nas areias de um deserto espiritual…

Piam mochos, nas nocturnas desgarradas do brilho das estrelas…
Ainda apagadas.
Descansa a luz dos raios de luar, habituada a um constante viajar…

Tudo Sinto…Tudo vejo…Tudo vivo…
…mas não ESTOU aqui, COMIGO!

O brilho dos meus olhos mora nas alamedas
que percorro sozinha
sem ter uma mão na minha…
A lembrança do amor…arrebata-me,
tal a torrente impetuosa dos Sonhos em que sumimos!

O semblante de qualquer ser-amado é como o da Terra-mãe…
…lemos nele o que desejamos ler…
E eu li-me em ti…pedaço absurdo da Verdade da Vida!
Presunção de enamorada
namorada da cantiga mais apetecida…

Nunca estarás de Chegada…
Dei-te ordem de Partida!

Mas viajo, encantada, pela rota da Esperança
Que é a crença na Vida!

É então que componho a minha Sonata!
Dedilho folhas de verdes ramos…
TOCCATA e FUGA!
Saem acordes divinos dos botões em flor
que germinam com o amor de meus dedos a acariciar
sua pele macia ,em acto de louvor!

Eu, pedaço da Natureza em acordes musicais,
sobrenaturais,
toco a música preferida…esta…a da Vida,
que se vê e que se sente
em quem não engana ou Mente!

quinta-feira, 10 de março de 2011

BELEZA ENCLAUSURADA…



(Fotos pessoais)


Como a saudade que sinto pela Natureza jamais acaba, dou comigo, nos soalheiros dias fora do período do Verão, a passear pela nossa terra, por sítios que ainda não conheço, sempre perseguindo matas, bosques, pinhais…Natureza, enfim! É imprescindível que haja Água…muita água temperando os ambientes…Descubro-a sempre! Encontro sempre um fio de rio, um braço de rio maior, umas minúsculas cascatas rumorosas a contornar as belezas que me perdem!
Nesse fluxo constante do estado de Vida, depois de visitar e de me deliciar, passeando, chega o momento do encontro comigo própria, o momento em que me dedico à meditação sobre… Gosto de me perder em reflexões que me forçam a tremendas viagens pelo mundo onírico e pelo mundo real. De repente, parecendo ter o dom da ubiquidade, estou em mundos tão diferentes como a China, a França, a Tailândia… ou … a Serra da Lousã! Então, como uma neblina sem contornos definidos, peregrino pelas minhas questões interiores e passo-as ao papel.
… Amo o mundo e a MÃE-NATUREZA…dádiva de um SER SUPERIOR…criada com sabedoria e amor, para gáudio do nosso viver. Ao passear por entre áleas de árvores, aparentemente desorganizadas, procuro motivos de beleza, a céu aberto, para acalmar o meu coração.
Não me refiro, de modo nenhum, a “belezas enclausuradas” no aspecto espiritual…Isso é uma opção de vida, nada há a dizer. Refiro-me a belezas naturais, a árvores, montanhas, flores escondidas ou bem enclausuradas, para poderem resistir à maldade alheia… atalhos inexplorados cobertos de vegetação, águas, o sol a bater nelas e em mim, afagando-me com uma ternura com que mais ninguém pode ou sabe, fazer.
No meu passeio de há dois dias, vi “uma carrada” de florinhas, lindas, singelas e tratadas, mas…para sua própria defesa…”enclausuradas”, acessíveis a olhos, somente. O homem não é humano, muito simplesmente, e sendo o mais perigoso dos predadores, há que impedir que actue de acordo com os seus piores instintos.
Mas há tantas mais belezas “enclausuradas”, tantas outras flores dignas da nossa atenção e que nos tiram o sono, quando nos vêm à mente! São belezas condenadas a murcharem sob regimes de escravatura sexual ou política; são belezas destroçadas pelas forças dos ditadores da vida, em terras onde DEUS não existe, porque tem medo de lá pôr os pés… São mulheres do SUDÃO, do AFEGANISTÃO, do IRÃO, do IRAQUE…Essas flores que murcham no apogeu da vida, fazem frente, com o seu mero existir, aos machos dominantes, ferozes, sem SOL…
Volto a mim, grata aos céus ou a não sei mais quem, por poder estar neste pedacito da Humanidade, onde tive a sorte de nascer, onde posso pensar, onde posso sorrir com a luz do sol benfazejo e brilhante, que me estende os braços, sem que eu tenha que o temer!
Por isso, numa atitude genésica, cresço para a TERRA, enlameio as mãos e os pés no regato de água que me abraça o SER…sinto a plenitude do cheiro dos ares e do vento que me traz o aroma da NATUREZA, na” pessoa “dos odores das plantas, selvagens ou não.
Terra, vida e homem…agentes distintos, originais e originários da cosmogénese, que geram, na sua cúmplice reciprocidade, a fertilidade e os ritos cósmicos da vida e da morte. Sem dúvida que o elemento primordial é a terra, essa beleza enclausurada no pior que o homem pode ter, o ventre telúrico de cujo útero, na origem dos tempos, vieram os primeiros seres humanos, os primeiros arbustos e os primeiros caniços. É então que vejo que as crianças vieram do fundo da terra…das cavernas…das grutas…mas igualmente dos mares, das fontes e das ribeiras, onde, “enclausuradas “, para nosso BEM, estão as belezas necessárias ao desenvolvimento das espécies. Como fui criança também, vejo-me pintada numa caverna primitiva, com toscas tintas e sujos dedos, numa parede escura, beleza enclausurada para preservação…Sou uma pintura rupestre, sou a pedra com que fui riscada, sou o sangue que o desenho larga para os confins dos tempos…os mesmos que permitiram que eu tivesse forças para fugir de clausuras patéticas de impotência, de falta de visão e de saber!
Vejo-me (e não é NARCISISMO!) um ponto da eternidade, entre as notas que as estrelas vão tocando, na cintilante música com que alumiam o mundo de todas as belezas, enclausuradas ou não! Sinto-me uma possibilidade de qualquer coisa, na pulsão incontrolável do fazer parte de um COSMOS onde crescem belezas…flores, montanhas de cheiro saboroso que transpiram gotas de orvalho, de entre neblinas e brumas…que formam ribeiros, rios e poças de água aos triliões de milhões…que deslizam, fluentemente para o MAR…
Sou navio e caravela na hora das distantes descobertas, sou Gama…Gago Coutinho…Ganges e Apolo…sou tudo…mas não “beleza enclausurada!” Sou contra a FOME …a CORRUPÇÃO, o ROUBO descarado de todas as belezas do MUNDO…
Coração de POETA da modéstia, quero ver, a céu aberto! a PAZ…a LIBERDADE…a JUSTIÇA…o HUMANISMO, A VERDADE…
PROCLAMO, COM TODAS AS FORÇAS, TODAS AS BELEZAS A CÉU ABERTO!
ABAIXO OS “ENOLAGAY”!

