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sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Poema: ORATÓRIO...

Foto minha da encosta,na SERRAdaESTRELA



ORATÓRIO…



Do alto do promontório,
batido por vento cortante,
vejo o mar em sobressalto;
e, num instante,
o vento sibilante,
premonitório,
avisa o meu eu sofrido,
de que as aragens distantes
saíram já do mar alto
e vogam, como eu, errantes…

Antevejo a tempestade, que há-de afectar-me…
Anseio pel’o momento em que devo abrigar-me!

Mas o meu porto seguro não está perto.
Estou perdida e só neste meu deserto.
Que deus posso invocar
para me poder salvar?

Então, desço, lesta, o promontório
que me serviu de oratório.
Já não me oferece abrigo.
Pelo contrário, sinto-me em perigo
se dele não me afastar.
A descida é penosa;
Abrigo-me dos elementos em fúria,
encostada às arestas das rochas…
e aí me apoio…
Escorre-me sangue das mãos, tal o esforço que faço
para me aguentar, frente aos ventos fortes do mar…
“Sangue é vida!”-segreda uma voz mágica-
Não temas nenhuma ferida…porque, nesta tua vida,
muitas vezes irás sangrar…e chorar…e praguejar!
Esse sangue correrá ao sabor das dores da vida…
…que te é querida, aliás!



AGOSTO/07-Cad.1A-54

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

POEMA DO CICLO "ONDAS DE INQUIETAÇÃO...


Momentos de serenidade
Vivo-os, com toda a verdade,
Ao olhar o mar imenso,
No nevoeiro, tão denso…

Vejo naus e caravelas, quando miro o horizonte.
Vejo monstros assombrados que,
Erectos, levantados,
Nos quiseram pôr a monte.

Índia das maravilhas sonhadas, almejadas!
Por trás de todas as ilhas
Estão almas afortunadas, do desejo realizado.

Os paraísos buscados com sangue, suor e lágrimas,
Foram mesmo encontrados!
Mas as almas, ansiosas,
Ficaram nas águas, chorosas…

Vale a pena viver por um ideal,
Mas…valerá a pena,
Morrer por esse ideal?
Certo é que vale a pena,
Procurar tudo o que vale!

O homem é um ser racional,
Que se perde, no mundo emocional…


C1 A-C5E- 6/13-Set/07E

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

COMO VEJO O TEMA "MÉDIO-ORIENTE"




