
Alentejo do meu mergulho emocional
Em lagos de trigo ondulante…
Lindo de ver e viver,
Quando a leve aragem faz bulir a seara pujante…
Ando por ruelas ermas e sinto-me bem…
…eu –comigo,- neste passo de caminhante…
Toca-me os cabelos a aragem
Que faz vibrar a seara,
Longe da montanha afastada, distante…
Refugio-me no encontro com a voz da poetisa
Que canta a árvore seca…VOZ-SER-ERRANTE…
Cegonhas esfíngicas buscam a fecundidade
Dos campos de grão dourado, esvoaçantes…
Longas asas abertas, bico fusiforme, olhar penetrante…
Provocam, em mim, uma inveja frustrante…
Não tenho asas…busco o meu trigo loiro…
…canso-me da PROCURA e respiro, ofegante…
Ao longe, vozes de mulheres que não param
Para pensar…afagam o trigo, com afã crescente…
Torna-se difícil encontrar a água
Que faria matar a sede de infinitude,
Com que percorro os caminhos
Nesta plana altitude,
Que grita, lancinante, por um sopro
Que varra a inquietude!
Na solidão da planície gritante,
Uma nota de VIDA, por entre oliveiras carcomidas:
ÉVORA, cidade da altiva brancura, no cimo da colina,
Batida pelo sol escaldante…
…calada…misteriosa…apelativa…
Habituada ao martírio constante do choro de FLORBELA,
Bela- flor do AMOR…ausente!
No altar da VIDA deponho rosas e violetas roxas,
Em honra do teu delírio que deambula
Ao sabor do vento
Pelas ruas e vielas onde ecoas…
TU…que foste parte delas!
É então que te descubro,
A tocar os astros com os dedos
Loucos de AMOR
E os lábios, a beijar uma FLOR…
C10 J-67(mqc)-DEZ/010