...E CORRE MEU PENSAMENTO...



(Foto GOOGLE)










Trinados de felicidade enfeitam os ares

Com o alegre voo das aves…

…e antevejo-te em quadros simulados, dissimulados

Na bruma das eras…Outros voos já passados…

Do alto da colina, o Sol bate brilhante, com seus raios cintilantes,

Faz acordar a VIDA!



Gâmetas despontam no telurismo da Terra-Mãe,

Reproduzindo anatomias florais, em fulgurosos trigais.



No velho moinho de água cantante

Tritura-se a semente que, já cortada,

Se transforma em pó para pão da gente.



O céu, em azul anilado, belo como um quadro de amor,

Cobre o bosque avermelhado, onde brancas nuvens deslizam…

…mansas, mansas, longe de ventos atarefados, ululantes de dor…



A mata guarda, ainda, segredos da meninice acabada.

Elfos, duendes e fadas gravitam, em constante mutação

Da aparência extenuada, magoada, dorida.



Meus sonhos de magia podem o voo das aves…

…Saem do coração ao qual tiro a chave da reclusão!

E deixam-me voar no desequilíbrio dos raios de luar,

Em desenfreada cavalgada da Mente…potente!



É feérica a ponte entre meus sonhos e a realidade!

A ela se opõe sempre a inevitável Verdade!



Quando tiver um jardim de rosas da perdição

Vermelhinhas, cor de sangue,

Vou pô-las longe do penhasco da Ilusão!



E o sol, a bater no rio,transforma as águas num mar de prata…

...que foge para o MAR-OUTRO…o da Descoberta!



Retorno, humanamente, aos trinados dos pássaros felizes!

Acordo, dormindo sentada na rocha brilhante

Da colina petulante, de verdura transbordante.

Ignoro os elementos da Magia…

Sigo o zumbir das abelhas na azáfama do mel…

Na harmonia do orvalho seco, do dia, fervilha –me a mente!

Sinto-me MÃE da minha meninice

Que escorre para o papel.



Poderosos nenúfares, ancorados em águas lentas,

Levam idosos e crianças a viajar na corrente de um Estar diferente!

Barcas de humanismo, sem sinal de cinismo e sopros de solidariedade

Nas tristes águas paradas, da gasta sociedade…



Meu voo inevitável por cima das nuvens, ao lado dos paraísos,

Deixa-me cair, de repente, no meio do beijo dos astros…

…no abraço das estrelas, perto das dores da humanidade…



Mas existem WELWISHITAS MIRABILIS no cru deserto da aridez social,

Contida nas eternas areias a céu aberto…

..tão longe do perto!

A sapiência e a inocência dos viajantes dos nenúfares acolhedores

Brilham nas águas de verdes multicolores.



A noite atravessa-me!

Os olhos vêem a mão que me escreve!

A Palavra surge-me!

A Pedra esmaga-me…









C11L-22(mod) 48-JAN/011

terça-feira, 8 de março de 2011

POEMA: ANTOLOGIA DOS BECOS DA VIDA...

FOTO MINHA














No escuro da noite, coberta pela bruma das nuvens ominosas,

No meio da lagoa pantanosa, sem maré,

Parado está o barco, sossegado,

Do pescador, que não lança a rede ao pescado.



O céu avermelhado do negro azedume do tempo

Cobre, solene, o barco sem rumo, na pescaria da vida, perigosa…



Não há um rumor…

Há o temor das nuvens negras

No vermelho ameaçador da paulica ria,

…morta…sem energia…



Saltam pingos de água das mágoas nevoentas

Que afugentam a coragem do homem, no meio do temporal…



O candil aceso não resiste, e de longe-coisa triste-

Assiste-se ao apagar da presença corajosa

Do homem a lutar,perdendo energia…



Por detrás da colina-qual Adamastor furioso!-

Assobia o vento, num tom pastoso,

Mostrando, da montanha, o riso enganador…



No céu dos humanos não há estrelas brilhantes,

Pois a noite aleivosa escurece os diamantes-peixe

Da vida de euforia-pescaria!



Mãos sujas,

Calejadas da existência das redes nos remos…

Dos remos nas redes…

Apanha o homem coragem, e numa rápida viragem

Endireita a canoa,

Foge da lagoa,

Esconde o seu medo na força súbita do mistério,

Repousa na gruta, sob a montanha,

Ao pé de uma fogueira de restos de lenha!



Antologia dos becos da Vida!



Viver é eterna ferida…mutação genético/sentimental,

Eternidade natural na junção sol-mar!



Deuses intrometidos nas rotas do natural existir

Fazem valer seus preceitos, para, depois,fugir…



Os deuses são Nada!

O Homem é tudo o que o Sonho consente!

Deuses não sonham…

Usam, abusam, dispõem…

Nascem deuses…acabam pó de estrelas enganosas!

O Homem nasce NADA,vive tudo…acaba vida dura!



O pescador da lagoa nua, brumosa, tempestuosa,

Escolheu o confronto…

No seio da montanha, à espera do sol, está pronto a lutar

Pelo pão de viver!



Alguém viu os deuses… assim…a tentar engrandecer?







C11L-(out/nat)49/16-FEV/011

segunda-feira, 7 de março de 2011

DIA INTERNACIONAL DA MULHER!