FOTOS DO GOOGLE

COMO VEJO O TEMA D O MÉDIO-ORIENTE
Duas notícias publicadas, hoje, no Jornal “PÚBLICO”, chamaram a minha atenção, porque tocam num tema que mexe com a minha sensibilidade.
Uma, na página 12, da autoria de Ana Fonseca Pereira, diz que MAHMOUD ABBAS garante querer continuar o diálogo com Israel, “enquanto houver uma réstia de esperança”, mas que a “resistência” contra o estado judaico vai ter que continuar activa, em nome da segurança do povo palestiniano (digo eu!) Do mal…o menos, pois lá diz o nosso povo que a esperança deve ser a última a morrer!
Yasser Arafat morreu, há poucos anos e, daquilo que entendo do que leio e do que me é dado ver nas TVs, nunca mais ninguém se entendeu, naquela parte do mundo. Vai, dentro de pouco tempo, ter lugar um congresso, o primeiro depois da sua morte, onde, de acordo com palavras da senhora jornalista, o Presidente da Autoridade Palestiniana reafirmará que é a PAZ que move os líderes árabes, no confronto com as políticas de Israel. Líderes que, à partida, estão divididos entre si por motivos de ânsia de poder, de casos de corrupção, de intrigas políticas, etc.
O mundo está cansado deste tipo de palavras, que não há maneira de darem frutos. E o drama das incompreensões continua…prevalecendo, há milhares de anos! Segundo a ideia dos árabes, a palavra certa é sempre RESISTIR. E Israel sabe disso…pelo que, naturalmente, como qualquer guerreiro que se preze, está sempre “em pé”.Em qualquer reunião entre os dois povos está, penso eu, presente, o fantasma da reiteração contínua, por parte da comunidade árabe, da destruição do Estado de Israel.
NOTA.ESTE TEMA NÃO PRETENDE SER ESPECULATIVO, NEM FERIR SUSCEPTIBILIDADES! RESPEITO DEMASIADO OS MEUS AMIGOS E A PAZ DO MUNDO, PARA PÔR” BRASAS EM QUALQUER FOGUEIRA”. PRETENDO SÓ QUE, QUEM SABE MAIS DO QUE EU,SE QUISER, ME ELUCIDE!
Pessoalmente, tenho dificuldade em entender por que é que os dois povos não podem ter, cada um, a sua PÁTRIA. Admiro o povo judaico que, em 60 anos de existência conseguiu que”as pérolas de orvalho” do deserto dessem vida a alimentos e outros bens, que correm este mundo globalizado. Admiro o povo palestiniano na sua permanente luta por uma PÁTRIA!
Sou contra as loucuras verbais de AHMADINEJAD, no seu ódio contra o povo judaico; e esperemos, para bem do mundo, que sejam apenas verbais, essas loucuras…
Na página 30 do “PÚBLICO”, na rubrica “CARTAS AO DIRECTOR”, um membro do COMITÉ de SOLIDARIEDADE COM A PALESTINA, ZIYAAD LUNAT, dá algumas explicações sobre o aproveitamento que se pretende fazer, a respeito do anunciado concerto de LEONARD COHEN, em ISRAEL. COHEN, que se sabe ser de religião budista é, apesar de tudo, oriundo de família judaica. Não pretendo comentar o artigo e a opinião deste leitor do “PÚBLICO”, pois sou …”ninguém” para o fazer. Só sei que a música é uma arte e uma linguagem universais, que deve ajudar às, comunicação e inter-acção mundiais, fora de contextos inoportunos, por conseguinte.
Advogo, portanto, que COHEN possa e deva cantar, hoje, em Israel e amanhã, na Palestina. A arte que exala da sua voz e dos seus temas é universal e, OXALÁ, possamos, tão depressa quanto possível, cantar em CORO “HALLELUYAH”!

sexta-feira, 29 de maio de 2009

”APELOS DA NATUREZA…”




Pensamentos como que “enviesados” levam-me a penetrar naquele pinhal a que nunca dei grande importância…
É verdade que julgo haver um momento próprio para darmos às coisas o valor que elas têm. Foi, provavelmente, um apelo da Natureza agreste, no seu cheiro peculiar a urzes, giestas, resina, folhas secas de pinheiro e pinhas a cair…
O chão, pejado de restos da natureza, cheira ao meu apetite de desvendar outros segredos…
Talvez seja outro daqueles momentos pensativos…
O sol brilha. Corre um arzinho fresco nesta linda tarde de Maio…ainda não muito quente, parecendo feliz com o bem estar de quem o goza, em plenitude.
Vejo os raios de sol a brilharem por entre as árvores das quais pendem pinhas, grávidas de frutos. Aqui e ali, os pinheiros que arderam cederam o lugar a restolho roxo com ar de urzes e giestas brancas e amarelas, formando, sem o saberem, um tapete “persa”, quase só meu… que me convida a um repouso de sons e cores extasiantes.Confesso-me apaixonada pela beleza daquela serra, lá no Caramulo! E sinto que não há aqui lugar para nenhum tipo de solidão, porque até a solidão está acompanhada por esta beleza, difícil de se ver noutro lugar, que não este mesmo!
Os anjos e santos doutros paraísos abrem uma janela furtiva, por entre as disfarçadas nuvens, para contemplarem, com inveja e ciúmes, a paz do espaço que não podem compartilhar comigo!
Nos campos, aqui ao pé, continuam os trabalhos rurais da época, feitos hoje com tractor. Ao longe, o casario parece adormecido… já não há fumo a sair das chaminés…Lembro outros tempos, os da minha infância, da minha pequenez no meio disto tudo, quando o fumo se confundia com o nevoeiro e enganava os incautos que se atrasavam no apalpar da terra, com o peso das enxadas…