Que me perdoem os amigos do sexo oposto, mas é imperativo que diga algumas palavras a todas, as que, como eu, são MULHERES. IREI notificar algumas amigas, mas a nossa “outra doce metade” deve, se assim o entender, comentar também.

Como é do conhecimento geral, este dia foi consagrado pela ORGANIZAÇÃO das NAÇÕES UNIDAS (ONU), em 1977, como um dia de celebração dos direitos da MULHER, na sequência das lutas, desde o tempo das SUFRAGISTAS americanas, do século XIX, mas principalmente desde 1908, quando a repressão se abateu sobre as que lutavam pelo Direito de VOTO, nas ruas de NEW YORK.
Não gostaria de dizer banalidades ou usar “lugares comuns”, como é, aliás, natural e habitual, nos jornais e revistas que hoje tratarão o tema.
A MULHER merece-me (nos) muito mais respeito e atenção…É um tema muito mais vasto de riqueza e tem a ver com as normas sócio/político/culturais que as sociedades e seus governos sempre tiveram, no confronto com a condição feminina. Há de bom e há de mau…tal como com os homens …Mas comemoremos o dia pensando nas MULHERES que contribuíram e ainda contribuem com a sua acção e formação, para que o mundo seja melhor, ou mesmo só para dar visão humana à existência do sexo feminino.
A minha maior pena e as minhas mais sentidas palavras vão, desde já, para as vítimas de violência doméstica que têm de viver escondidas, e para aquelas que são assassinadas por maridos, companheiros, namorados, sem que se consiga uma justiça eficaz, que coloque no seu lugar os arremedos de “macho-latino, que por aí campeiam.
De seguida, percorro o Mundo numa viagem dolorosa, para saudar as mulheres sem liberdade no SUDÃO, no AFEGANISTÃO, nos países orientais e africanos, na CHINA do infanticídio selectivo, no Tibete, SOMÁLIA, IRAQUE e sei lá quais mais…
Sei que a esta hora, em alguma parte do mundo, mulheres dão à luz entre rochas e cavernas, crianças são brutalmente excisadas, bebés femininos são postos na beira das estradas e em contentores do lixo, para morrerem, SÓ porque são mulheres!
À minha mente chegam recordações de mulheres como GOLDA MEIR, a israelita primeira-ministra da qual tanto há a dizer, que é bom recordar apenas que contribuiu para modificações nos territórios daquela região…DOLORES IBARRURE,” LA PASIONÁRIA”, lutadora anti fascista do tempo de FRANCO e da DITADURA ESPANHOLA, a portuguesa MARIA LAMAS, autora do livro” AS mulheres do meu país”, também ela lutadora antifascista do tempo de SALAZAR. Virgínia MOURA…MADAME CURIE….Madre TERESA de CALCUTÁ…INDIRA GHANDI…MARIA DE LURDES PINTASILGO…VIEIRA DA SILVA…ANNE FRANK…DILMA ROUSSEF…e é um nunca mais acabar de mulheres que o mundo vai conhecendo, umas pelo bem outras pelo menos bem…Hanna ARENDT…ROSA PARKS…Tenho que dizer que na génese da criação do PRÉMIO NOBEL DA PAZ …está BERTHA VON SUTTNER, baronesa checoslovaca, escritora, ensaísta, pacifista, jornalista, amiga de ALFRED NOBEL, falecida em 1912 e primeira mulher a receber esse Prémio…
A sociedade, qualquer que seja, não existe, hoje em dia e desde o princípio da vida sem a figura feminina, sem a participação activa das mulheres como complemento da produção e das ideias.
Saúdo-vos, mulheres como EU, que contribuímos com o nosso esforço, a nossa inteligência, determinação e humanismo, para que o mundo seja melhor!
Deixo-vos a todos, homens e mulheres, com um SONETO de FLORBELA ESPANCA:
“A MULHER

Ó mulher! Como és fraca e como és forte!
Como sabes ser doce e desgraçada!
Como sabes fingir quando em teu peito
A tua alma se estorce amargurada!

Quantas morrem saudosas de uma imagem
Adorada que amaram doidamente!
Quantas e quantas almas endoidecem
Enquanto a boca ri alegremente!

Quanta paixão e amor às vezes têm
Sem nunca o confessarem a ninguém
Doces almas de dor e sofrimento!

Paixão que faria a felicidade
Dum Rei; amor de sonho e de saudade
Que se esvai e que foge num lamento!”
Florbela Espanca, in “TROCANDO OLHARES”, 13/3/1916
Maria Elisa Rodrigues Ribeiro

Imagens de um país, à beira de um ataque de nervos...


Já nem é preciso ler os jornais ou ver os telejornais e programas de opinião televisiva...Começamos, nós, povo, a sentir a miséria em que a situação portuguesa está a nadar. Hoje, novos aumentos dos combustíveis...depois dos de ontem ,anteontem , da semana passada, de todas as horas!
O que espanta quem pensa nestas coisas, é ver que o combustível que encarece a todo o momento, (custos de produção e da importação do petróleo cada vez mais caro)ainda nem sequer chegou a PORTUGAL!E vamos vendo os ricos cada vez mais ricos e os pobres TÃO cada vez mais pobres!
Subindo os combustíveis... é fatal como o destino, sobem todos os bens de consumo! Portugal tem mais de 11,2% de desempregados! Como está esta gente a viver?...e vive???Nas nossas aldeias ainda existe a solidariedade de quem cultiva e mata o porquito...Mas, como vivem nas cidades, aqueles que tudo compram , que não têm quintais?
Entretanto, a criminalidade aumenta em número e em violência, com métodos de actuação que fazem lembrar os de organizações internacionais! Assaltos constantes a máquinas MULTIBANCO, a ourivesarias, a bombas de gasolina...A PSP não tem meios para actuar e os agentes movem guerras contra o governo, porque não ganham para viver...
É velho o ditado:" Casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão!"
Com uma diferença: é que ,aqui, ninguém ganha!
Ganham os directores, os gerentes, os administradores que, de quando em vez se vem a saber, que se auto -aumentaram outra vez, na ordem dos milhares de EUROS, enquanto o povo paga impostos com língua de palmo, não foi aumentado e paga mais impostos sobre a saúde ,a educação, os medicamentos...TUDO!
Inventam-se multas para tudo o que se possa imaginar....Em algumas aldeias ,as lojas estão a vender por troca de produtos, como se fazia na época feudal: eu dou-te batatas e tu dás-me açucar...ou arroz...ou farinha...

Para agudizar os problemas...o BENFICA PERDEU, ONTEM!
Mas, OBIKWELU e NAIDE GOMES trouxeram as medalhas de ouro e de prata dos campeonatos europeus de Atletismo, em pista coberta...

O PSD começa, um ano depois das eleições, a pensar que talvez PASSOS COELHO não seja o homem ideal para estar à frente do PARTIDO...ÂNGELO CORREIA bem pode começar a pensar noutro "delfim"...

Por último- e não menos significativo!- vai-se "vivendo" o CARNAVAL DE MARÇO...Sim, que o de todos os dias do ano está mais que garantido...

sábado, 5 de março de 2011

POEMA: PRIMAVERA EM SUSPENSO...

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“Primavera em suspenso…”





Afoita,
Desassombrada
Nas manifestações de alegria,
Aí está a Primavera
Colorindo a luz do dia!

Lânguida se espreguiça,
Com aroma sensual,
Por sob os raios de Sol…

Conhece-os, a Natureza…
Sabe que a Primavera
Anseia pelo abraço quente
Que lhe germina a semente…

Doces dias, em clima de festivo, colorido,
Começam a despontar…

Árvores, flores e aves
Recomeçam a viver
Oscilando, donairosas, entre o torpor do Nascer!

Desprendem-se da Terra os cheiros…
Rebentam, em silêncio, os ventres
Das inchadas sementes do nosso pão…
Estalam ovos nos ninhos,
Alentados pelos suspiros das noites estreladas!
Aquecem as águas dos rios, a correr,
Sob os quentes vapores solares.

Pudesse eu transpor esta Natureza
Firme no seu rejuvenescer
Para a minha POESIA…
…Só para a ver viver!

Cheiro as rosas, aliadas das papoilas
Nas nossas vivas searas!

Cheiro o luar subtil
Do qual brota o orvalho, febril,
Alimentando a raiz…

Toco o mundo, num segundo,
Sem tempo para dormir…

Fecho os olhos, por momentos.
Passa um vento delicado
Que me afaga os cabelos.
Saudades dos tempos belos!
Memórias das minhas “ilhas”!


“AMANHÔ,
O VOO DA ÁGUIA ANUNCIARÁ
UMA NOVA PRIMAVERA…


C7G-33/40- (mod) -FEV/10

quarta-feira, 2 de março de 2011

POEMA: FUTURO ...QUE VAI SENDO...

FOTO GOOGLE






Sopram saudades aos meus ouvidos.
Vêm com as memórias trazidas pelos Ventos
Da Terra, em permanente turbulência…
FLUXO CONTÍNUO DOS ARES QUE ME ALIMENTAM
Nos fragmentos-do-meu-tempo!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

NUVEM – DA-INFÂNCIA
LEVADA- em ares tempestuosos
DOS TEMPOS-QUE- FORAM- INDO……………………………………………

Infância: minha FÉNIX RENASCIDA
NUM- OUTRO- PONTO- DA- VIDA!
Fogo de cinzas passadas-desorientadas,
Pelas armas ferozes do HOMEM-UNIVERSO!

DEUSES-DO-OUTRORA! DO OUTRORA-AGORA!
Lançai a corda salvadora da vossa IMORTALIDADE-FARISAICA!
Dai-me a oportunidade de me ELEVAR às alturas
De uma VIDA-HERÓICA……………………………………………………………
O heroísmo que PROCURO vem do meu DENTRO!
Vem do que vejo, quando viajo EM – MIM
E DOU- DE- CARAS- COM- UMA- TRISTEZA- SEM- FIM……………………
Enfrento meus medos.
Esconjuro meus segredos,
Confesso MEU- BEM- E- MEU- MAL.

ARRENEGO DA GRANDEZA FÁTUA DOS DEUSES!
( É MUITO FÁCIL SER DEUS ,QUANDO DEUS SE NASCE………………….)

Enfrentarei tanto as belezas, sem invejas pobres,
Como as pobrezas, sem me sentir nobre!

NA SAUDADE,
Quero levantar sensações submersas no meu
Longínquo PASSADO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Oiço ruídos…passos da infância no tempo PASSADO-PRESENTE!
Sinto-me indisposta, cansada…
Não sinto abrir-se em mim
A incompreensível grandeza do MISTÉRIO…
Vivo DENTRO DOS MEUS VERSOS
E TENHO TANTOS DISPERSOS!
SÃO VERDADES INSIGNIFICANTES…
PARA MIM, EDIFICANTES!
Ajudaram-me a desenvolver o EU /RIZOMA-que-sou!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
ACONTECI NO TELURISMO PÁTRIO!

MINHA VIDA!=PEDAÇO DE TECIDO, onde se cruzam
Fios, indefinidamente, até à OBRA!
OBRA DE ARTE=POEMA FEITO/ REFEITO
POR INSIGNIFICANTES MÃOS DE VIDA,
DELICADAS MÃOS DO SER!

Permito que saiam os ventos de TEMPESTADE…
Viajo CHUVA ADENTRO
Confiando no SOL da IDADE-que-vem-VINDO……………………………………….

IDADE=FRUTA MADURA!
FUTURO QUE VAI SENDO…………………………………………………………..

NÃO ME EXILO DA VIDA…vou vivendo!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!



MARILISA RIBEIRO
C10J-(mod)47
FEV/011

terça-feira, 1 de março de 2011

O Triste PAÍS...