A minha caneta, cheia da vida que eu lhe transmito, põe-se a caminho e começa a escrever todos estes pensamentos. Prodigiosa paisagem colorida é, igualmente, a do meu próprio pensamento, livre, relaxado e voluntarioso, nesta hora de “comunhão”… O ar, em música, afaga-me os cabelos. E eu seria desonesta se hoje, aqui e agora, permitisse à minha caneta que expusesse, despudoradamente, algum sentimento de amargura! “Hoje não, minha velha amiga! Afasta-te de tormentos existenciais e vive comigo a alegria destas horas de tojos, urzes, pássaros no ar, bichos-de-conta apressados, papoilas rubras inchadas de amor…”

Andam por aí, à solta, cheiros de flores que atraem abelhas aos cortiços…
Feliz, sem sombra de melancolias, repousada no meu interior saudável, pego nas minhas “riquezas” pessoais e meto-me a caminho. Pararei no café de sempre para beber a “bica” de sempre…

Senti que a vida me deu o braço, me ajudou a levantar e quer acompanhar-me a casa. Vou com ela, segura de que, hoje, dobrei um dos meus “cabos das tormentas…

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Andorinhas...por onde andais?


Há anos já ,que não dou pela chegada triunfante das nossas andorinhas.O tempo e o mundo modificaram-se, de tal modo,que tudo se tem tornado adverso para esses seres maravilhosos que,pontualmente, batiam às nossas janelas,numa atitude de saudação, quando vinham de terras e tempos distantes. Maquinalmente, misteriosamente, dirigiam-se à casinha, nos beirais,onde logo começavam a preparar o ninho, para que a família nascesse e se desenvolvesse a tempo de, na hora exacta,estar pronta para um novo "adeus".Até cá chegarem, percorriam milhares de quilómetros; muitas, ficavam pelo caminho,incapazes de resistirem à fome e ao cansaço.
Mulherzinha já,pensava nelas como pensava nos navegagores d'outras eras, que iam ficando pelo caminho pelas mesmas razões, morrendo,muitas vezes, nos largos oceanos,quando demandavam "as canelas e as pimentas" que haveriam de transformar as vidas dos séculos passados.E então, comecei a vê-las com outros olhos...Era já mais conhecedora das coisas do mundo...e, tive a ousadia de comparar o sacrifício humano ao das valentes avezinhas, também elas em atitude épica, sem bases de apoio para tão longas viagens, dispondo, apenas, de um misterioso sentido de orientação e resistência física ,com ajuda de um outro "astrolábio" que lhes dava a vontade indómita, própria dos seres "tocados" pelo bafo do Senhor.
Não sou romântica no tratamento deste tema!- ou melhor- não quero ser vista como tal, (embora saiba que todos continuamos a sê-lo!).É impossível ver romantismo nas situações que as pobres aves observam, lá do alto, quando passam sobre o Sudão, o Darfur,o Médio Oriente, Israel, a faixa de Gaza,o Ruanda e o Uganda, o Iraque, o Afganistão,etc Sinto que elas "viveram"os horrores dos genocídios, da fome das populações mais desprotegidas do mundo,dormindo ao ar livre, sem tecto, sem comida nem água,à mercê de "serpentes" armadas de metralhadoras...
E oiço-as falar de como foi difícil atravessar desertos, encorajando-se, umas às outras,no sentido de chegarem, o mais depressa possível, aos beirais de Portugal e às casas que cá deixaram,(se não as tivermos destruído,entretanto!).
Em termos de auto-análise,entendo que, como ser humano, levo cada "tombo" de vez em quando,que só a fé e a força de vontade no compromisso sagrado comigo própria,me ajudam a resistir aos terrores da vida e às "metralhadoras" do ódio, do autoritarismo, das injustiças, da inveja, da prepotência medíocre, de quem me pode "atacar".
Somos, decididamente, como as andorinhas: às vezes, vestidas de preto e branco, no nosso interior...Outras vezes, mais cinzentos, mas lutando sempre com denodo, porque a vida está mais "ali", à frente dos nossos olhos e nos nossos olhos!,sendo que a esperança é a última a morrer!
Cada um de nós, na resistência e na luta,faz a sua Primavera!Chegamos a nós, quando o sonho está quase, quase, a avançar...
Quando "chego"a mim...reconstruo logo o meu ninho...vejo o meu bom e o meu mau, tento fugir das minhas guerras, acalmo e...escrevo!
Passo, então, de andorinha a GARÇA-REAL...