Já nem sei o que hei-de dizer, a começar este pequeno "post"...
Vejamos: sócrates e teixeira dos santos, armados em "galos" das capoeiras alheias, vieram, ontem, afirmar ,que vêm aí mais medidas de austeridade, como manda a Europa!
Há cerca de 10 dias, os mesmos, tinham dito que tudo estava a correr sobre carris, que a execução orçamental estava a ir muito bem! Quem pode, ou dá... crédito a este tipo de desgovernantes, que não sabem onde está o modo de fazer avançar PORTUGAL?
Dizem que os políticos, "alegadamente", se aumentaram cerca de 20%...!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Os portugueses não têm nada para viver..."roubam-nos" dinheiro dos salários...roubam-nos cuidados de saúde ...roubam-nos os professores e as escolas, por causa da falta de dinheiro...não ajudam nos medicamentos para os quais continuamos a pagar impostos, com língua de palmo...

Mais triste ainda: soube-se ,hoje, que o desemprego continua a aumentar , tendo chegado aos 11'2%!
Aos portugueses que se podem manter fora deste lamaçal...estejam onde estão!Isto é um esboço de país...não é o vosso nem o meu país!
Não há dinheiro para a POLÍCIA cumprir o mínimo dos mínimos...para a gasolina, por exemplo...Tudo vai encurtar...autarquias, juntas de freguesia, tribunais...vai continuar o fecho de escolinhas com menos de 21 alunos!
Não vos falo de mais nada, hoje...Estou angustiada ...desmoralizada...
já nem o meu BENFICA chega para colmatar o buraco de melancolia em que estou a desanimar...
ABRAÇOS

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Um "cheirinho "de LITERATURA: AQUILINO RIBEIRO


Aquilino Ribeiro… (1885-1963)
São tantos “os monumentos literários” da nossa história das Letras, que se torna difícil escolher um deles, em momento oportuno. Hoje optei por Aquilino Ribeiro (A.R.) pelo que este escritor nos pode dar de riqueza da acentuação, pontuação, uso das linguagens popular, familiar e gírias, nomeadamente.
Ler A.R. é ver o povo nas suas mais genuínas tradições, usos e costumes. Mas também na boa dis posição que lhe vai começando a faltar, nos dias de hoje!
O escritor Fernando Namora referia-se a A.R. como “aquele jovem que trouxera a província para a cidade”. A verdade é que A.R. soube, como poucos, levar por caminhos difíceis a valorização da nossa literatura, em todos os planos. A sua criação literária, expressa em romances como: “O Malhadinhas”, “Terras do Demo”, “Andam faunos pelos bosques”, “A casa grande de Romarigâes ”, “Quando os lobos uivam”, etc., dão-nos um panorama de genuíno amor pelas nossas terras e pelas características ímpares do povo oriundo da alta montanha, que, apesar de toda a modernidade, é o que ainda somos.
Aquilino lê-se, às gargalhadas, o que é salutar! Da obra”Terras do demo”, retirei um pequeno extracto, na página 123 de uma edição de 1973, do Círculo de leitores:”Quinze dias esteve com os pés para a cova; fez-se branco como a cal, depois verde, tornou a pintar de vermelho…a beber umas colherzinhas de leite, mas resulho nem à fina força lhe passava nos gorgomilos…ora chorão, ora raivoso… (…). E, na página199, a respeito de heranças, do morto ainda com os ossos quentes, “…ainda o corpo não fora removido para o celário e já os herdeiros… faziam uma matinçada de cães famintos…”Padre Vieira, no século XVII, num dos seus sermões, trata este tema das heranças e dos desentendimentos dos herdeiros, de um modo mais moralista sem deixar de ser irónico.
O que mais impressiona quem lê A.R. é o seu amor contagiante pala Natureza, em todos os seus extremos, cuja beleza ressalta das palavras do escritor, no sangue vivo da raça portuguesa.
Homem instintivo, nascido e criado na região de Sernancelhe, louvou de um modo, por vezes pagão, a beleza e naturalidade do mundo serrano. Partilhou, com Teixeira de Pascoaes e António Patrício as doutrinas da Saudade, proclamadas na revista “SEARA NOVA”, ele que, por força das divergências políticas com o regime salazarista, várias vezes esteve preso e várias vezes, também, fugiu da cadeia, fazendo ao regime aquilo que ele considerava “o manguito político”.Observador atento da realidade social, pôs sempre em contraste a conduta da gente simples, por vezes ingénua, com a dos trampolineiros da hipocrisia e da mentira do subir na vida, a qualquer custo.
Em “O Romance da Raposa”, perfeito e acabado exemplo do que acabo de afirmar, A.R. compraz-se em demonstrar, por meio das ladinices da “rapozeta”, como procedem na vida todos aqueles que, por meio de truques, procuram e conseguem! suplantar os sérios e honestos, com as suas falinhas mansas. Este romance é, todo ele, uma metáfora da vida!
No romance “A Grande Casa de Romarigães”, riquíssimo em textos de verdadeira prosa poética na descrição de paisagens naturais, repare-se como A.R. começa a descrever o nascimento da floresta:”O vento, que é um pincha-no-crivo devasso e curioso, penetrou na camarata, bufou, deu um safanão… (…) Também ali perto, por uma tarde fosca de Outono, chegou um gaio, voejando de chaparro em chaparro, a grasnar mal-humorado…trazia no bico uma bolota. Dispunha-se a comer a merenda bem amargada, quando deu com os olhos no mariola do vizinho com quem bulhara na Primavera por causa da gaia, hoje sua mulher.”
Puras mimésis, animismo de uma Natureza que enche a alma, onde transparece a mesma técnica de Torga no amor por tudo quanto mexe, no bosque.
Nas obras “Mónica” e o “ Arcanjo Negro”-que estiveram proibidas até 1947- Aquilino envereda por uma crítica velada ao regime salazarista, através de Metáforas como “más estrelas” ,”negrume” e onde até mesmo o verbo “envelhecer” remete para o negrume que era, já no seu tempo ,o regime de Salazar. Nestas obras nota-se um certo pessimismo histórico, como se não houvesse nada que levasse um intelectual a ter esperanças de mudança. Infelizmente, só em 1974 se deu a ansiada reviravolta…
Para terminar esta simples abordagem da estética aquiliniana, gostaria de dizer que, em qualquer época da vida literária portuguesa, os escritores e outros intelectuais estiveram em consonância com as realidades do país; no entanto, nunca “há bela sem senão”…

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Os recentes perigos ,vindos do ORIENTE...

foto google



Não percebo de Geo -política, como fazem os analistas ,na TV.
Analiso as notícias dos jornais e vejo, com sofreguidão, as imagens difundidas pelos meios audio visuais, fazendo ,por conseguinte e em consequência, a minha simples e directa apreciação dos acontecimentos que, desde o caso egípcio, têm abalado as "estruturas" do MUNDO.
Talvez seja pessimista ...mas o que vejo passar-se no IÉMEN, TUNÍSIA, EGÍPTO,ARGÉLIA, TALVEZ A JORDÂNEA E A SÍRIA...( isto para já não falar nos países como o ZIMBABUÉ e outros países de ÁFRICA...)faz-me temer o pior para o mundo em que vivemos.
Uns dizem que a História não se repete...outros ,que há um malazarado determinismo histórico, que nos conduz, no mundo, a situações já conhecidas e/ou já vividas.
Hoje, a dependência do petróleo para tudo o que são actividades relacionadas com o fabrico ,a produção e as reservas agrícolas, faz-nos estar de sobreaviso...
Sem petróleo, não se pode produzir, nem mesmo os alimentos de que o HOMEM necessita para sobreviver!
Estaremos, portanto, na iminência de uma nova Guerra MUNDIAL? O medo impede-me de responder e pede-me que se arrase com o louco Ditador KADHAFFI e todo o seu clã, que se têm apoderado de grande parte dessa dádiva natural, onde ,por acaso nasceram a beber os primeiros goles de líquido!
O MUNDO mudou radicalmente; e de tal modo que é imprevisível o curso dos acontecimentos.
A Europa e os Estados Unidos começam a dar-se conta do engôdo em que os povos se foram afundando, à medida que os ditadores /carrascos de África e do Próximo e médio Oriente, enriqueciam despudoradamente, sem tomar cuidados sociais e minimamente humanos para com os seus povos.
As gasolinas e o gasóleo são a cartilha do dia a dia de quem dele depende , como os pobres portugueses!
O ditador está a chacinar o seu povo, afundando-o em mares de sangue!
O mundo começa a querer tirar a cabeça da areia... Iremos a tempo?
O ditador , que foi "asqueroso" mas "AMIGO", tornou-se um fardo de vergonha ,daquela que o mundo dos ricos perdeu...Antevejo que estejamos para viver horas amargas...nada ficará igual. NEM MESMO A VERGONHA!

O CASO DO RUI PEDRO


(foto google)




Foi com o coração cheio de, relativa, alegria, que ontemà noite, ouvi ,na TV a notícia de que o principal suspeito no rapto desta criança ,há vários anos, foi detido.
Digo"relativa",pois não sabemos se a criança não terá sido "banida" para não identificar os suspeitos; e digo-o também, porque ,não fosse a constante pressão da pobre mãe, e provavelmente, hoje ainda o tal não teria sido apanhado, para explicar todos "os fios emaranhados" das suas explicações!
Esperemos pelo que isto pode vir a dar, na certeza, porém, que estou do lado dos pais deste menino, agora e desde sempre!
Ao vermos hoje como funciona a chamada "Justiça" portuguesa...ESPEREMOS!

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

POEMA: SANGUE DE MARESIA...

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SANGUE DE MARESIA…




Corre-me nas veias, sangue com odor a maresia…

Não há vida que sorria
Ao povo que do mar nasceu,
Se não puder ver surgir
As águas do viver seu…

Engolem-se lágrimas,
Sorve-se a Esperança trazida
Em garrafas de Vida…

MAS…SEM MAR, NÃO HÁ VIDA!

Personagem presente, na ausência…
Nostalgia à deriva nas ondas da evidência,
És tu, mar-oceano ,o lado lúdico
Da impaciência
Do viver do exilado, do outro lado da Terra!

Está em guerra, o português,
Sempre que, longe da Pátria,
Não pode molhar os pés
Nas lágrimas do marulhar,
Do seu bocado de Mar…

Terra molhada de peixe, a escorrer
Água salgada!

Desterro de quem viu a vida naufragada
Nos óleos orientais,
Das palmeiras perfiladas…

Cruzados do achar um outro mundo
Com mar…
Soluços de impaciência!


MAR- MÚSICA a marulhar, no ir e no vir,
No sangue a fluir,
No partir e no chegar…


Azul-vermelho da Vida do povo do navegar…

Andrajoso, corajoso,
Ansioso por se DAR,
O povo do meu país come as lágrimas do suar…

Mar-sofrimento- poesia!

Verdade do dia-a-dia!

Sinto-te a vida a pulsar,
No beijo da ardente Despedida…
Lábios-vida… ressonância bíblica…
Bebida do sofrer na água inesgotável, arável…
Fonte da Imagem-pátria-florida!



Maria Elisa Ribeiro
C7G-44/29 (mds) -FEV/010

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

POEMA: AVÉ- MARIA...


“AVÉ-MARIA”

Na minha aldeia, ao entardecer,
costumavam os sinos repicar,
em alegria e fragor,
à hora das “Ave-marias.

Costume antigo, rural,
que a todos, lembrar queria,
pelos campos em redor,
que era hora de repousar.

O tempo é outonal, tardio…
e o dia está por um fio…

Homens e mulheres voltam do regadio,
partilha natural, nas nossas terras,
em tempo de estio…

Ao som do sino crepuscular
começa-se a rezar:
“Ave-maria, cheia de graça…”
…enquanto, com pressa e graça
se recolhem os utensílios
do diurno, duro mourejar…

E eu, que te venero, Maria, Mãe do Senhor,
quase sem querer, entabulo conversa com a oração
e começo a dizer, com amor:
…”…bendita sois vós, entre as mulheres…
e bendito o fruto do vosso ventre, JESUS…”

Sem o sentir, eu, que nunca rezo,
dirijo “o navio” da natural devoção
para a figura da Virgem,
numa sagrada luz de Aceitação!

Interiormente florida e confortada, continuo a minha reza,
num acto, sem premeditação:
“…(…) rogai por mim, pecadora…”
-”OH, Senhora!
Olhai pelos trabalhadores de enxada às costas…
…mas velai por nós, pecadores, conscientes das nossas dores,
dos nossos dissabores…dos nossos desamores!”

Esta “memória” que em mim acendi
dizendo que venero MARIA,
é como uma janela da vida, que
em menina vivi…
que o silêncio devorou no Tempo,
mas que o Pensamento guardou cá dentro!

“Pai-nosso, que estais no céu…”
OH DEUS! Dou comigo a rezar, na hora de recordar!
(Graças, Senhor, por não teres levado a chama da memória,
dos dias da minha tenra história!)

O tempo montou-me um cerco…
Mas, ao recordar, desperto…
Para a vida espiritual, pois claro!
pois não sou um bicho raro!

“Avé- Maria, cheia de graça…”

Um dia, há muito tempo,
Fui o que sou, afinal…alma que é alma…que é imortal…que pode recordar…que olha o sol, como se estivesse
a crepuscular, no tempo das “Ave-marias” passadas…Choro! Deitei pedras pelo ar…atirei flores ao mar…perdi-me a deambular por mim, sem me encontrar…Hoje, recupero aquele bem-estar que advém da vontade de rezar…

“…perdoai os nossos pecados
assim como nós perdoamos…”

É hora de ir ter comigo…

C10J-51(MIST)- OUT/010´

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

foto google



SONHO NA REALIDADE?

Dói a noite.Dói a tua ausência.
Há um silêncio tormentoso,
Na demência do RECORDAR…
…AMOR E DESAMOR!

Oiço o rio deslizar
No desfiladeiro! Fluxo rápido…
Recorda o TEMPO dos rumores de outros sabores…
Um trovão fere os sentidos.
Eu desfilo, lentamente, pelos meus (muitos…) interiores.
Quase ausente…’inda dormente…sempre PRESENTE!

Abandono-me ao casulo onde me refugio…
…minha concha da imaginação…
…pertinho do coração!
Será aí que reside a ALMA que te chama…em aflição?

Sinto as mãos que me afagaram…
…os beijos que me queimaram…
…os olhos que enterneciam…
…os braços que me tremiam…

Cheira-me a casa a jasmim,
Que acendia para ti…

És hoje um terreno íngreme, recoberto pela densa mata,
Que me serve de companhia, no telurismo da data
Que recordo, no meu dia…
Teu hálito quente fazia deslizar o orvalho em mim…
Eras o meu bailado…meu ácido corrosivo…
…MEU CALOR DEVASTADOR!

Arde, ainda e sempre, o FOGO-NA-MINHA-LAREIRA…
O que estava à tua beira…
…o que REACENDIAS, ao ritmo – do-teu-BEM-QUERER!

Mas a floresta…essa, emudeceu…
…nunca mais sorriu igual…
…teima em esperar tua semente,
No seu solo virginal…

ESTOU SÓ, com meu corpo…com os meus dedos
Que aperto, em vão…na tristeza da SOLIDÃO.

Tristeza onírica! A VIDA mudou…

Ventre para cima, preciso de te beijar…
…de sentir que és em mim, numa loucura, sem fim…
…que não consigo esquecer…SOU MULHER…

“Sente…faz assim…beija-me, sem fim…
…perde-te nas minhas veias,
Alamedas abertas às tuas mãos…
Sem correntes nem segredos…quentes de DOER…

No ar escuro, um ponto luminoso
Lembra-me de quando fumavas teu cigarro…saboroso…
Vi pontinhos a brilhar, que pareciam estrelas belas…
Contentes…
E quis guardá-las em vasos especiais,
Tais os momentos que acabo de viver…”

As MULHERES são assim, amor…
…tudo tem um significado especial…

UM cheiro a perdição de AMOR, fica aqui,
Sentado, a esperar pelo nosso voltar…


SONHO…VERDADE, AMOR?


C10-(mqc)-15-JAN/011

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Cantigas trovadorescas: CANTIGA DE AMIGO

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CANTIGA DE AMIGO




Vi um falcão peregrino, voando, delidamente.
Falei-lhe do meu amor que não veio, está ausente.

REFRÂO:”Não veio! Está ausente!
Espero-o, ansiosamente!”

E o falcão peregrino, asas abertas, chegou-se a mim.
Olhei-o bem nos olhos; ele falou-me assim:

REFRÃO: “Espera e confia!
Teu amor chegará, bem prontamente ”

Assim me falou e me deu ele novas
Do amor que espero… E passam as horas.

REFRÃO: “Não veio! Está ausente!
E eu espero-o, ansiosamente!”

-Teu amor está, nas terras d’el-rei.
Virá quando a guerra der lugar à lei.

REFRÃO: “Espera e confia!
Teu amor chegará, bem prontamente!

Virá quando a guerra tiver acabado.
Espera-o na fonte, como combinado.

REFRÃO:”Assim que puder, ele vai voltar
Para logo acabar esse teu sofrer!”

-“Esperá-lo-ei, na fonte sagrada!
Assim ficou dito, na época passada.
Ele não mentiu, devo confiar;
Virá, então, para me alegrar.
Depois, sim, eu irei noivar…
Noivar…esperar…confiar…casar!”

REFRÃO: "Assim que puder, ele vai voltar,
Para logo acabar o nosso sofrer!"








CAD4 D- 6 –JAN/08

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Ser idoso em Portugal...


Vi o filme, com JAVIER BARDEN, “ESTE PAÍS NÃO É PARA VELHOS”.

Longe de mim imaginar que poderia recorrer a este título, para falar de PORTUGAL.

As “cenas dos últimos capítulos” do que se refere à velhice no nosso país, tocou nas raias do meu HUMANISMO e não me conformo com a falta de políticas de ajuda aos idosos, numa “democracia” socratista, que os esqueceu, completamente, excepto quando se trata de lhes roubar as magras reformas com que o poder instalado pretende que paguemos os desmandos dos corruptos e surripiadores dos dinheiros públicos, que eles fazem chegar ,”em paz e segurança”, aos paraísos fiscais!

Muitos são, nos últimos tempos, as notícias sobre idosos “desaparecidos” que, afinal, se encontram mortos, em casa, há anos, sem que ninguém, nem mesmo os vizinhos, se tenham apercebido dessas tragédias. MUNDO CÃO em que vivemos!

Morrer sozinho!!! Haverá maior tristeza do que esta?

Nas sociedades ancestrais, os idosos eram tratados como uma riqueza de saberes adquirida, respeitados, amados e acompanhados, como exemplos de vida e de experiências, que transmitiam valores, de todos os géneros, de geração em geração.

Lembro-me dos serões, à lareira, em que a minha avó (que não me deixou saudades!) nos ensinava as orações e nos contava histórias mágicas, que, recordo, tinham sempre a ver com exemplos de valores a seguir!

Se é verdade que o domínio da escrita permite a alguém manobrar as PALAVRAS, exprimir MENSAGENS com base nos conhecimentos e aptidões que possui, nesse campo, eu, hoje, sinto com obrigação moral, que devo referir-me a este tema…porque não ando bem com a minha consciência, se não falar desta situação amarga, de que a nossa imprensa se tem feito eco, nos últimos 15 dias.

A CIÊNCIA estuda a velhice…Que riso! Como pode a ciência prever o desumanismo das sociedades hodiernas, em que as famílias não têm tempo para se preocuparem com os seus velhos, “porque é preciso trabalhar”?E como poderia a Ciência prever as “crises” dos ricos, o fecho de instituições de ajuda social, de Centros de Saúde, de Hospitais…?

É só reparar no afã com que o DESGOVERNO, a imbecilidade e a falta de Humanismo dos seguidores de Sócrates têm demonstrado, numa atitude de “AMANHEM-SE COM OS VOSSOS VELHOS”…

Os últimos ministros da Saúde tudo lhes têm roubado, numa de “poupar” dinheiro…muitos filhos e familiares abandonam-nos nos “lares” e hospitais, com o mesmo tipo de desumanidade…os jovens, ai ,os jovens!olham-nos como empecilhos, sem respeito ou consideração, valores que deveriam ser adquiridos no seio das famílias e não o são!

Minha avó dizia: “FILHO ÉS…PAI SERÁS!”

Perdoem os meus habituais leitores, se este texto não obedece a uma , habitual em mim, estruturação do texto e das ideias…escrevi de improviso, revoltada comigo própria, pois pertenço a esta sociedade, e ainda hoje soube doutro caso ,aqui perto de minha casa!

Não quis fazer um discurso intelectual com clareza, exactidão, adequação, pertinência, coerência, etc…Preferi deixar que as minhas ideias escorressem pela pena, com ideias ditadas pela Emoção, para que eu própria me martirize com esta falta de VIDA, de ALEGRIA, de Solidariedade social, de que são vítimas os nossos “poços de saber”…os nossos velhos!

Já repararam nos apartamentos das cidades e nas janelas das casas por onde passamos?

Vejam a cara dos nossos idosos…Vejam a SOLIDÃO…Sintam a tristeza de quem está à espera do fatal momento…

JURO! Serei diferente, a partir de agora…apesar de ajudar no tratamento de velhinhos, na minha ASSOCIAÇÃO, há tanto tempo…

domingo, 20 de fevereiro de 2011

POEMA: ALENTEJO, SEARA/SOBREIRO


Alentejo do meu mergulho emocional
Em lagos de trigo ondulante…

Lindo de ver e viver,
Quando a leve aragem faz bulir a seara pujante…

Ando por ruelas ermas e sinto-me bem…
…eu –comigo,- neste passo de caminhante…

Toca-me os cabelos a aragem
Que faz vibrar a seara,
Longe da montanha afastada, distante…

Refugio-me no encontro com a voz da poetisa
Que canta a árvore seca…VOZ-SER-ERRANTE…

Cegonhas esfíngicas buscam a fecundidade
Dos campos de grão dourado, esvoaçantes…

Longas asas abertas, bico fusiforme, olhar penetrante…
Provocam, em mim, uma inveja frustrante…

Não tenho asas…busco o meu trigo loiro…
…canso-me da PROCURA e respiro, ofegante…

Ao longe, vozes de mulheres que não param
Para pensar…afagam o trigo, com afã crescente…

Torna-se difícil encontrar a água
Que faria matar a sede de infinitude,
Com que percorro os caminhos
Nesta plana altitude,
Que grita, lancinante, por um sopro
Que varra a inquietude!

Na solidão da planície gritante,
Uma nota de VIDA, por entre oliveiras carcomidas:
ÉVORA, cidade da altiva brancura, no cimo da colina,
Batida pelo sol escaldante…
…calada…misteriosa…apelativa…
Habituada ao martírio constante do choro de FLORBELA,
Bela- flor do AMOR…ausente!

No altar da VIDA deponho rosas e violetas roxas,
Em honra do teu delírio que deambula
Ao sabor do vento
Pelas ruas e vielas onde ecoas…
TU…que foste parte delas!

É então que te descubro,
A tocar os astros com os dedos
Loucos de AMOR
E os lábios, a beijar uma FLOR…



C10 J-67(mqc)-DEZ/010

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

POEMA: MURMÚRIOS DISTANTES...


Murmúrios distantes…


Acomodada no cimo da rocha musgosa,
fixo os olhos no horizonte perturbante.
Esta em que estou, é uma rocha negra,
negra de meter medo.
Tal qual o meu coração
quando, em introspecção,
desejo que cheire a rosas.

O vento uiva seus murmúrios longínquos,
vindos do fim d’outras eras…
Frescos, nas nuvens aladas,
trazem seivas do passado;
Segredos de antiguidades idas…
Outras verdades, d’outras idades!

Da rocha vejo o mar, ao longe,
balançando revolto, no meio do azul conforto.
Búzios, conchas e pedrinhas atravessaram,
-sozinhas!-
épocas de grande magia.
Havia-a, então, se havia…

Olho para dentro de mim,
revolta, também eu, assim…
Seguirei o meu farol
como o navio que rema,
morto por chegar a terra…

Agosto/08-C5E-43-Ag/08